Matriz Energética

As fontes energéticas são: hídrica, eólica, solar, fontes termelétricas fósseis e renováveis; biocombustíveis, petróleo e gás natural e o Brasil é o terceiro maior gerador de energia renovável do mundo, segundo um estudo realizado pela IEA (Agência Internacional de Energia) e desponta como a nação com o maior potencial de produção bioenergética.   

Falar de matriz energética é falar de agrohidronegócio, ou seja, a expansão das monoculturas para a produção de energia (cana-de-açúcar, soja, palma etc) combinadas com o represamento dos rios (empreendimentos barrageiros) para garantir energia limpa, abastecimento de água aos grandes complexos agroindustriais e as cadeias produtivas que alimentam a expansão e reprodução do capital. 

A matriz elétrica brasileira é ainda mais renovável do que a energética, isso porque grande parte da energia elétrica gerada no Brasil vem de usinas hidrelétricas. A energia eólica também vem crescendo bastante, contribuindo para que a matriz elétrica continue sendo, em sua maior parte, renovável.

Matriz Elétrica Brasileira 2017 (BEN, 2018)

Hoje a energia solar representa 1,2% da matriz energética do país. O valor ainda está bem longe das hidrelétricas, responsáveis por 61% da geração de energia no Brasil, e das eólicas, que respondem por 8,7%. Mesmo assim a GD solar é atualmente o modo de produção de energia limpa brasileira que mais cresce – movimenta em torno de R$6,5 bilhões em investimentos.  

A matriz energética de base hidrelétrica, ainda que oriunda de uma fonte renovável, deve ser repensada, uma vez que, constantemente, ignora a população que acaba sendo afetada, pouco importa a sua retirada do “lugar” em que habita, espaço socialmente construído, com múltiplas referências e significados, onde ela produz e reproduz o seu modo de vida, o que não deve ser aceitável, por mais que, no processo de deslocamento compulsório, sejam cumpridos os rituais que são esperados, como o pagamento de indenizações, entre outros. O pensamento que vem é de desenraizamento, de perda da identidade individual e coletiva dos atingidos. E as memórias da população, suas construções, sua capacidade de trabalho, via de regra, vinculadas à pluriatividade, suas condições, enfim, sua vida, como ficam?  

O contexto que envolve a política energética do Brasil apresenta um quadro grave de violações dos direitos humanos e da biodiversidade. A baixa participação social nas fases de planejamento e implementação dos empreendimentos hidrelétricos, por exemplo, agravam o caos socioambiental nos territórios impactados pelas barragens. É um cenário carente de mecanismos adequados para mitigação e compensação de impactos. 

 

Nota da ABA e sua Comissão de Assuntos Indígenas sobre a construção de três centrais hidrelétricas no Rio das Mortes/MT

Em plena vigência da pandemia da COVID-19, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), junto a sua Comissão de Assuntos Indígenas, vem a público manifestar profunda preocupação com a pressão que os povos Xavante e Bororo estão sofrendo por parte de forças econômicas e políticas estaduais mato-grossenses para que aceitem a construção de três centrais hidrelétricas nas cabeceiras do Rio das Mortes, rio que banha quatro terras indígenas Xavante e duas Bororo. Lideranças xavante alegam que a empresa responsável pela construção e pelas consultas aos povos indígenas afetados, a Bom Futuro Energia, tem convidado apenas lideranças da Terra Indígena Sangradouro para discutir os impactos desde o final do ano passado, ignorando que os mesmos serão muito mais amplos afetando as demais terras por eles indicadas.  Segue o link com matéria detalhada sobre o tema, bem como com a moção de repúdio de lideranças xavante sobre a condução do processo de licenciamento ambiental.

 

<http://amazonia.org.br/2020/03/associacoes-xavante-questionam-conducao-ilegitima-de-consulta- sobre-hidreletricas-que-afetam-seus-territorios/>.

Brasília, 27 de abril de 2020.

Associação Brasileira de Antropologia – ABA e sua Comissão de Assuntos Indígenas – CAI