Comparação da florística, diversidade e estrutura entre um cerrado sentido restrito e um agroecossistema agroecológico com preservação parcial da vegetação nativa

Autor(a):

Camilo José Bonfim de Lima

Resumo:

O presente estudo teve como objetivo comparar a florística, diversidade e estrutura fitossociológica entre uma área de cerrado sentido restrito manejada como Agroecossistema e a área adjacente não manejada. O estudo foi realizado no Laboratório de Experiências Agroecológicas da Faculdade UnB Planaltina – LEAF- e na área de cerrado sentido restrito adjacente ao LEAF (cada uma com 0,31 ha e localizadas na Faculdade UnB em Planaltina- DF). O LEAF constitui-se de um Agroecossistema de policultivo de base agroecológica, instalado em um cerrado sentido restrito dividido em módulos que intercalam faixas produtivas (300 m2, 15m x 20m) com áreas de preservação (140 m2, 7m x 20m). Nas faixas de preservação a flora foi preservada, sendo que as faixas produtivas foram submetidas a manejo, com remoção de todo estrato herbáceo e parte da vegetação arbóreo-arbustiva, com exceção das lenhosas de maior porte. A área de Cerrado adjacente (ACA) foi parcelada com as mesmas dimensões do LEAF (22x140m = 3.080m², divididos em dez parcelas de 22 x14m). Em ambas as áreas foram medidos e registrados a altura e o diâmetro de todos os indivíduos lenhosos com diâmetro ≥ 2 cm a 5 cm do solo. Todos os indivíduos amostrados foram identificados em gênero e espécie e os que foram submetidos a manejo (poda) foram classificados como manejados. Foi elaborada a análise florística e fitossociológica das comunidades e a diversidade e a estrutura entre as áreas foram comparadas através do teste de t de diversidade e através do teste de t entre a densidade absoluta (DA) e área basal absoluta (ABA) média das parcelas. Foram amostrados 734 indivíduos pertencentes a 57 espécies e 27 famílias no LEAF e 1009 indivíduos pertencentes a 63 espécies e 28 famílias no ACA. Das espécies amostradas, 52 foram comuns as duas áreas e as espécies com maiores índices de valor de importância (IVI) foram Qualea grandiflora (23,61 no LEAF) e Qualea parviflora (19,75 na ACA). A diversidade entre as áreas não apresentou diferenças significativas (t= 0,13, p= 0,89), com índice de diversidade de Shannon (H’) de 3,59 nats/ind. para o LEAF e 3,58 nats/ind para a ACA e índice de Simpson (C)= 0,96 para LEAF e ACA). Os valores médios de DA e ABA apresentaram significativa redução no LEAF em relação ao ACA, e apesar destas diferenças significativas, a não redução da diversidade de espécies no LEAF pode ser devido a alta equitabilidade da comunidade (índice de equabilidade de Pielou (J’)= 0,88 (LEAF); 0,86 para ACA). Os resultados do presente trabalho evidenciam que o manejo da área de cerrado sentido restrito em questão para desenhos de sistemas de policultivo consorciados entre comunidade nativa e culturas agrícolas diminuiu significativamente a DA e ABA da comunidade manejada, porém, devido a alta equitabilidade da comunidade estudada, não houve redução significativa da diversidade de espécies do estrato arbóreo-arbustivo após o manejo.

Referência:

LIMA, Camilo José Bonfim de. Comparação da florística, diversidade e estrutura entre um cerrado sentido restrito e um agroecossistema agroecológico com preservação parcial da vegetação nativa. 2016. 41 f., il. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciências Naturais)—Universidade de Brasília, Planaltina-DF, 2016.

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