PESCADORES ARTESANAIS

Não existe um consenso sobre a definição técnica do termo pesca artesanal, que também pode ser chamada de pesca em pequena escala. Seu entendimento é muitas vezes construído na oposição à pesca em larga escala, industrial, que utiliza recursos inacessíveis aos pescadores artesanais. Recorremos, portanto, ao conhecimento subjetivo do baiano Robinson:

“A gente tem que respeitar o mar porque ele é muito importante. A gente não pode brincar, entendeu? Se a gente brincar, o que acontece? Machuca a gente, quebra nossa embarcação, aí dá prejuízo para nós. Então a gente tem que respeitar o mar. E quando ele tá manso, a gente faz nossos fretes, nossas pescarias, entendeu? Ganha o trocadinho do mar, que é o único dinheiro que a gente tira do mar, que consegue arrancar porque a gente vive da pesca […]. Nossa praia para nós é sagrada.”

Robinson

As comunidades de pescadores artesanais estão espalhadas por rios, lagos e toda a costa brasileira e são, por isso mesmo, muito diversas entre si. O elo entre esses diferentes grupos é o cotidiano de trabalho com as águas, labuta que é possível devido a um acúmulo de conhecimentos locais específicos sobre vento, maré, cheias e vazantes, posição e movimento dos cardumes, entre outros, sempre aliado a técnicas tradicionais de pesca e navegação.

As águas representam ao mesmo tempo fonte de renda e de tragédia, impondo uma natureza múltipla que se apresenta ora como provedora, ora como destruidora. A pesca não é uma atividade garantida, ou mesmo fácil. É comum que pescadores experientes retornem com pouco peixe, menos do que o necessário para financiar a expedição. Em muitos lugares essa dinâmica é encarada como um jogo, um eterno perde e ganha submetido ao capricho dos deuses e à esperteza, tanto do peixe quanto do pescador, ambos em disputa permanente pela própria vida.

Fonte: http://portalypade.mma.gov.br/pescadores-artesanais

Os pescadores geralmente estão associados às porções com rios, formando associações e possuem variadas identidades. A existência de uma relação estreita com a dinâmica das águas e a ictiofauna aumenta a interdependência das estratégias de pesca aos ciclos naturais, possibilitando a aplicação dos conhecimentos ecológicos no manejo e uso do recurso pesqueiro, necessários à subsistência e/ou geração de renda. No caso dos pescadores, a existência de uma relação estreita com a dinâmica das águas e a ictiofauna aumenta a interdependência das estratégias de pesca aos ciclos naturais, possibilitando a aplicação dos conhecimentos ecológicos no manejo e uso do recurso pesqueiro, necessários à subsistência e/ou geração de renda. Além disso, o saber dos pescadores sobre os peixes revela sua utilidade quando tem a possibilidade de se tornar indicadores da biodiversidade e da ecologia da ictiofauna local (BEGOSSI, 1999; 2004), principalmente porque possibilitam o acesso rápido às informações importantes para a conservação do recurso pesqueiro e também por somarem-se às informações técnico-cientíicas para o norteamento do processo de gestão dos recursos naturais, inclusive em Unidades de Conservação . O conhecimento foi adquirido por meio de experiências resultantes das pescarias e de observações do ambiente que exploram.