Efeito do fogo sobre a vegetação arbórea e herbácea em campo de murundus no Parque Estadual do Araguaia - MT

Autor(a):

Halina Soares Jancoski

Resumo:

Os campos de murundus (CMs) são formados por área plana ocupada pelo estrato herbáceo, inundável no período chuvoso, onde estão inseridos microrelevos ou murundus de terra cobertos por vegetação lenhosa típica do Cerrado. São encontrados principalmente no Brasil Central e ainda são pouco estudados. O estudo foi realizado em área amostral de 1 ha de CM no Parque Estadual do Araguaia (PEA), em Mo Grosso, com ocorrência de duas queimadas (2006 e 2007). Dois levantamentos foram realizados: antes da queimada (2005) e pós queimada (2008), com o intuito de analisar as mudanças florísticas e estruturais da vegetação herbácea e arbórea durante o período de três anos. Para avaliar o componente herbáceo-subarbustivo, a área de 1 ha foi dividida em 16 parcelas de 25 X 25 m cada. Para quantificar a vegetação herbáceo-subarbustiva utilizou-se um quadro de madeira (1 m X 1 m) lançado aleatoriamente duas vezes em cada parcela. Foram amostradas 35 espécies, 25 gêneros e 15 famílias. A diversidade foi de H’ = 2,38 nats. ind.-1em 2005 e H’ = 1,91 nats.ind. -1 em 2008. Os valores de H’ diferiram entre si entre os levantamentos (t = 4,86; p = 0,05). Para ambos o índice J’ foi de 0,91. As famílias com maior riqueza foram Poaceae (9 espécies) e Cyperaceae (5). Houve mudança na composição florística, na cobertura e na frequência da comunidade e das populações. A família que se destacou em cobertura e frequência foi Poaceae. Aristida pendula e Trachypogon plumosus foram as espécies que mais alteraram em cobertura e frequência relativa entre os levantamentos. Com relação ao componente arbustivo-arbóreo foi realizado o inventário da área de 1 ha, medindo-se todos os indivíduos com CAS ≥ 9 cm e suas alturas. Em 2008, foram avaliados todos os indivíduos sobreviventes de 2005, os indivíduos recrutas e também foram medidos CAS de todas as rebrotas ≤ 9 cm que apresentaram morte da parte aérea (top kill). Ocorreu mudança na estrutura e a composição florística do componente arbóreo se manteve, exceto para Protium unifoliolatum que não foi registrado na amostragem em 2008. Ao todo, foram amostrados 40 espécies, 34 gêneros e 23 famílias. A densidade diminuiu e a área basal aumentou no segundo levantamento. A frequência relativa foi o parâmetro que mais influenciou o IVI das espécies, seguida pela densidade relativa e dominância relativa. As dez espécies mais importantes em IVI mantiveram entre os levantamentos, mas em posições diferentes. Curatella americana e Andira cuyabensis foram as espécies com maior IVI, devido principalmente a dominância na área. As distribuições de diâmetros e de alturas apresentaram diferenças entre os dois levantamentos. Em 2008, surgiu uma nova classe de diâmetros (0 a 2,8 cm), devido ao decréscimo dos indivíduos que desenvolveram rebrotas com menores diâmetros após top kill. A taxa média anual de recrutamento (1,16%.ano-1 ) foi menor do que a taxa de mortalidade (2,95.ano-1), confirmando a diminuição da densidade. A mortalidade total foi de 9,3% e a taxa de caules destruídos foi de 33%. 70% dos indivíduos mortos apresentavam diâmetros entre 4,2 a 7,3 cm e 52% com altura entre 2 a 3 m. 35% dos indivíduos na área sofreram dano parcial com rebrota. Em 2008, foram quantificados 429 rebrotas contra 156 em 2005. 95% dos diâmetros das rebrotas em 2008 não ultrapassaram 2,22 cm. A interferência de queimadas na área durante os anos de estudo contribuiu para as mudanças na vegetação do CM.

Referência:

JANCOSKI, Halina Soares. Efeito do fogo sobre a vegetação arbórea e herbácea em campo de murundus no Parque Estadual do Araguaia – MT. 2010. xvi, 96 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2010.

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