Eficiência de indicadores da restauração ecológica em mata ripária (fase de implantação) no bioma cerrado, Gama – DF

Autor(a):

Pedro Augusto Fonseca Lima

Resumo:

Os avanços do conhecimento da restauração ecológica e dos indicadores de avaliação são essenciais para a conservação e manejo da restauração nas matas ripárias do bioma Cerrado. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência ecológica de três indicadores de restauração na fase de implantação: o percentual de sobrevivência de mudas plantadas, o seu crescimento em altura e a cobertura de regenerantes. O estudo foi conduzido no Centro de Transferência de Tecnologias de Raças Zebuínas com Aptidão Leiteira (CTZL) da Embrapa Cerrados, Gama – DF. A coleta de dados foi realizada no período de janeiro/2012 a janeiro/2013, a partir da instalação do experimento de restauração ecológica com plantios de espécies nativas, realizado em dezembro/2011. Para avaliação da eficiência dos indicadores de restauração foi analisado o enquadramento dos aspectos: sensibilidade, resultabilidade, custo, compreensão, interpretação, previsibilidade, escala e síntese. O indicador de sobrevivência foi avaliado a partir da percentagem de mudas sobreviventes. O crescimento em altura foi obtido a partir das mudas com aumento gradativo deste parâmetro, com auxílio de trena. O percentual de cobertura dos regenerantes foi realizado pelo método de Braun-Blanquet, assim como dos remanescentes, invasoras, lianas e ausência de cobertura vegetal. A área total do experimento com dimensões de 320 x 80 m possuiu seis tratamentos com três repetições cada, sendo: T1 = Nucleação (5 x 5 m); T2 = Nucleação (5 x 5 m) + Poleiros; T3 = Poleiros; T4 = Linha de recobrimento e Linha de diversidade; T5 = Controle; T6 = Supressão da braquiária, perfazendo o total de 18 parcelas amostrais. A taxa de sobrevivência das 717 mudas implantadas, pertencentes a 18 espécies após um ano de plantio foi de 73,6%, sendo que apenas cinco espécies tiveram sobrevivência inferior a 70%. Desta forma, a sobrevivência demonstrou ser um bom indicador, quanto aos aspectos: sensibilidade, resultabilidade, compreensão e baixo custo, embora em termos de escala e síntese ainda não estejam claros nesta fase de implantação. A análise do crescimento em altura de mudas resultou em equações capazes de medir o incremento (cm/ano) das espécies utilizadas, bem como da avaliação das espécies com maior incremento anual, como Inga laurina e Tapirira guianensis, de modo que apresentou restrições na sua eficiência, não se enquadrando em vários aspectos em relação aos outros indicadores. No estudo dos regenerantes ao se analisar, pelo coeficiente de correlação de Pearson, a sua densidade média entre parcela e diagonal verificou-se que não foi representativa para caracterizar toda a parcela. No entanto, ao se analisar a representatividade a partir de equações lineares verificou-se que foi muito alta em julho de 2012 (77%) e moderada em janeiro de 2013 (40%). Ao se analisar a cobertura de regenerantes entre tratamentos (método de Wilcoxon) identificou-se que houve diferença significativa entre a cobertura inicial e final do T1 em relação aos demais tratamentos. Esta diferença em apenas um tratamento pode ser explicada pelo curto período de análise (12 meses). Em outros tratamentos observam-se ligeiros aumentos, os quais se esperam que no decorrer do tempo possam ser significativos. Dentre os indicadores avaliados, na fase de implantação, os regenerantes mostraram-se mais eficientes, seguido da sobrevivência; no entanto, o crescimento em altura pode ser considerado como de mediana eficiência.

Referência:

LIMA, Pedro Augusto Fonseca. Eficiência de indicadores da restauração ecológica em mata ripária (fase de implantação) no bioma cerrado, Gama – DF. 2014. xvi, 96 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

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