Fungos do Cerrado

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Frequentemente confundidos com os mais diversos grupos de organismos vivos, como por exemplo, plantas, animais ou até mesmo bactérias, os fungos, na verdade, são classificados em um grupo só seu. Seguindo as diferentes formas de classificação dos seres vivos, a mais conhecida segue a classificação em reinos, e os fungos fazem parte do Reino Funghi. Se considerarmos a classificação mais atual, os fungos pertencem ao mesmo grande grupo que plantas e animais (mas não o mesmo de bactérias), o domínio Eukarya. Apesar disso, existem diversas diferenças entre estes que permitem a separação dos fungos como seres não pertencentes nem ao grupo de plantas, nem ao de animais.

Considerando o histórico recente de distinção dos fungos dos demais seres vivos, é importante ressaltar uma característica da classificação deste grupo. Assim como o cerrado possui duas classificações distintas: lato sensu (sentido amplo) e stricto sensu (sentido restrito), o mesmo ocorre com os fungos.

 

No caso do cerrado stricto sensu este diz respeito às fitofisionomias savânicas conhecidas como cerrado típico. Este pode ser desde um cerrado ralo, com menos árvores, até um cerrado denso, com mais árvores, mas ainda sem se caracterizar como uma formação florestal. O cerrado em sentido amplo (lato sensu) inclui outras fitofisionomias savânicas como o parque cerrado e cerrado rupestre, além de fitofisionomias campestres e uma fitofisionomia florestal, o Cerradão. Diante da grande diversidade de fitofisionomias presentes no bioma Cerrado, é muito importante que haja a distinção entre o que diz respeito ao cerrado típico, ou ao cerrado sentido amplo. Entretanto, apesar da distinção entre os sentidos amplos e restrito, a consideração destes como parte de um grupo só é extremamente pertinente e facilita tanto o estudo quanto a comunicação.

Quanto ao grupo dos fungo, observa-se a mesma lógica. O grupo dos fungos em sentido amplo inclui os “pseudofungos”, organismos denominado mixomicetos, pertencentes ao subfilo Mycetozoa. Estes organismos são bastante semelhantes aos fungos “verdadeiros”, especialmente quanto à sua morfologia. Apesar disso, algumas de suas características fazem com que não sejam fungos de fato como a ausência de parede celular.

Os fungos verdadeiros são divididos em quatro sub-grupos, cada qual com suas características específicas, são estes: Chytridiomycota, Zygomycota, Ascomycota e Basidiomycota.

As características básicas que distinguem os fungos dizem respeito principalmente à sua morfologia, ou sua forma e composição, entretanto, estas têm estreita relação com a sua fisiologia. Diferentemente das plantas, fungos não possuem celulose ou pigmento fotossintético e portanto, devem obter seu alimento da mesma forma que animais, de maneira heterotrófica. Apesar de obterem seu alimento do ambiente, fungos não podem se mover, como no caso de animais. Além disso, fungos não formam tecidos verdadeiros e possuem quitina em sua parede celular.

A classificação mais básica dos seres vivos é feita em dois grandes grupos e diz respeito à presença (ou não) de um envoltório celular em torno do material genético daquele organismo, chamado de carioteca. Os seres procariotos são os que não possuem nenhuma membrana envolvendo seu DNA, e os representantes deste grupo são as bactérias, organismo do domínio Archaea, amebas e protozoários. Os seres eucariotos são aqueles que possuem um envoltório em torno de seu DNA e portanto este se encontra separado do citoplasma celular, os organismos que possuem tal estrutura são as plantas, animais e os fungos.

Considerando o padrão de obtenção do alimento e a presença ou ausência de carioteca, de maneira simplificada para fins de diferenciação, temos que:

  • Bactérias: seres procariotos;

  • Plantas: seres eucariotos autótrofos;

  • Fungos: seres eucariotos heterótrofos sem motilidade;

  • Animais: seres eucariotos heterótrofos com motilidade.

A primeira descrição documentada de fungos foi feita em 1665 pelo naturalista Robert Hooke. Já no século XVIII foi classificado por Carl von Linée como pertencente ao Reino Vegetalia. Em 1866, os fungos foram classificados por Haeckel como sendo parte do Reino Plantae, uma outra denominação para o mesmo grupo de plantas classificado por Linée. Além do Reino Plantae haviam outros dois reinos: Animalia e Protista, sendo que este último englobava “plantas” e “animais” unicelulares. Em 1969 com a nova classificação de Whittaker, os seres aclorofilados não animais receberam uma classificação só para si: Reino Funghi, sendo em seguida, novamente englobados no grupo de plantas e animais, domínio Eukarya, em contraste com os domínios Bacteria e Archaea. Mesmo estando dentro do grupo de plantas e animais, os fungos possuem uma linhagem exclusiva com características que os definem exclusivamente.

No que diz respeito aos ambientes que os fungos habitam, estes podem ser os mais diversos possíveis. A grande maioria dos fungos vive no solo atuando no importante papel de ciclagem dos nutrientes, a decomposição, em especial da lignina, composto que forma os troncos de árvores muito difícil de ser digerido. Além do solo, podem ser parasitas de plantas e animais, causando doenças, como a ferrugem em plantas (Puccinia spp.) e a micose em humanos (diversas espécies causadoras). Outros tipos de fungos muito conhecidos são as leveduras, utilizados como agentes fermentadores de pães e bebidas alcoólicas, sendo o maior representante a espécie Saccharomyces cerevisiae.

Além do importantíssimo papel na decomposição de lignina, outro aspecto fundamental da ecologia de fungos é a formação de micorrizas. Estas são estruturas filamentosas de hifas de fungos associadas às raízes das plantas que atuam tanto em uma maior absorção de nutrientes para a planta, de maneira mais eficiente, como também facilita a liberação de nutrientes no solo, fertilizando-o. Outra importante função das micorrizas é a estruturação do solo, que se mantém agregado por meio das teias formadas entre raízes e micorrizas que permitem a infiltração da água e sustem as partículas de solo impedindo que este seja erodido.

Utilizados tanto na indústria alimentícia na produção de pães, queijos e bebidas alcoólicas, os fungos também foram muito importantes na elaboração de antibióticos como a penicilina, descoberta pelo biólogo Alexander Fleming e seu colega patologista Howard Florey, premiados em 1945 com o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.

 

Outro fator importante para a economia e o controle de doenças fúngicas que acometem produções de alimentos como a vassoura-de-bruxa (Moniliophtora perniciosa), doença que acometeu plantações de cacau em todo o país.

 

No caso do cerrado stricto sensu este diz respeito às fitofisionomias savânicas conhecidas como cerrado típico. Este pode ser desde um cerrado ralo, com menos árvores, até um cerrado denso, com mais árvores, mas ainda sem se caracterizar como uma formação florestal. O cerrado em sentido amplo (lato sensu) inclui outras fitofisionomias savânicas como o parque cerrado e cerrado rupestre, além de fitofisionomias campestres e uma fitofisionomia florestal, o Cerradão. Diante da grande diversidade de fitofisionomias presentes no bioma Cerrado, é muito importante que haja a distinção entre o que diz respeito ao cerrado típico, ou ao cerrado sentido amplo. Entretanto, apesar da distinção entre os sentidos amplos e restrito, a consideração destes como parte de um grupo só é extremamente pertinente e facilita tanto o estudo quanto a comunicação.

Quanto ao grupo dos fungo, observa-se a mesma lógica. O grupo dos fungos em sentido amplo inclui os “pseudofungos”, organismos denominado mixomicetos, pertencentes ao subfilo Mycetozoa. Estes organismos são bastante semelhantes aos fungos “verdadeiros”, especialmente quanto à sua morfologia. Apesar disso, algumas de suas características fazem com que não sejam fungos de fato como a ausência de parede celular.

Os fungos verdadeiros são divididos em quatro sub-grupos, cada qual com suas características específicas, são estes: Chytridiomycota, Zygomycota, Ascomycota e Basidiomycota.

Os fungos produzem diversos compostos que podem ser utilizados na produção tanto de fármacos quanto agroquímicos biológico como herbicidas, inseticidas e antiparasitas. Existem fungos que causam doenças em plantas e são denominados, portanto, parasitas. Além destes, existem também fungos que vivem em plantas sem causar-lhes nenhum dano, em uma associação aparentemente benéfica a ambos. Alguns estudos indicaram a possibilidade de certas substâncias bioativas existentes em plantas sejam na verdade produzidas pelos fungos ao qual estão associadas.

A classificação mais básica dos seres vivos é feita em dois grandes grupos e diz respeito à presença (ou não) de um envoltório celular em torno do material genético daquele organismo, chamado de carioteca. Os seres procariotos são os que não possuem nenhuma membrana envolvendo seu DNA, e os representantes deste grupo são as bactérias, organismo do domínio Archaea, amebas e protozoários. Os seres eucariotos são aqueles que possuem um envoltório em torno de seu DNA e portanto este se encontra separado do citoplasma celular, os organismos que possuem tal estrutura são as plantas, animais e os fungos.

Considerando o padrão de obtenção do alimento e a presença ou ausência de carioteca, de maneira simplificada para fins de diferenciação, temos que:

  • Bactérias: seres procariotos;

  • Plantas: seres eucariotos autótrofos;

  • Fungos: seres eucariotos heterótrofos sem motilidade;

  • Animais: seres eucariotos heterótrofos com motilidade.

Estima-se em 1.500.000 o número de espécies de fungos no mundo (seis espécies de fungos por espécie de planta). No Cerrado, estima-se que há de 10 a 20 fungos por planta (cerca de 10.000 espécies) grande parte com potencial econômico (ex: produção de alimento). Neste contexto, este projeto visa reduzir a lacuna de conhecimento sobre os fungos ocorrentes em plantas com potencial para domesticação no Cerrado, em áreas prioritárias para conservação.

 

 

ORDENS

GÊNEROS

ESPÉCIES

SUBESPÉCIES

VARIEDADES

Lato sensu*

103

1246

5719

5

135

Endêmico do Brasil

0

0

51

0

5

Ocorre no Cerrado

51

258

689

0

5

Endêmico do Cerrado

0

18

172

0

2

Strictu sensu*

83

1155

5264

5

132

Endêmico do Brasil

0

0

51

0

5

Ocorre no Cerrado

39

209

516

0

3

Endêmico do Cerrado

0

16

144

0

1

Das 10.000 espécies de plantas catalogadas no Cerrado, aproximadamente 4.400 são endêmicas deste bioma, ou seja, só ocorrem aqui. Diante desse alto nível de endemismo, observado não apenas nas comunidades de plantas como também de animais, estima-se que há uma grande diversidade de fungos associadas às espécies nativas, inclusive às endêmicas. Apesar da importância da diversidade de espécies que o Cerrado abriga, em especial as que ocorrem apenas neste, há ainda uma grande lacuna quanto à distribuição destas espécies no bioma.

 

O grupo dos fungos é o segundo maior em número de espécies, estando em primeiro luga os insetos. Com relação à ocorrência e biodiversidade, os fungos constituem-se no segundo maior grupo de espécies sobre a terra, perdendo apenas para os insetos. Essa diversidade fúngica no cerrado é bem maior do que a média mundial. Estimativas sugerem que existam aproximadamente 1,5 milhões de espécies diferentes de fungos, sendo que menos de 5% foram descritas.

Nos anos 60, pesquisas sobre fungos do Cerrado foram interrompidas com a ausência de dois ícones da micologia brasileira: Augusto Chaves Batista (falecido em 1967) e Ahmés Pinto Viégas (aposentado em 1968). Eles contribuíram com a descrição de uma centena de espécies novas de fungos do Cerrado, com base em amostras coletadas por Ezechias Paulo Heringer, professor emérito da Universidade de Brasília (UnB). Grande parte da coleção de fungos de Heringer, pioneiro da botânica brasileira, foi incorporada ao que é hoje a Coleção Micológica do Herbário UB (CMHUB), localizada no Departamento de Fitopatologia, do Instituto de Ciências Biológicas (IB).


Após 27 anos de pesquisas, existem hoje quase 25 mil espécimes de fungos na Coleção Micológica. Eles estão armazenados em um fungarium moderno com temperatura em torno de 16ºC. São 150 holótipos de novos fungos, além de vouchers referentes a mais de 20 gêneros novos, e um gênero-tipo da primeira família de ascomicetos estabelecida com base em material coletado no bioma. Essas novidades científicas figuram em periódicos vinculados às mais importantes sociedades científicas dedicadas à micologia, como a citada Mycologia (EUA), além da Mycological Research (Reino Unido), Mycological Progress (Alemanha), IMA Fungus (Holanda), Phytotaxa (China) e Mycotaxon (EUA).


A coleção tem representantes de fungos de todos os parques nacionais localizados no Cerrado, como a Chapada dos Veadeiros, o Parque Nacional de Brasília, a Estação Ecológica das Águas Emendadas, a Chapada dos Guimarães, o Parque Grande Sertão Veredas, a Fazenda Água Limpa-UnB.

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