Conflitos com os Povos Indígenas

No ano de 2020, entre os 18 assassinatos registrados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), no contexto dos conflitos no campo, sete foram de indígenas, 39% das vítimas. Entre as 35 pessoas que sofreram tentativas de assassinato, ou homicídio tentado, 12 foram indígenas, 34% das vítimas. No que diz respeito às ameaças de morte, entre as 159 pessoas ameaçadas, 25 são indígenas, 16% das vítimas. Esses dados revelam que as lideranças indígenas estão à mercê de uma violência engendrada a partir de uma postura governamental que incentiva as invasões e a exploração dos territórios.
Em 2020, das 81.225 famílias vítimas de invasões, 58.327 são indígenas, 71,8%. Em 2019, essa porcentagem foi de 66,5% (26.621) e em 2018, 50,1% (14.757). Se considerado apenas o incremento das famílias indígenas impactadas, entre 2018 e 2020, o percentual é de 295%.
A perda signifcativa de vegetação no interior das TIs nos dois últimos anos é um indicativo grave de invasão com as fnalidades de exploração ilegal dos recursos naturais e de apropriação fundiária, processos estes que podem comprometer a sobrevivência física e cultural de povos originários e, no limite, levá-los ao extermínio. São aspectos da violência que retratam o genocídio atual.


Fonte: Violência contra os Povos Indígenas no Brasil: aspectos atuais de um genocídio em trâmite Luiz Eloy Terena. In Conflitos no Campo Brasil 2020. Centro de Documentação Dom Tomás Balduino – CPT. Goiânia: CPT Nacional, 2021.

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