Vereda Viva e Liberdade

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Classificação etária: Livre

Ano: 2020

Realização: Articulação Rosalino Gomes de Povos e Comunidades Tradicionais

Direção | Filmagem | Edição : Luciano Dayrell

Assistência de Câmera: Erick Alves de Almeida

Consultoria de Edição: Indi Gouveia, Valdir Dias, Breno Trindade, Samuel Caetano, Carlos Dayrell

Categoria: Documentário

   Com as chuvas recentes um pouco de água voltou a correr no córrego Brejinho, no distrito de São Joaquim no município de Januária, coisa que há muitos anos não se via. Jaime dos Santos, veredeiro da comunidade do Capoeirão, conta que a fartura de água é algo que seus filhos e outros jovens da região não vivenciaram, está somente na memória dos mais velhos. A água de agora não faz juz ao que já foi, mas traz a tona a memória do córrego e sua importância para a produção de vida nas veredas garantindo horta e pesca.

   As Comunidades Veredeiras do Norte de Minas habitam o cerrado e suas veredas e tem como principais atividades o cultivo de alimentos, a solta do gado e a extração dos frutos do Cerrado.     A relação de interdependência com as veredas é fator principal de sua identidade. Sendo que cada comunidade é reconhecida e nomeada pelo rio ou vereda que pertence.

   A partir de 1970, com os projetos de desenvolvimento impulsionados pelo Estado brasileiro na ditadura militar, os veredeiros passaram a viver o drama da expropriação das terras e a degradação ambiental, vendo grande parte dos seus rios e veredas secarem devido à implantação de monoculturas, ao desmatamento desenfreado, à produção de carvão, às queimadas intensivas, e ao assoreamento e aterramento das veredas.

   Em agosto de 2019, as comunidades veredeiras criaram a Associação Central das Comunidades Veredeiras (ACEVER), para fazer valer seus direitos enquanto Povos Tradicionais, mas já vinham se organizando há muito tempo ao sentirem a ameaça cada vez mais latente ao seu modo de vida. Em 2014 realizam a retomada da Fazenda Alegre, área reivindicada e que até o momento está em trâmite junto ao Ministério Público Estadual (MPE-MG).

   Desde então as Comunidades Tradicionais Veredeiras do Norte de Minas vêm se organizando politicamente, buscando os seus direitos visando o reconhecimento do território e a proteção e recuperação das veredas e das águas. Neste período, acumularam experiências significativas e conquistaram espaços importantes de visibilidade e articulação política, como, por exemplo, a cadeira no Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e na Comissão Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais. E também já realizaram dois grandes encontros de Comunidades Tradicionais Veredeiras do Norte de Minas.

   A lutas dos veredeiros chama atenção para o papel dos povos e comunidades tradicionais no uso racional e na conservação dos recursos naturais. Considerando que as comunidades veredeiras desenvolveram ao longo da história formas próprias de uso e manejo dos ambientes de matas, gerais, chapadas e brejos e que foram fundamentais para a conservação das veredas e de suas águas. O reconhecimento desses saberes é a alternativa que pode fazer frente à degradação que sofrem as veredas pelos usos não sustentáveis advindos da lógica capitalista.

   Um passo importante nessa direção é garantir a regularização dos territórios tradicionais onde vivem e das quais dependem as comunidades veredeiras. Por isso reivindicam ao governo e às grandes empresas a devolução das terras que foram griladas (usurpação da terra pública ou de terceiros, através da falsificação de documentos), a elaboração de planos de manejo e de conservação das áreas degradadas, além de realização de ações de restauração e recuperação das veredas e chapadas. E são contra a implantação de novos projetos e empreendimentos que impactem o ambiente, especialmente, aqueles ligados à monocultura, à construção de grandes barragens ou à exploração mineral, nos territórios tradicionais sem prévia consulta ao povo veredeiro.

   Os veredeiros e veredeiras do Norte de Minas fazem um apelo pela necessidade de unir os povos e unificar suas lutas pelos territórios, para garantir seus modos de vida tradicionais e, principalmente, o direito de sua juventude ao futuro.

   Com as chuvas recentes um pouco de água voltou a correr no córrego Brejinho, no distrito de São Joaquim no município de Januária, coisa que há muitos anos não se via. Jaime dos Santos, veredeiro da comunidade do Capoeirão, conta que a fartura de água é algo que seus filhos e outros jovens da região não vivenciaram, está somente na memória dos mais velhos. A água de agora não faz juz ao que já foi, mas traz a tona a memória do córrego e sua importância para a produção de vida nas veredas garantindo horta e pesca.

   As Comunidades Veredeiras do Norte de Minas habitam o cerrado e suas veredas e tem como principais atividades o cultivo de alimentos, a solta do gado e a extração dos frutos do Cerrado. A relação de interdependência com as veredas é fator principal de sua identidade. Sendo que cada comunidade é reconhecida e nomeada pelo rio ou vereda que pertence.

   A partir de 1970, com os projetos de desenvolvimento impulsionados pelo Estado brasileiro na ditadura militar, os veredeiros passaram a viver o drama da expropriação das terras e a degradação ambiental, vendo grande parte dos seus rios e veredas secarem devido à implantação de monoculturas, ao desmatamento desenfreado, à produção de carvão, às queimadas intensivas, e ao assoreamento e aterramento das veredas.

   Em agosto de 2019, as comunidades veredeiras criaram a Associação Central das Comunidades Veredeiras (ACEVER), para fazer valer seus direitos enquanto Povos Tradicionais, mas já vinham se organizando há muito tempo ao sentirem a ameaça cada vez mais latente ao seu modo de vida. Em 2014 realizam a retomada da Fazenda Alegre, área reivindicada e que até o momento está em trâmite junto ao Ministério Público Estadual (MPE-MG).

   Desde então as Comunidades Tradicionais Veredeiras do Norte de Minas vêm se organizando politicamente, buscando os seus direitos visando o reconhecimento do território e a proteção e recuperação das veredas e das águas. Neste período, acumularam experiências significativas e conquistaram espaços importantes de visibilidade e articulação política, como, por exemplo, a cadeira no Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e na Comissão Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais. E também já realizaram dois grandes encontros de Comunidades Tradicionais Veredeiras do Norte de Minas.

   A lutas dos veredeiros chama atenção para o papel dos povos e comunidades tradicionais no uso racional e na conservação dos recursos naturais. Considerando que as comunidades veredeiras desenvolveram ao longo da história formas próprias de uso e manejo dos ambientes de matas, gerais, chapadas e brejos e que foram fundamentais para a conservação das veredas e de suas águas. O reconhecimento desses saberes é a alternativa que pode fazer frente à degradação que sofrem as veredas pelos usos não sustentáveis advindos da lógica capitalista.

   Um passo importante nessa direção é garantir a regularização dos territórios tradicionais onde vivem e das quais dependem as comunidades veredeiras. Por isso reivindicam ao governo e às grandes empresas a devolução das terras que foram griladas (usurpação da terra pública ou de terceiros, através da falsificação de documentos), a elaboração de planos de manejo e de conservação das áreas degradadas, além de realização de ações de restauração e recuperação das veredas e chapadas. E são contra a implantação de novos projetos e empreendimentos que impactem o ambiente, especialmente, aqueles ligados à monocultura, à construção de grandes barragens ou à exploração mineral, nos territórios tradicionais sem prévia consulta ao povo veredeiro.

   Os veredeiros e veredeiras do Norte de Minas fazem um apelo pela necessidade de unir os povos e unificar suas lutas pelos territórios, para garantir seus modos de vida tradicionais e, principalmente, o direito de sua juventude ao futuro.


Fonte: https://www.caa.org.br/biblioteca/noticia/a-luta-dos-veredeiros-para-manter-as-veredas-vivas

“Vereda Viva é Liberdade” é um documentário de reação das comunidades veredeiras do Norte de Minas às ameaças ao seu modo de vida. Os veredeiros dependem das veredas vivas, cuja existência está sob ameaça acumulando impactos socioambientais ao longo de décadas, promovidos pela lógica capitalista. O secamento de suas águas e o não reconhecimento de seus direitos territoriais ameaçam uma cultura que é a alternativa para a convivência com o semi árido norte mineiro, e para a proteção das águas e da diversidade ambiental.