Sinvaline Pinheiro

Nasci em Uruaçu-GO na rua Americano do Brasil, n 35. Depois de muito tempo fora, resolvi voltar no ano 2002. Comecei os trabalhos voluntários de resgate da cultura, escrevendo e reunindo pessoas do folclore e logo publiquei causos em revistas, na PUC Goiás e fundamos o Grupo de Folclore Serra da Mesa. Neste mesmo ano comecei uma grande luta em prol da limpeza da cidade e o cuidado com o Lago Serra da Mesa; insistentemente ia ao Ministério Público denunciando, trazendo a mídia e com isso aconteceram mudanças como a ligação da rede de esgoto, conscientização, etc. Estive na RIO+20, Cúpula dos Povos, levando a questão do Lago Serra da Mesa que foi transmitida em 8 plenárias e traduzida simultaneamente a vários países.

Com a turma do folclore resgatamos danças, cantos e rezas já desaparecidas e tudo isso foi publicado em um site que na época ganhou o prêmio do site mais lido do mundo, o Overmundo, pelo qual fui contratada para divulgar a cultura do interior e onde ainda escrevo: www.overmundo.com.br
Em Novembro de 2003 professores e pesquisadores do ITS  da Pontifícia Universidade Católica de Goiás vieram a Uruaçu fazer o lançamento de uma revista de causos que escrevi sobre pessoas e momentos vividos na cidade. Foi um grande evento, nesse dia conhecemos a ex-prefeita Marisa e junto com professor Altair Sales Barbosa nasceu a ideia da construção do Memorial Serra da Mesa. Fui designada a fazer a coleta de material e das histórias locais e assim começou uma caminhada que culminou com a inauguração do Memorial em setembro de 2008. Terminada a gestão de Marisa, o Memorial ficou fechado porque sendo uma fundação sem recursos próprios, dependia de trabalho voluntário, então, junto com o professor Rodrigo Gabriel da Fasem (Faculdade Serra da Mesa), reabrimos esse espaço que já é reconhecidamente o ponto turístico mais visitado da região norte de Goiás. Pena que o Memorial é mais conhecido por turistas e alunos de longe que pelo povo da cidade de Uruaçu que em sua maioria não conhece esse trabalho que recebeu do presidente Lula o certificado de melhor prática em gestão em Goiás, além do Destaque Cultural do ano 2010 do governo Estadual, do IPHAN, o prêmio Rodrigo de Melo Franco, troféu da Assembleia Legislativa de Goiás com reconhecimento da educação ambiental e outros. Dentro do Memorial com os milhares de alunos que recebemos pude passar a mensagem sobre o meio ambiente, a história e a cultura, com isso houve mudanças significativas na vida de pais, professores, turistas e universitários que deixaram depoimentos que hoje fazem parte da história do Memorial.

Questionei com a ex-prefeita Marisa a necessidade de revitalização do Museu Dom Prada, o que foi feito aumentando o número do acervo em 340 peças catalogadas e a história numa linha do tempo desde o carro de boi, o modo de trabalho do homem até os dias atuais; este foi um trabalho que fiz com muito amor. Sempre trabalho no intuito de formar jovens para uma política limpa, construindo uma escola que seja local de prazer para o aluno e assim não ter as ruas cheias de engraxates, viciados e pedintes; que a cidade seja limpa e os córregos não desaguem sujeiras.  Projetos que envolvam as universidades, escolas públicas municipais e estaduais, igrejas, ong’s e assim fazer um trabalho para que Uruaçu se destaque como cidade turística de verdade e uma população com nível intelectual diferenciado pois não adianta desenvolvimento econômico, sem avanços na cultura e na educação do povo.

A MAGIA DE ESCREVER 

 Embora seja apaixonada por poesia – a cada instante me nasce uma e assim sinto a vida crescendo, ficando longa, às vezes eterna … Ler e escrever para mim é como respirar, viver, não poderia ficar sem. Os livros me vieram numa época distante, quando ainda eram proibidos (pela mãe), tive o privilégio de ser curiosa quanto à eles, driblando todos e lendo tudo que as mãos e os olhos alcançam. Acredito que a vontade de ler era tanta, que misteriosamente eles me chegavam, como que atraídos.

Sempre quis incutir nas pessoas à minha volta o hábito da leitura. Diante disso fui registrando fatos corriqueiros, datilografando e passando para os vizinhos, os parentes, e assim, achavam mais fácil que os poemas e liam com avidez, até mesmo quem radicalmente era contra, queria soletrar os causos que eram próximos de sua realidade, em uma linguagem acessível e inconscientemente adquiriam o hábito da leitura, nem que seja dos causos familiares a eles. Cobravam por mais e eu escrevia o esboço da vida de cada um, nascendo leitores e escritores que me mapeavam textos. Foram muitos textos e o contato com essas pessoas me fizeram crescer e viver mais.

Tenho o curso primário (3a série) incompleto; o que me vale é a curiosidade quanto aos livros, ao saber, à vida. Não contrariando muitos estudiosos sobre a escrita como Emilia Ferreiro sobre a aprendizagem da criança, certamente que a leitura abre horizontes e todos indiscutivelmente podem ser escritores. Eu considero a escrita uma magia, pelo menos para mim o foi assim. As palavras me entraram e ficaram como por milagre, assim como a poesia hoje nasce rápida, sem métodos e técnicas; também a escrita veio sorrateiramente como um veio d’água inundando a vida. É uma paixão pela palavra, pelo poema, levando os sonhos ao papel, e aí insisto, é mágico.

E-mail: sinvaline@gmail.com