Ana Aparecida Francisco da Conceição, comunidade do Vão do Moleque do município de Cavalcante-GO

Ana Aparecida ou Cida, como é conhecida, é uma jovem raizeira, casada com Paulo e mãe de Ianara, de 20 anos. Lavradora, dedica-se aos ofícios de raizeira desde criança, ajudando sua mãe, Dona Joana, lavradora, raizeira, parteira e benzedeira. Dona Joana conhece as serras, os rios e cada pedra onde habitam as plantas.

 

Antes eu carregava água na cabeça lá do pé da serra até aqui para aguar as plantas, hoje já temos água por gravidade que enche a caixa. E também temos o reservatório de água da chuva. Não ficamos mais sem água. No Kalunga água é vida. Embora aqui seja uma região de fartura de água, muitas pessoas ainda não têm água em suas casas. Carrega na cabeça para tudo. Banhar, lavar louça, beber, molhar as plantas é muito difícil. Mas a gente protege as plantas porque tem pessoas que têm a mão ruim e se pegar sem pedir, a planta morre.

 

Sr. Adão me ensinou a confiar, a saber que aquelas coisas que eu sentia já era o Dom se manifestando. E assim eu faço parte deste grupo que Sr. Adão coordena. E nós trabalhamos juntos, um apoiando o outro. Uma equipe. (Sra. Ana Aparecida em entrevista em agosto de 2018).

 

Fonte: SILVA, Maria Tereza Gomes da. O ofício do raizeiro: saberes e práticas integrativas em comunidades tradicionais quilombolas Kalunga. 2019. 191 f. Dissertação (Mestrado em Performances Culturais) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019.

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