Capim Dourado

O Capim Dourado é uma sempre-viva da família botânica das Eriocauláceas, que agrega diversas espécies usadas para ornamentação de interiores. O Capim Dourado (nome científico é Syngonanthus Nitens) ocorre em campos úmidos próximos a veredas em divesas regiões do Cerrado (por exemplo, nos estados de MT, MG, GO, TO e BA). Na região do Jalapão-TO, é usado para a confecção de artesanato há mais de 70 anos, na comunidade negra da Mumbuca, município de Mateiros.

Apesar de seu nome remeter a uma Gramínea, o Capim dourado é uma planta bem diferente dos capins propriamente ditos. A planta adulta constitui-se de uma roseira de folhas que fica próxima à superfície do solo e tem cerca de quatro centímetros de diâmetro. As hastes usadas para o artesanato são produzidas uma vês por ano e, em sua extremidade estão as inflorescências onde após a polinização pelo vento formam-se as sementes. Nem todos os indivíduos adultos florescem todos os anos, os que florescem produzem de uma a 20 hastes e cada inflorescência produz em média de 30 a 50 sementes. As sementes de Capim Dourado são extremamente diminutas (menores que um milímetro) e têm alto potencial de germinação (85 a 100% das sementes germinam em condições de laboratório)

Até o momento, tanto o conhecimento tradicional quanto os resultados preliminares das pesquisas indicam que a época e a forma de colheita têm grande influência sobre a planta e sobre a atividade artesanal. Entre os meses de setembro e novembro, as hastes encontram-se secas e douradas. A colheita nesta época evita o desenraizamento das rosetas quando as hastes são puxadas, e garante brilho ao artesanato confeccionado. É a partir de setembro que ocorre a maturação das sementes de Capim Dourado. Assim, a colheita de hastes após este período também permite a produção de sementes viáveis que poderão germinar, dando origem a novos indivíduos e contribuindo para a manutenção das populações da planta.

O artesanato de capim-dourado é reconhecido como bem de valor cultural e Patrimônio Histórico do Tocantins pela Lei nº 2.106/2009; produzido em pelo menos 16 municípios e gera renda média de até dois salários mínimos por mês por

artesão. O artesanato de capim-dourado confeccionado na região do Jalapão passou a ser divulgado em todo o estado, em grandes cidades brasileiras e também no exterior partir de meados da década de 1990. O brilho e a originalidade das peças artesanais chamaram a atenção, fazendo sucesso imediatamente e a comparação com ouro não fica apenas no nome, ou na cor, da planta. A comparação também vem sendo feita porque o artesanato tornou-se importante fonte de renda na região, garantindo melhoria na qualidade de vida a muitas famílias.

O extrativismo de capim-dourado no Tocantins constitui em alternativa de conservação do Cerrado, aliada à geração de emprego e renda para comunidades rurais e locais. No entanto, para que essas vantagens persistam de forma sustentada é necessário que o extrativismo seja feito ordenadamente, respeitando os limites da planta, bem como do frágil ambiente em que ela ocorre. Assim, é importante que os volumes de hastes extraídas e de artesanato comercializado sejam estabelecidos considerando-se técnicas de manejo racionais para a espécie e não apenas regras de mercado.

 

“Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável” é uma série de publicações voltadas aos produtores agroextrativistas, organizações de base comunitária e instituições de pesquisa sobre boas práticas para o extrativismo, beneficiamento de frutos, gestão de pequenos projetos e ainda sobre normas para a regularização de agroindústrias comunitárias.

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Capim Dourado e Buriti – Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável

 

A planta do Capim Dourado é encontrada somente nas veredas, que são campos úmidos que ficam encharcados no período das chuvas e com menos água no período de estiagem, muito característicos por terem também o buriti, fruta nativa do cerrado.

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