Caso 1: Comunidade de Capão Selado, Buritizeiro-MG

“A modernização da região dos cerrados mineiro foi estimulada a partir da década de 1970 face ao apoio do estado que visava a ocupação econômica e sua integração à economia nacional. O estado atuou juntamente com o capital a fim de propiciar as condições necessárias para a expansão de alguns tipos de culturas comerciais tais como soja, café e algodão, enquanto as culturas de subsistência como mandioca, milho e feijão ficaram marginalizadas, assim as culturas agrícolas que tiveram maior desenvolvimento foram aquelas que adotaram o pacote de insumos industriais e sementes melhoradas embasados na concepção tecnológica da Revolução Verde (SILVA,2009).

O “sucesso” deste processo modernizador deu-se pela adaptação dos avanços tecnológicos estrangeiros à realidade brasileira, inclusive com a criação de agências e órgãos governamentais destinados à pesquisa e modernização da agricultura, como, por exemplo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-EMBRAPA; em Minas Gerais; a empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas -EPAMIG e a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural-EMATER.

Antes dos processos de “modernização”, as terras eram livres como exemplifica Porto-Gonçalves (2011) “gerais” ou “geral”, isto é, terra comuns no qual as chapadas, fundos, veredas, de vales eram apropriados coletivamente. Os gerais é onde coletava elementos da flora local, espaço no qual o gado pastava à solta.

Devido a esta dinâmica territorial a vida camponesa se baseava na criação de gado e extrativismo nas áreas chapadas e na agricultura de excedente nas áreas úmidas, principalmente, na beira de rios e córregos. Os projetos agropecuários, sobretudo, os de reflorestamento rompe esta estrutura territorial e, evidentemente, muda também a função social da terra, que ganhou contornos comerciais do capital devido a apropriação privada por grandes grupos capitalistas que se instalaram na região desde da década de 1970, mudando a paisagem local e separando o homem de seu território.

Neste contexto, os pequenos proprietários tiveram que se deslocar para outras regiões, muitos deles venderam suas terras ou foram expropriados, dando lugar a expansão da agricultura comercial. Desta forma, os impactos sobre as comunidades tradicionais como, por exemplo, a comunidade de Capão Selado, que viviam da agricultura de subsistência e da coleta de frutos do cerrado foi intenso. Muitos dos seus moradores abriram mão dos seus meios de produção, de onde tiravam as fontes essenciais para a sua sobrevivência, por não terem capital para investir na mecanização, tornando assim vítimas das empresas agro-industriais que se instalaram na região.

Grande parte das famílias tiveram que migrar para cidades próximas como Pirapora e Buritizeiro que encontravam-se desprovidas de infraestrutura básica para acomodar tal contingente populacional. Muitos camponeses resistiram na comunidade e intensificaram o laço de afeto com a terra, transformando-a em seu lugar de vivência, no entanto outros foram expropriados pelos grandes empresários”.

 

Fonte: DE SOUZA, S. G.; SOUZA, A. F. G. DE. A Comunidade de Capão Selado, Buritizeiro-MG : Suas Transformações no Tempo e no Espaço. Revista Tocantinense de Geografia, v. 7, n. 13, p. 03-05, 22 nov. 2018.

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