Biocombustíveis

” Biocombustíveis são derivados de biomassa renovável que podem substituir, parcial ou totalmente, combustíveis derivados de petróleo e gás natural em motores a combustão ou em outro tipo de geração de energia.

Os dois principais biocombustíveis líquidos usados no Brasil são o etanol obtido a partir de cana-de-açúcar e, em escala crescente, o biodiesel, que é produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais e adicionado ao diesel de petróleo em proporções variáveis”.

 

Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Biocombustíveis, 2018. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/biocombustiveis>. Acesso em: 29 de abr. de 2020.

“ Por ser uma fonte não renovável de energia e devido aos problemas ambientais oriundos da queima dos combustíveis fosseis, a busca por fontes alternativas de energia vem se intensificando. Entre as mais promissoras estão os biocombustíveis, derivados de produtos agrícolas, como cana-de-açúcar, as plantas oleaginosas, a biomassa florestal e outras fontes de matéria orgânica. Como exemplo, pode-se citar o biodiesel, o etanol, o metanol, o metano e o carvão vegetal (ESALQ. 2007), que podem ser utilizados isoladamente ou adicionados aos combustíveis convencionais”.

 

Fonte: MAGALHÃES, G. Avaliação do Impacto do Programa de Biocombustíveis na Disponibilidade Hídrica do Cerrado Brasileiro. Brasília: Universidade Católica de Brasília, 2008, p. 19.

 

“ A história dos biocombustíveis no Brasil data do início do século XX, quando começaram as primeiras experiências com a produção de energia a partir do açúcar. A criação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), em 1933, apontava para o crescente desenvolvimento dessa tecnologia. Mas foi a partir da criação do Proálcool –Programa Nacional do Álcool- pelo Governo Federal, em 1975, que o Brasil tornou-se responsável pelo desenvolvimento pioneiro na área de biocombustíveis, com produção do etanol a partir da cana-de-açúcar“.

 

Fonte: RODRIGUES, L. A Cana-de-Açúcar como Matéria-Prima para a Produção de Biocombustíveis: Impactos Ambientais e o Zoneamento Agroecológico como Ferramenta para Mitigação. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2010, p. 5.

” A análise crítica de uma economia orientada a redução das emissões de carbono possível pelo uso dos biocombustíveis, mas que traria riscos de desmatamentos e diminuição das terras destinadas à nutrição humana, permite assim postular uma inusitada e pouco discutida vantagem dos combustíveis convencionais, numa lógica inversa. Se o impacto do petróleo nas mudanças climáticas decorre da mobilização de material inerte no subsolo e despejo de subprodutos em forma de gases estufa, a atividade petrolífera é essencialmente geológico-extrativista, com explotação de subsolo e de baixíssima alteração imediata nos recursos na biosfera — salvo acidentes de vazamento e explosão, ocorrências frequentes, mas não inexoráveis à produção (HOMER-DIXON, 2006).

Uma base de petróleo na Amazônia, por exemplo, que explore fosse de 1 quilômetro de raio não precisa desmatar mais do que 20 hectares, um procedimento quase cirúrgico na floresta. Atividades pesqueiras podem ser realizadas a distância de até 600 metros das plataformas oceânicas, sem causar impacto substantivo no fornecimento de pescados e os bolsões de extratoras no Oriente Médio não implicam em desabastecimento agrícola regional, por estarem em solos desérticos e naturalmente pouco férteis”.


Fonte: FELTRAN-BARBIERI, R. Biocombustíveis, Controvérsia Agrícola na Economia do Petróleo: O Caso do Etanol no Cerrado. Universidade de São Paulo Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental, 2009, p. 1-2.


Etanol:


“Metade da Suíça: esse é o tamanho da área cuja biodiversidade deverá ser severamente impactada no Cerrado caso se confirme a previsão de aumento no consumo de etanol no mundo – que, em tempos de emergência climática, se firma como alternativa aos combustíveis fósseis.

Na ponta do lápis, 19 mil km² do bioma deverão ter redução drástica na riqueza de espécies de mamíferos até 2030 em razão da mudança no uso do solo da região – tudo para acolher as novas lavouras de cana-de-açúcar que deverão ser abertas em razão da demanda crescente pelo biocombustível.

A medição foi calculada a partir da mudança no uso da terra: se antes uma vegetação permitia que determinadas espécies vivessem ali, com a chegada a cana essas condições mudariam.

Assim, descobriram que, além de ser o bioma com maior área sob risco, o Cerrado também deverá ter perdas significativas no número de espécies de mamíferos em regiões menores: por exemplo, em um fragmento de 425 km² dos 19 mil km², a redução na biodiversidade chega a 100%. Em 2,7 km², a perda calculada varia entre 50% e 100%.

Segundo as projeções, espécies ameaçadas como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e a anta (Tapirus terrestris) enfrentam perigo ainda maior: em cerca de 7 mil km² do bioma, eles podem ser extintos, alerta a pesquisa.

O impacto indireto pode ser ainda maior: os cientistas calculam que uma área entre 20 mil km² e 78 mil km² deverá sofrer alterações no uso atual da terra em decorrência da ampliação da produção nacional de biocombustível, incluindo neste cálculo a Amazônia e o Pantanal – uma parcela significativa, em função do deslocamento que outras lavouras precisarão fazer para novas áreas, porque as suas atuais serão tomadas pela cana”.


Fonte: HOFMEISTER, N. Demanda por etanol pode extinguir mamíferos do Cerrado, aponta estudo. Mongabay, 30 de mar. de 2020. Disponível em: <https://brasil.mongabay.com/2020/03/demanda-por-etanol-pode-extinguir-mamiferos-do-cerrado-aponta-estudo/?fbclid=IwAR31Ou8zOOOShhYw8em_xfcCyxgSzV4blfNqrIHOi_y-tm5STSsqXTXqN9U>. Acessado em: 02 de jun. de 2020.


“A expansão das áreas de cana-de-açúcar vêm alterando a ocupação do solo, e consequentemente impactando o uso dos recursos hídricos. Esses impactos são um dos principais problemas relacionados à sustentabilidade da produção de etanol, visto que tal atividade representa uma alternativa aos combustíveis fósseis e tende a se expandir ainda mais (SIMS, 2003). A agricultura e, portanto, a produção de biomassa é um dos principais usos antropogênicos que resultam em alterações na quantidade dos recursos hídricos (cerca de 70% da água captada no mundo é destinada à irrigação) e na qualidade das águas (excesso de carga de nutrientes e poluentes associadas com o uso de fertilizantes e agrotóxicos pela agricultura) (MEA, 2005).

O uso dos recursos hídricos por cada setor pode ser classificado como consuntivo e não-consuntivo. Consuntivo quando, parte da água retirada é consumida durante seu uso. Não-consuntivo quando é a água não é consumida durante seu uso (CARDWELL et al, 2010).

No caso da cana-de-açúcar, por se tratar de um uso consuntivo, o aumento exponencial do uso da água pode vir a representar um impacto considerável para o fornecimento de água potável para os demais usos da sociedade e, sem planejamento, pode acarretar em problemas de escassez.

Diante das informações por meio do estudo de caso, coletadas em campo, e da análise da Pegada Hídrica, constata-se um alerta no uso dos recursos hídricos, pois, apesar da cana-de-açucar não demandar tanta água para irrigação, sua produção, por requerer mais água que as culturas anteriores da mesma área, já causa algum impacto na demanda hídrica”.

Apesar disso, “na análise acerca da “sustentabilidade” da produção de cana-de-açúcar para etanol, os indicadores mostraram situação “normal” nos usos dos recursos hídricos. Essa situação pode mudar se atentarmos ao fato que a cultura está em fase de expansão. As análises dessa expansão devem ser levadas em consideração nos planos de manejo, para impedir uma menor disponibilidade de água nas áreas de Cerrado”.


Fonte: MOURA, Erika Ferreira. Uso dos recursos hídricos na expansão sucroenergética em áreas de bioma cerrado. 2017. Tese (doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP, p. 38-44-127. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/325345>. Acesso em: 3 jun. 2020.