A Licenciatura em Educação do Campo no estado de Roraima: contribuições para a escola do campo

Autor(a):

Silvanete Pereira dos Santos

Resumo:

Esta pesquisa foi realizada na Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Roraima. O objetivo é analisar em que medida o processo formativo desenvolvido pela Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Roraima contribui para formação de professores capazes de desencadear processos formativos de transformação da escola atual, a partir da formação por área do conhecimento, da alternância, da gestão de processos educativos escolares e da gestão dos processos educativos comunitários. Tem como tese a defesa de que essa licenciatura, a partir da formação por área do conhecimento e da formação por alternância, tem a possibilidade de transformar a forma escolar atual, vinculando-se ao projeto histórico da classe trabalhadora camponesa, fortalecendo a escola do campo e suas comunidades, bem como promovendo a produção de conhecimento nesses territórios, com o protagonismo do campesinato. Para investigar o problema de pesquisa e postular a tese apresentada, utilizamos os seguintes autores como referencial teórico: Molina e Sá (2011) e Caldart (2009; 2011, 2012), que orientaram a reflexão acerca da Educação do Campo, das Licenciaturas em Educação do Campo e da formação por área de conhecimento; Marx e Engels (2009), com o materialismo histórico dialético; e Gramsci (1982; 2001) e Pistrak (2000), com a discussão da escola que se apresenta como espaço de formação dos intelectuais da classe trabalhadora. Para estudar o problema, utilizamos a abordagem qualitativa e, como método de produção e interpretação dos dados, foi utilizado o materialismo histórico dialético, a partir das categorias: totalidade, contradição, historicidade, emancipação e trabalho. Quanto aos instrumentos de pesquisa para produção dos dados, foi utilizada a entrevista individual. Como resultados, o contexto da pesquisa apontou a potencialidade da Licenciatura em Educação do Campo de contribuir para o fortalecimento das Escolas de Educação Básica do Campo, a partir da inserção dos estudantes, da alternância e dos seus diferentes tempos formativos, da formação por área do conhecimento, da vinculação com o campesinato e com o protagonismo dos sujeitos do campo. Para isso acontecer de forma pedagógica, a pesquisa apontou alguns elementos necessários em termos de ajustes no Projeto Pedagógico de Curso e na organização do trabalho pedagógico. Sobre o trabalho pedagógico, ficou evidente a necessidade de formação específica para o corpo docente da licenciatura para praticar a pedagogia da alternância, bem como para atuar como docentes na perspectiva da formação por área do conhecimento, ou seja, docência multidisciplinar. No que se refere à prática da alternância, identificamos a necessidade de melhor organização e planejamento das atividades do Tempo Comunidade, incluindo, nesse item, o estágio curricular. Sobre a vinculação com o projeto histórico da classe trabalhadora camponesa e o protagonismo dos sujeitos do campo, faz-se necessária uma maior aproximação da licenciatura com as grandes temáticas do campo, tais como: questão agrária, reforma agrária, agroecologia, políticas públicas, soberania alimentar, entre outras. Quanto ao papel político e pedagógico dos movimentos sociais e sindicais do campo para o fortalecimento das escolas nas comunidades rurais, na defesa do direito dos camponeses ao acesso à educação em todos os níveis, para o não fechamento das escolas do campo e na luta por políticas públicas para o desenvolvimento do meio rural, é necessária uma melhor compreensão dos sujeitos da licenciatura quanto ao papel pedagógico dos mesmos na construção da identidade de camponês para os sujeitos do campo. Sobre a transformação da forma escolar, no que se refere às escolas do campo, a partir da produção de um conhecimento que possa fortalecê-las, a pesquisa indicou caminhos e possibilidades para essa finalidade. Os dados evidenciaram que os sujeitos da escola do campo confiam no trabalho da licenciatura e esperam muito mais ações do que as que têm acontecido até então. Além disso, ficou evidente que a escola está aberta ao diálogo e ao estreitamento dos laços com a universidade para aprimorar a formação dos estudantes da licenciatura e da escola. A pesquisa assinalou a alternância como um dos elementos da licenciatura com maior potencial tanto para o fortalecimento dos vínculos entre a universidade no processo de formação de professores com a escola de educação básica do campo quanto para o acesso e a permanência dos camponeses no nível superior, bem como para o desenvolvimento de ações comunitárias nas bases.

Referência:

SANTOS, Silvanete Pereira dos. A Licenciatura em Educação do Campo no estado de Roraima: contribuições para a escola do campo. 2018. 302 f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

Disponível em:

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