Avaliação da resposta de espécies florestais do Cerrado a espécies virais dos gêneros Potyvirus e Tospovirus e estudos de caracterização de vírus em Mimosa caesalpiniifolia

Autor(a):

Priscilla Carvalho Farias

Resumo:

A biodiversidade do Cerrado Brasileiro é muito grande e espécies florestais originárias deste Bioma tem grande potencial econômico. Tais espécies, entretanto, podem ser reservatórios de vírus fitopatogênicos, responsáveis por grandes perdas em diversas culturas de interesse agronômico. Desta forma, novas informações encontradas em plantas deste Bioma, referentes à interação entre patógenos e hospedeiras, são de grande importância, principalmente para o conhecimento de novas hospedeiras de vírus de plantas, informação esta, bastante escassa na literatura. Além disso, essas plantas apresentam potencial para uso em programas de melhoramento genético via transgenia, visando a resistência a fitopatógenos. Assim, este trabalho teve como objetivo a avaliação do tipo de resposta e o potencial de algumas espécies florestais como hospedeiras de espécies de gêneros de vírus economicamente importantes. Espécies de Potyvirus (Potato virus Y- PVY) e de Tospovirus (Groundnut ringspot virus – GRSV; e Tomato spotted wilt virus – TSWV) foram inoculadas mecanicamente via extrato vegetal tamponado. Os ensaios foram realizados em três épocas diferentes usando 22 espécies florestais do Cerrado. No primeiro e terceiro ensaio foram utilizadas mudas provenientes de sementeiras de 9 espécies distintas com duas repetições para cada espécie. No segundo, quarto, quinto e sexto ensaios, mudas provenientes da FAL (Fazenda Água Limpa), e Viveiro IV da NOVACAP de mais 13 espécies foram utilizadas, sendo cada espécie com três repetições. Foram inoculadas nos ensaios 2 amostras de cada espécie. Como controles negativos, foram usadas amostras das mesmas espécies, sem inoculação. Os ensaios foram avaliados a cada 10 dias. A detecção dos vírus foi feita através de sintomas e de anticorpos policlonais por meio de Dot-Blot. Conforme análise, as amostras em laboratório, Chorisia speciosa, Ingas laurina, Lafoensia pacari e Schinus terebinthifolius mostraram-se positivas para GRSV; Chorisia speciosa, Hymenaea stignocarpa, Kielmeyra coreacea e Lafoensia pacari mostraram-se positivas para TSWV; e Eriotheca pubescens e Ingas laurina para PVY. Sendo Ingas laurina, Kielmeyera coreacea, e Lafoensia pacari assintomáticas e Enterolobium gummiferum, Pterogyne nitens, Solanum lycocarpum e Tabebuia avellanedae apenas sintomáticas para GRSV, GRSV, TSWV e PVY, respectivamente. Ao final desse trabalho foram obtidas 11 espécies florestais como potenciais hospedeiras dos vírus citados. São elas: Chorisia speciosa, Enterolobium gummiferum, Eriotheca pubescens, Hymenaea stignocarpa, Ingas laurina, Kielmeyera coreacea, Pterogyne nitens, Lafoensia pacari, Schinus terebinthifolius, Solanum lycocarpum e Tabebuia avellanedae. Verificou-se com isso que plantas nativas do Cerrado e espécies florestais de interesse econômico apresentam grande potencial como reservatório de vírus, o que pode influenciar na distribuição e manutenção de isolados virais de importância agronômica, que possa, futuramente, também se tornar importantes no meio de produção florestal. Por outro lado, foi possível detectar Begomovirus na espécie Mimosa caesalpiniifolia, sendo que os estudos de caracterização do vírus estão sendo conduzidos, apresentando-se um trabalho com grande potencial para estudos posteriores, principalmente levando-se em conta a ausência de estudos de caracterização viral em espécies florestais.

Referência:

FARIAS, Priscilla Carvalho. Avaliação da resposta de espécies florestais do Cerrado a espécies virais dos gêneros Potyvirus e Tospovirus e estudos de caracterização de vírus em Mimosa caesalpiniifolia. 2013. 71 f., il. Monografia (Bacharelado em Engenharia Florestal)—Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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