Ecossistemas Naturais



“Aprender a ver a beleza das paisagens do cerrado, valorizar a sua cultura, os seus ecossistemas, defender a sua memória e resgatar a sua geografia imaginativa se tornam elementos para a sua defesa. Ao contrário, o processo de padronização de usos das terras cerradeiras, a disseminação da cultura midiática, a valorização apenas da estética performática, a constituição do Cerrado enquanto território econômico da Globalização se instalam como elementos que provocam o homicídio do patrimônio cerradeiro.

Isso posto, o cerrado é visto hoje como um patrimônio integrado de vida em que participam as classes de vegetação, as bacias hidrográficas, o relevo, o solo, o seu espaço, a sua cultura, os seus símbolos, a sua gente, a sua arte, os diferentes modos de vida que aqui se constituiu. Por isso, o cerrado é um arquivo vivo e dinâmico de cores, sabores, sons, espessuras, cantos e relevos. Esses elementos o transformam num ambiente que se apresenta diversificado. E hoje se apresenta solapado. Desse modo, o cerrado precisa de uma defesa nacional porque é um patrimônio da nação. E necessita também da ação empenhada dos educadores, pesquisadores, das instituições políticas e sociais”.


Fonte: CHAVEIRO, Eguimar Felício; CASTILHO, Denis. Cerrado: patrimônio genético, cultural e simbólico. In: Revista Mirante, vol. 2, n.1. Pires do Rio – GO: UEG, 2007.  

O que é o tráfico de animais?

 

 

 

 

 

Os impactos do tráfico de fauna silvestre são inúmeros, sendo que o mais óbvio é o sofrimento indescritível ao qual os animais são submetidos. Há também o risco de contaminação de pessoas e outros animais por diversas doenças que os silvestres carregam, e a grande ameaça representada pelas espécies invasoras que, uma vez livres no ambiente por solturas indevidas ou escapes, pode se multiplicar e passar a predar e/ou a concorrer por recursos com as espécies naturais do local.

 

  

 

O tráfico de animais no Cerrado:

 

O governo brasileiro, por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), organiza ações de conservação às espécies ameaçadas, estabelecendo, em conjunto com representantes da sociedade civil, metas e ações no âmbito da conservação, que são reunidos em documentos denominados de Plano de Ação Nacional – PAN (Brasil 2012). Nos PAN das Aves Ameaçadas do Cerrado e do Pantanal e no PAN das Aves Ameaçadas da Mata Atlântica o tráfico de animais foi identificado como ameaça e são propostas ações para minimizá-lo. Uma delas refere-se ao levantamento da pressão do tráfico às espécies ameaçadas de Passeriformes e de Psitacídeos dos dois Biomas (Brasil 2014).

 

Fonte: Brasil 2014. Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICMBio. Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves do Cerrado e Pantanal. Avaliable from:<http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/29-fauna-brasileira/plano-de-acao-nacional-lista/3618-plano-de-acao-nacional-para-aconservacao-das-aves-do-cerrado-e-pantanal>.  Acessado em: 14 de jun. de 2020.

 

Para conhecer mais sobre o tráfico de animais silvestres no Bioma Cerrado:

O objetivo deste trabalho foi identificar e comparar os aspectos sociais e econômicos dos municípios no Bioma Cerrado, que possuem ocorrência de tráfico de animais silvestres. Foram feitas buscas na web para a obtenção de dados do PIB, densidade demográfica, IDHM, incidência de pobreza e vegetação remanescente nos municípios onde há ocorrência do comércio ilegal. No total, 94 municípios no Cerrado possuem algum tipo de atividade relacionada ao tráfico. Os valores socioeconômicos dos municípios que praticam a venda de animais silvestres são maiores do que os dos municípios que praticam a coleta destes. A maior proporção de vegetação remanescente explica menores IDHM e a maior incidência de pobreza é observada também em regiões mais conservadas de Cerrado. Portanto, as regiões com menor poder aquisitivo, são as que, potencialmente, contribuem com o fornecimento de vida selvagem, e as mais desenvolvidas praticam as vendas. Conclui-se que é necessário que campanhas educativas façam parte do aprendizado de comunidades locais a fim de evitar essa prática ilegal. Além disso, medidas fiscalizadoras mais rigorosas devem ser seguidas.  

 

Fonte: Santos, L., & Araujo, D. (2015). Aspectos socioeconômicos dos municípios Brasileiros com ocorrência de tráfico de animais silvestres no Bioma Cerrado. Élisée – Revista De Geografia Da UEG4(2), 211-221. Disponível em: <https://www.revista.ueg.br/index.php/elisee/article/view/4254>. Acessado em: 14 de jun. de 2020.

 

 O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, ocupa posição central em relação a outros biomas da América do Sul e é considerado um hotspot de biodiversidade. Entretanto, a fragmentação de habitat causada pela ação humana ao longo das últimas décadas tem alterado a paisagem, resultando ameaças à sobrevivência da fauna silvestre, se tornando um dos grandes desafios para a biologia da conservação. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo apresentar dados referentes ao número de animais recebidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres – CETAS de Goiânia no ano de 2011, dando ênfase ao estudo da quantidade de animais silvestres atingidos, destacando mamíferos, aves e répteis, e o índice de mortalidade após serem recebidos pela unidade. Foram registrados nos Termos de Entrada 3.500 espécimes, sendo 1.619 apreensões, 1.259 resgates e 622 entregas espontâneas. De acordo com os resultados obtidos, a maior ameaça à sobrevivência da fauna é o tráfico de animais silvestres, em especial ao grupo aves.

 

Fonte: Avelar, Erica et.al.  Ameaças à Sobrevivência de Animais Silvestres no Estado de Goiás.  UNICIÊNCIAS, v. 19, n. 2, p. 132-140, Dez. 2015.

 

Animal silvestre não é pet!

 

É necessário que haja a realização de campanhas de sensibilização, principalmente nas regiões mais pobres onde ocorre apanha de fauna, a fim de promover o conhecimento sobre o prejuízo ecológico causado a partir da retirada de espécimes da fauna silvestre de seu habitat natural.

 

“A atividade pesqueira se destaca como uma antiga prática humana. O conhecimento adquirido pelos pescadores sobre o assunto, durante vários séculos, vem sendo acumulado (DIEGUES, 2004).

O rio São Francisco, popularmente chamado de Velho Chico, é considerado um dos mais importantes rios brasileiros desde o seu descobrimento. Considerado o rio da “integração nacional”, com extensão de 2.697 km que corta os estados de Minas Gerais – a partir da sua nascente na Serra da Canastra no meio do Cerrado -, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.  
Devido a sua extensão, o Rio São Francisco é subdividido fisiograficamente em 04 regiões: Alto São Francisco, que inclui das nascentes até a cidade de Pirapora em Minas Gerais, correspondendo a 17,5% da bacia; Médio São Francisco que segue de Pirapora a Remanso no Estado da Bahia, do qual concentra a maior extensão da bacia com 53%; Submédio São Francisco, que se estende de Remanso até Paulo Afonso no Estado da Bahia, banhando também Pernambuco, representando 24% de sua área total, e o Baixo São Francisco, sendo sua menor
extensão, dos quais inclui Alagoas e Sergipe correspondendo a 5,1% do rio (CBHSF, 2015).

A bacia do Rio São Francisco possui 36 afluentes de porte significativo, dos quais 19 são perenes.  Seus principais afluentes são: Rio Paraopeba; Rio Abaeté; Rio das Velhas; Rio Jequitaí; Rio Paracatu; Rio Urucuia; Rio Verde Grande; Rio Carinhanha; Rio Corrente; Rio Grande.   

De acordo com Peixoto (2011), o sertão norte-mineiro que está inserido no bioma cerrado, com suas peculiaridades climáticas, vegetais e geográficas se destaca no território brasileiro, visto que é atravessado pelo Rio São Francisco, o qual representa séculos de importância, indispensável para a formação demográfica de Minas, considerado canal de integração entre o litoral e o interior brasileiro.
Para Camelo Filho (2005), a fonte de vida e de riqueza das águas do Rio São Francisco possibilitam o múltiplo uso do seu potencial hídrico, para abastecimento humano, agricultura irrigada, geração de energia, navegação, piscicultura, lazer e turismo. Há alguns anos, vários problemas de natureza social e econômica vêm afetando o percurso natural do rio. O garimpo, o uso excessivo da água para irrigação, a poluição por defensivos agrícolas, a destruição da mata ciliar na cabeceira e a erosão das suas margens e a pesca predatória são alguns  problemas que provocam forte impacto ambiental que afetam diretamente a vida da população ribeirinha.
É preciso, no entanto, atentar para a degradação e os impactos ambientais que o São Francisco vem sofrendo. 

No seu trecho navegável, a gaiolas e barcos a vapor dizimam a mata ciliar, ocasionando alargamento de seu leito e consequente abaixamento de suas águas. Atualmente, o homem moderno vem construindo grandes barragens, cujos extensos lagos não são adequadamente monitorados; a agricultura ribeirinha rouba suas águas que, quando voltam ao seu leito, vêm impregnadas de agrotóxicos que poluem seu curso, matando a biodiversidade nele existente. A pesca predatória, utilizando redes e armadilhas, dizimou seus cardumes. Estudos de recarga aquífera são inexistentes. A região é pobre, sem força política.

Com a valorização do pescado, com o aumento populacional e, consequentemente, com o aumento de pescadores às margens do Rio São
Francisco, a prática pesqueira em larga escala (sobrepesca), e em alguns casos com pesca predatória, foi se tornando um elemento de minimização dos recursos que o rio possuía. Atualmente, uma noção que tem se tornado consensual é a de o Rio São Francisco está cada vez mais decadente no que diz respeito à quantidade de peixes. 

Muitos aspectos estão relacionados a tais transformações no ambiente da pesca e na vida desses trabalhadores nos últimos anos. Períodos de seca, apropriação por parte do Estado dos recursos econômicos ao rio associados, barragens e hidrelétricas ditando o ritmo das águas do rio, pesca predatória, etc., utilização de agrotóxicos em projetos de irrigação em suas margens, esses são alguns dos obstáculos vivenciados por esta categoria. 

De acordo com Gonçalves (2009), ao longo do rio existem 103 municípios ribeirinhos distribuídos pelos cinco estados banhados pelo rio e dependentes dele. O estado de Minas Gerais abriga o maior número de municípios ribeirinhos. A pobreza das comunidades ribeirinhas, observável por quem viaja pelo rio, e é confirmada pelos dados estatísticos governamentais. A média do índice de desenvolvimento humano (IDH)4 dos municípios ribeirinhos situa-se significativamente abaixo da média nacional. Segundo o IBGE (2006), dentre os municípios ribeirinhos, os 15 que apresentam melhor índice de desenvolvimento humano são os mineiros. 

Com o passar dos anos, diversas atividades humanas foram sendo instaladas nas margens e dentro do rio e seus tributários, provocando impactos ambientais importantes, como contaminação da água por defensivos agrícolas e fertilizantes químicos utilizados na agricultura, além dos desmatamentos das margens para produção de carvão vegetal utilizado pela indústria siderúrgica. Tais ações implicam na reprodução e consequentemente na população de peixes, afetando diretamente os pescadores e as mulheres pescadoras artesanais que vivem nesse meio. Determinadas ações antrópicas realizadas, em grande parte, nas margens do rio, têm gerado danos irreparáveis a populações de pescadores e pescadoras que utilizam esse ambiente diariamente em seus trabalhos.

Cabe ressaltar que as mudanças irreversíveis no ambiente natural do rio, podem representar o início da destruição das condições necessárias de sobrevivência da população ribeirinha. 

Este estudo se mostrou bastante complexo ao tentar entender as novas alternativas de trabalho e meios de vida pela diversidade de influências sobre os pescadores artesanais. As expressões e manifestações que indicavam um presente de dificuldades convergiam sempre para problemas como a seca prolongada, a poluição, o desmatamento, o assoreamento do rio, o número excessivo de pescadores no município, a pesca predatória, a falta do pescado e a falta de assistência do Estado. São pressões que fazem parte do cotidiano dos pescadores e que provocam, em certos momentos, um sentimento de descrença em dias melhores. Corroborando com a percepção ribeirinha, trabalhos científicos, organizações não-governamentais e a mídia em geral apresentam a mesma constatação do presente e indicação de futuro”.

 

Fonte: Dick, Jelson Luiz. A pesca artesanal no Alto-Médio Rio São Francisco: modos de vida e trabalho dos pescadores. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social/PPGDS, 2018, p. 15-22-23-25-27-28-29-68-92-100-115-116.

“As espécies invasoras mais importantes do Cerrado são as gramíneas africanas que crescem mais rapidamente e atingem alturas maiores que as gramíneas nativas (Pivello, 2005). A braquiária e outras espécies de pastagem se espalham onde há pouca ou nenhuma sombra de árvores e arbustos quando o gado dispersa suas sementes.

Atualmente, as plantações de eucalipto e pinus cobrem vastas áreas do Cerrado nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Maranhão, e há planos de expansão. No Jardim Botânico de Brasília (JBB), os pinheiros se espalham espontaneamente, assim como as samambaias exóticas (Pteridium aquilinum), que são especialmente agressivas (observações de campo).

Javalis europeus (Sus scrofa), originalmente trazidos à América do Sul para a caça, já se espalharam para a parte mais meridional do Cerrado, onde constituem uma ameaça à natureza e aos seres humanos. Outras espécies animais invasivas incluem espécies nativas de peixes provenientes de outras partes do país, mesmo o camarão, bem como espécies exóticas, especialmente tilápias, cultivadas para a venda em supermercados. Estes peixes exóticos competem com as espécies nativas, especialmente nos reservatórios utilizados para a piscicultura”.

 

Fonte: SAWYER, D. et al. Perfil Do Ecossistema: Hotspot De Biodiversidade Do Cerrado. Brasília: Supernova Design, 2018, p. 137.

EXTINÇÃO DE ESPÉCIES – FAUNA:

 

“No hotspot Cerrado ocorrem 251 espécies de mamíferos, das quais 21 são endêmicas e 33 ameaçadas de extinção (Mittermeier et al., 2005; Paglia et al., 2012; Brasil, 2014; Gutiérrez & Marinho-Filho, 2017). No entanto, pouco se conhece a respeito da diversidade, distribuição e ecologia desse grupo na maioria dos remanescentes desse bioma (Martinho-Filho et al., 2002; Cabral et al., 2017). Considerando que devido ao desmatamento, as queimadas, o avanço da monocultura e pecuária, a invasão de espécies exóticas e a destruição dos cursos d’água, a vegetação nativa do Cerrado está sendo reduzida a fragmentos diminutos e descontínuos (Machado et al., 2004; Pivello, 2005; Lima, 2011; Faleiro et al., 2013), a má documentação da mastofauna pode inviabilizar o desenvolvimento de estratégias de conservação das espécies e potencializar extinções (Santos, 2003; Chiarello et al., 2008; Gutiérrez & Marinho-Filho, 2017)”.

 

Fonte: RIOS, A. et al. Caracterização e Notas Etnozoológicas Sobre os Mamíferos de Médio e Grande Porte em uma Área de Proteção Ambiental do Cerrado Goiano. Instituto Federal Goiano, [S.I] 2019, p. 1.

 

“A extinção de espécies animais, como é caso do lobo-guará, é uma questão ambivalente. Por um lado o homem necessita progredir social e culturalmente, por outro, como promover esta evolução sem prejudicar as demais dimensões do nosso habitat? Nesse contexto, o bioma Cerrado (do espanhol “fechado”) é um dos principais ecossistemas que sofre com a devastação. Devido às profundas transformações que vêm ocorrendo no Cerrado, vários estudos têm sido desenvolvidos. Diversos aspectos já foram abordados: as características fitogeográficas e climáticas do Cerrado; o avanço da agroindústria e as ações pouco sensatas (queimadas e desmatamentos ilegais); as causas da degradação e o avanço da extinção de espécies em geral; as ações preventivas, entre outros. No geral, os governos pouco têm feito para trazer, à luz da sociedade, informações sobre esse bioma que é o segundo maior do Brasil.

 

Lobo-Guará:

 

Devido às constantes ameaças, o lobo-guará é considerado uma espécie vulnerável ao risco de extinção (IBAMA, 2003, In LION, 2007). Apesar das inúmeras propostas de tentativa de conservação do Cerrado – o habitat natural do lobo – somente 2,2% de sua área faz parte de algum tipo de unidade de proteção (KLINK & MACHADO, 2005, In LION, 2007: 2). Sabemos que a importância de se conservar a biodiversidade é algo intrínseco ao nosso modo de vida. Como coloca FRANKHAM (2002), In LION (2007: 3), os ecossistemas nos fornecem inúmeras fontes: água, plantas medicinais, vestimentas. O próprio oxigênio é, também, fornecido pelos ecossistemas. A regulação do clima, controle natural de pragas e a polinização da flora é algo de que a natureza depende por meio dos ecossistemas.

A perda de habitat do lobo-guará se caracteriza por vários fatores, tendo sua história iniciada com a inauguração da cidade de Brasília, em 1960, quando se deu a grande onda ocupacional no centro-oeste. Alguns destes fatores são: avanço da agroindústria e desmatamento; perda de variabilidade genética; caça ilegal; avanço das vias urbanas. Contudo, outros riscos também devem ser considerados. Um deles está relacionado às próprias ações de tentativa de evitar sua extinção, um paradoxo cruel. Pois, ao tentar confiná-los em reservas ou estações o animal acaba sendo forçado a mudar de hábitos e muitas vezes de alimentação. Isto muitas vezes pode levá-los ao estresse extremo, causando sua morte. Outro problema é o contato com animais domésticos, o que pode acarretar doenças. E, ainda, com o avanço das vias urbanas ocorrem os constantes atropelamentos, especialmente nas autoestradas. O avanço da agroindústria é o problema mais grave, pois acaba provocando transformações ambientais de grandes proporções, em que, às vezes, significa irreversão total do ambiente degradado”.

 

Fonte: FARIA, N. O Bioma Cerrado e a Extinção do Lobo-Guará, Luziânia/GO, 2012, p. 12-15-25.

 

Morcegos:

 

“O Cerrado possui cerca 105 espécies de morcegos, o que equivale a 59% da fauna total de quirópteros do Brasil (NOGUEIRA et al., 2014). Tal valor ainda pode ser maior, haja vista que o Cerrado é a segunda ecorregião brasileira menos estudada em relação a fauna de quirópteros, com apenas 6% do seu território minimamente amostrado (BERNARD; AGUIAR; MACHADO, 2011). Mesmo com tamanha diversidade, a famigerada depredação do Cerrado continua em passos largos e as formações florestais, que possuem alta importância para a manutenção de populações de morcegos, ao prover abrigos, locais de nidificação e comida, estão entre os ambientes que mais sofrem. Entre as espécies afetadas está Lonchophylla dekeyseri Taddei, Vizotto e Sazima, 1983 (Família Phyllostomidae) que é conhecida popularmente como morceguinho-do-cerrado e está ameaçada de extinção. Ela ocorre principalmente no Cerrado (apenas recentemente registrada na Caatinga, LEAL et al., 2014) distribuída em seis populações nos Estados de Goiás, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal (AGUIAR et al., 2006), totalizando aproximadamente 2500 indivíduos (AGUIAR; BERNARD, 2016).

Entre as ameaças para a extinção dessa espécie, estão o controle não instruído e seletivo da raiva (i.e., a espécie se torna vítima junto com Desmodus rotundus (E. Geoffroy, 1810, vetor da doença), a depressão por endogamia e a perda do habitat (AGUIAR; BRITO; MACHADO, 2010). Cidades, atividades agrícolas e empreendimentos (rodovias, hidrelétricas, mineradoras, entre outros) contribuem para a extinção dos morcegos ou o deslocamento deles para áreas antropizadas (PACHECO et al., 2010). Nestas áreas, a presença de locais de nidificação (i.e. cavernas) e alimentação (i.e. fragmentos florestais) pode contribuir para a manutenção dessas espécies (ZORTÉA; TOMAZ, 2006).

A região na qual se situa a cidade de Formosa, Goiás, abriga algumas propriedades particulares que apresentam áreas antropizadas associadas a áreas de cavernas que são habitat para diversa comunidade de morcegos (BREDT; UIEDA; MAGALHÃES, 1999), incluindo L. dekeyseri (ESBÉRARD; MOTTA; PERIGO, 2005). Contudo, o registro nessa região de espécies de morcegos em ambiente antropizado é ainda escasso e não há registro publicado da espécie L. dekeyseri na cidade de Formosa, apesar da importância desses dados para as discussões sobre a perda de habitat e adaptação a heterogeneidade ambiental”.

 

Fonte: REIS, I. Registro de morcego ameaçado de extinção em área de mineração no Cerrado. v.4, n.1, 2019, p. 187-188.

 

Tatu-Canastra:

 

A distribuição do tatu-canastra é ampla na América do Sul, ocorrendo da Venezuela (leste dos Andes) e Guianas até o Paraguai e Norte da Argentina (Anacleto et al., 2014, Superina et al., 2014). O tatu-canastra ocorre em diversos habitats: cerrados, campos secos e úmidos matas e florestas (Silveira et al., 2009). Apesar da ampla distribuição, suas populações apresentam baixa densidade onde ocorrem e se distribuem de forma desigual (Anacleto et al., 2014, Superina et al., 2014).

As principais ameaças ao P. maximus(Kerr, 1792) são a caça para consumo da carne, perda de habitats e o tráfico ilegal para colecionadores (Anacleto et al., 2014). Além dessas, deve-se considerar as mortes ou mutilações diversas provocadas por atropelamentos em rodovias.

 

Fonte: ROCHA, E. Atropelamentos de tatu-canastra Priodontes maximus (Kerr, 1792) em uma rodovia no Cerrado goiano e sua relação com a paisagem do entorno. v.1, n.12, 2018, p.1.

 

 

EXTINÇÃO DE ESPÉCIES- FLORA:

 

 “O estudo das espécies ameaçadas propõe estratégias de preservação, que contribuem diretamente no resgate de plantas em extinção, determinando áreas de conservação (KLINK, MACHADO, 2005). Este tipo de estudo fornece importantes listagens que auxiliam na busca de informações sobre o estado de conservação das espécies, e podem auxiliar na geração de novos dados. As listas vermelhas geram dados para conservação, portanto os dados coletados devem ser completos e passar o maior número de informações possíveis para análise correta e precisa da espécie (MARTINS, MARTINELLI, 2013).

O Livro Vermelho da Flora do Brasil, publicado em 2013, fornece dados atualizados da situação de 4.617 espécies reavaliadas em relação ao nível de extinção, incluindo Biomas da Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Caatinga e Pantanal. Quase metade das espécies reavaliadas estão incluídas em algum nível de ameaça (MARTINELLI, MORAES, 2013).

O Cerrado está entre os biomas mais ameaçados do Brasil, consequência do uso ilegal da flora na produção de carvão e lenha, além de queimadas e incêndios florestais que contribuem negativamente na preservação deste bioma (BRASIL, 2011). Os índices de desmatamento do Cerrado ultrapassam os dados da Floresta Amazônica (KLINK, MOREIRA, 2002).

No Brasil, o desmatamento ocorre de forma tão acelerada que o número de espécies ameaçadas supera o de novas espécies descobertas. Para o Cerrado, considerado um hotspot de biodiversidade mundial (MYERS et al., 2000), esta realidade não é diferente. Somente 2,2% da área total do Cerrado é legalmente protegida, mesmo sendo considerado o segundo maior bioma do Brasil. Apesar da importância em diversidade, este bioma está ameaçado pelo crescimento da atividade econômica na região (ALHO, MARTINS, 1995; RATTER et al., 1997; KLINK, MACHADO, 2005).

Sob este aspecto as áreas de conservação do Cerrado não suprem a necessidade de proteção da flora, situação que se agrava pelas ocorrências de várias espécies localmente endêmicas, outras regionalmente endêmicas que podem não estar acolhidas em unidades de conservação (KLINK, MACHADO, 2005; RATTER et al.,1997). Quase metade da sua área original de dois milhões de quilômetros quadrados já foi desmatada, e o que resta deste bioma possui uma pequena representatividade em áreas de conservação integral dentre os biomas brasileiros (GARCIA, et al.,2011). O Cerrado faz fronteiras com a Floresta Amazônica, Atlântica, Caatinga, e Pantanal, exceto os Pampas (BRASIL, 2011), esta distribuição geográfica contribui para alta diversidade beta do Cerrado (RATTER et al., 1997).

Neste contexto, algumas áreas de estudo biológicas contribuem com a coleta de dados para estudos sobre diversidade, outros contribuem com a compilação destes dados com o intuito oferecer um diagnóstico sobre o estado atual de ameaça das espécies brasileiras. O Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) é uma iniciativa que contou com a colaboração de trabalhos botânicos e ecológicos, além da participação de taxonomias especialistas em diferentes grupos botânicos para construir a lista de espécies ameaçadas do Brasil (MARTINS, MARTINELLI, 2013). Uma das metas estabelecidas deste grupo é avaliar o risco de ameaça de todas as espécies da flora conhecidas no Brasil, o que contribui para planos de conservação (MARTINS, MARTINELLI, 2013).

Quando uma espécie é ameaçada de extinção ela entra na Lista Vermelha através dos critérios e padrões definidos pela IUCN, União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Apenas 10% das espécies ameaçadas em nível global foram avaliadas de acordo com esses critérios. O Brasil possui aproximadamente 41 mil espécies de plantas. O Cerrado por sua vez apresenta mais de 10.000 espécies de plantas e cerca de 20% das espécies ameaçadas representadas não estão em áreas de conservação (MACHADO et al., 2004; MARTINELLI, MORAES, 2013).

São poucos os estudos a respeito de espécies ameaçadas para o Cerrado, muitas destas informações estão em publicações difusas o que dificulta uma avaliação mais ampla do estado atual das espécies ameaçadas para o bioma”.

 

Resultados da Pesquisa:

 

“De 615 espécies ameaçadas para Cerrado, que ocorrem também em outros biomas, obteve-se 296 com ocorrência exclusivamente no Cerrado. As 296 espécies ameaçadas exclusivas de Cerrado, ocorrem na maioria dos estados dos quais estão dentro do domínio fitogeográfico do bioma: BA, DF, GO, MG, MS, MT, PR, SP e TO, e 67,5% (200 espécies) deste total ocorrem em Minas Gerais, 69 espécies (23,3%) em Goiás. Não foi encontrada uma explicação quanto ao maior número de espécies ameaçadas no estado de Minas Gerais, contudo este dado pode ser resultante de maior número de estudos botânicos neste estado, ou resultado de maior conversão de áreas nativas, ou até mesmo resultante das características geográficas e ecológicas de Minas Gerais, bem como resultante de um maior número de espécies endêmicas na região”.

 

Fonte: SANTOS, A. Levantamento de espécies de plantas ameaçadas do Cerrado, Goiânia, 2014, p. 1-7.

Em breve.

“Uma das consequências da intensa remoção da vegetação nativa é a fragmentação dos habitats, onde os remanescentes da vegetação se encontram em manchas espalhadas na paisagem. A conservação desses habitats depende inteiramente da conservação e manejo desses fragmentos (Saunders, Hobbs e Margules, 1991). NYAMUGAMA et al.(2015) citando SOUTHWORTH et al.(2004) enfatiza que a análise da fragmentação é crucial para interpretação dos efeitos da mudança da cobertura e uso do solo no habitat. Mudanças na estrutura da paisagem são resultado de interações entre fatores físicos, biológicos, políticos e econômicos (Kamusoko e Aniya, 2007; Turner et al., 1989). Para interpretar o impacto dessas mudanças é feito o uso de métricas que descrevem a fragmentação e a distribuição espacial dessas manchas, calculando para cada classe de cobertura do solo uma variedade de métricas a partir de classificações de uso de solo obtidas por meio de dados de satélite (Southworth, Munroe e Nagendra, 2004).

O processo de expansão agropecuária no Bioma Cerrado das últimas décadas tem resultado em uma crescente fragmentação das florestas nativas (Martins et al., 2002). A fragmentação do habitat pode gerar redução na diversidade biótica local, seja imediatamente, com a redução da área, ou a longo prazo, pelos efeitos do isolamento (Kadmon e Pulliam, 1993). Essa conversão de habitats contínuos para áreas fragmentadas afeta também processos ecológicos, como dispersão, polinização e ciclo de nutrientes (Hanada,2004).

Além disso, a fragmentação resulta em remanescentes de vegetação nativa vizinhos a usos agrícolas e a outras formas de uso antrópico, o que tem como consequência alterações significativas do fluxo de radiação, água e nutrientes do solo (Saunders, Hobbs e Margules, 1991). Estes fragmentos têm a importante função de manter a biodiversidade da região e devem ser considerados como elementos-chave para o planejamento da conservação ambiental (Martins et al, 1998). Assim, é importante planejar e monitorar o processo de fragmentação, principalmente em regiões que se encontram sob alta pressão antrópica e intenso processo de expansão da produção de commodities agrícolas (Martins et al., 2002). 14

As intensas transformações ocorridas nas paisagens do Cerrado e o status de ameaça de muitas de suas espécies têm incentivado o surgimento de iniciativas de conservação por parte do governo, organizações não governamentais (ONGs), pesquisadores e do setor privado, com o intuito de ampliar e consolidar a rede de unidades de conservação e, particularmente, o estabelecimento de corredores ecológicos (Klink et al., 2005). O estabelecimento de corredores ecológicos é uma das propostas para minimizar os efeitos da fragmentação, interligando o maior número de fragmentos possível (Martins et al, 1998).

A exploração do Cerrado se intensificou nas últimas décadas e o bioma passou a ser visto como alternativa ao desmatamento na Amazônia, seja por expansão agrícola, seja por plantios florestais para fixar carbono atmosférico (MMA, 2002). A ampla aptidão do bioma para a atividade agropecuária resultou em uma extensa conversão e fragmentação de espaços naturais (Prevedello e Carvalho, 2006).

Tais mudanças intensificaram a erosão do solo de 10 a 100 vezes, vem causando a perda de biodiversidade, desequilíbrios no ciclo do carbono, poluição hídrica, mudanças no regime de queimadas e alteração do clima regional (Fernandes et al., 2016).

Conforme a ocupação e fragmentação do Cerrado aumenta, o balanço hídrico do bioma é modificado, a água deixa o sistema por escoamento, não sendo reciclada. Esse fenômeno é um 17 dos fatores que contribuem para uma possível redução anual da precipitação na ordem de 8-16 mm/ m² ( – 3%) no MATOPIBA, região de expansão agrícola do Cerrado (Spera et al., 2016)”.

 

Fonte: MENDES, Thais Jacob. Fragmentação e viabilidade de corredores ecológicos na região do MATOPIBA. 2018. 72 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018, p. 13-14-16-18.

 

A fragmentação de hábitat é definida como um processo em que uma grande extensão de hábitat é transformada em vários fragmentos, isolados uns dos outros por uma matriz diferente do original (Wilcove et al. 1986). Esse processo leva à redução da quantidade de hábitat natural em uma paisagem, provocando o aumento do número de manchas, redução dos tamanhos e aumento no isolamento (Fahrig 2003). O tamanho e o grau de isolamento dos fragmentos são, em geral, os parâmetros mais importantes para a explicação das variações de riqueza de espécies em paisagens fragmentadas (Martins 2002).

A perda e a fragmentação de hábitats é a principal ameaça para as aves brasileiras (Marini e Garcia 2005). São diversos os efeitos negativos da perda e fragmentação de hábitats sobre as aves: alteração da estrutura trófica da comunidade com redução de frugívoros e dominância de insetívoros menos especializados (Motta-Júnior 1990; Marini 2001; Telles e Dias 2010; Manica et al. 2010), redução na riqueza e abundância de espécies insetívoras pelo efeito de borda (Banks-Leite et al. 2010), isolamento de populações (Stouffer e Bierregaard Jr. 1995) e diminuição na integridade funcional (De Coster et al. 2015). No Brasil, o reflexo desses processos nas espécies pode ser visto, por exemplo, no grande número de aves consideradas ameaçadas de extinção, 234 (MMA 2014), que corresponde a 12,3% da avifauna brasileira. No bioma Cerrado as modificações antrópicas atingem diversas fitofisionomias mas, no entanto, alterações em ambientes florestais tendem a impactar um maior número de espécies uma vez que a maior parte das aves (393 spp., 51,8%) que ocorrem no Cerrado são dependentes de ambientes florestais (Silva 1995).

 

Fonte: ROSSI, Reile Ferreira. Respostas de comunidade de aves à fragmentação florestal no Cerrado. 2016. x, 77 f., il. Dissertação (Mestrado em Zoologia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016, p. 34-35.

“Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a frota de caminhões no Brasil cresceu a uma taxa média de 2,8% ao ano entre 2011 e 2017, alcançando quase 2 milhões de veículos em circulação. Embora a frota tenha permanecido estável desde então, a década terminou com 20% a mais de caminhões nas estradas brasileiras.

Se levarmos em conta que o Cerrado é o maior produtor de grãos no Brasil (mais da metade da soja brasileira vem dali), não é difícil constatar porque esta é uma das áreas mais perigosas para a fauna silvestre. Além do alto tráfego de veículos de carga, há também a perda de habitat impulsionada pela monocultura, particularmente por meio de desmatamento e queimadas.

De acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade de Lavras (MG), o Cerrado é o segundo bioma com mais registros de mortes por atropelamento, atrás apenas da Mata Atlântica – o que é esperado, já que se trata do bioma com maior densidade populacional do país.”

“Entre os mamíferos de grande porte, o tamanduá-bandeira é um dos que mais sofre atropelamentos: seus olhos, além de muito pequenos, não refletem a luz do farol do carro. O animal ainda ouve mal, tem movimentos lentos, pelagem escura e transita à noite. Tudo isso aumenta as chances de colisão ao atravessar uma rodovia.

Além disso, há riscos também para o motorista, conforme explica o biólogo Arnaud Desbiez, que encabeça o projeto Bandeiras e Rodovias: “Antes de tudo, este é um trabalho de segurança pública, porque quando um veículo colide com um animal de grande porte, como um tamanduá, que tem cerca de 35 quilos, as pessoas se machucam. Muitos morrem colidindo com um bicho ou tentando desviar dele”.

“Além das entrevistas com os caminhoneiros, a equipe liderada por Arnaud Desbiez monitorou 92.364 km de rodovias, com o intuito de registrar acidentes com as principais espécies de tatus e tamanduás. Entre janeiro de 2017 e dezembro de 2019, os pesquisadores detectaram 11.199 mortes por atropelamento, incluindo 1.812 tatupebas, 750 tatus-galinha, 725 tamanduás-bandeira, 586 tamanduás-mirim, 65 tatus-de-rabo-mole e 9 tatus-canastra.”

“Segundo Arnaud, o cruzamento de informações colhidas na pesquisa permitiu identificar um dado interessante: a taxa de crescimento da população de tamanduás – cerca de 5% ao ano – diminui pela metade (2,5%) quando se considera o impacto das rodovias.

“Isso significa que as estradas não levam à extinção pelos acidentes, mas diminuem a taxa de crescimento dos tamanduás, porque outras ameaças – como doença, fogo, perda de habitat, ataques de cães ferozes – terão impacto mais forte para chegar ao nível próximo da extinção. A combinação das mortes nas rodovias torna a população de tamanduás-bandeira mais frágil às outras ameaças”, diz o biólogo.

Arnaud chama a atenção também para o fato de que o risco de extinção do tamanduá-bandeira pode causar impactos na própria agricultura, desencandeando um estado de desequilíbrio ambiental. O animal cumpre importante função no controle de insetos e pragas: calcula-se que um indivíduo chegue a comer cerca de 30 mil cupins e formigas por dia com sua língua imensa, que pode medir até 40 centímetros de comprimento”.

 

Fonte: BERETZ, C. Estudo investiga o impacto dos atropelamentos na população de tamanduás do Cerrado. Mongabay: Notícias Ambientais Para Informar e Transformar, 2020. Disponível em: < https://brasil.mongabay.com/2020/02/estudo-investiga-o-impacto-dos-atropelamentos-na-populacao-de-tamanduas-do-cerrado/>. Acesso em: 08 de maio de 2020