Efeito Estufa

“O efeito estufa é um fenômeno natural e possibilita a vida humana na Terra.

Parte da energia solar que chega ao planeta é refletida diretamente de volta ao espaço, ao atingir o topo da atmosfera terrestre – e parte é absorvida pelos oceanos e pela superfície da Terra, promovendo o seu aquecimento. Uma parcela desse calor é irradiada de volta ao espaço, mas é bloqueada pela presença de gases de efeito estufa que, apesar de deixarem passar a energia vinda do Sol (emitida em comprimentos de onda menores), são opacos à radiação terrestre, emitida em maiores comprimentos de onda. Essa diferença nos comprimentos de onda se deve às diferenças nas temperaturas do Sol e da superfície terrestre.

De fato, é a presença desses gases na atmosfera o que torna a Terra habitável, pois, caso não existissem naturalmente, a temperatura média do planeta seria muito baixa, da ordem de 18ºC negativos. A troca de energia entre a superfície e a atmosfera mantém as atuais condições, que proporcionam uma temperatura média global, próxima à superfície, de 14ºC”.

 

Fonte: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Efeito Estufa e Aquecimento Global, [S.I]. Disponível em: <https://www.mma.gov.br/informma/item/195-efeito-estufa-e-aquecimento-global.html>. Acessado em: 01 de jun. de 2020.

“As mudanças climáticas representam ameaça urgente e potencialmente irreversível para as sociedades humanas e para o planeta (IPCC, 2014a). Em seu Quinto Relatório de Avaliação (AR5), o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) destacou que a influência humana sobre o sistema climático é clara e as recentes emissões antrópicas de gases de efeito estufa (GEE) são as mais altas da história (IPCC, 2014b). Frente a essa realidade, um dos maiores desafios da humanidade na atualidade é reduzir os impactos das mudanças climáticas nos sistemas humanos e naturais por meio de ações de mitigação, entendidas como medidas que reduzam as emissões e aumentem os sumidouros de GEE (PNMC, 2009). 

O mosaico de vegetação do Cerrado compõe importantes reservatórios de carbono que têm o potencial de caracterizar o bioma como um sumidouro de GEE, a depender de variáveis que aumentam as emissões, como o desmatamento e as queimadas. 

No Cerrado os principais vetores responsáveis pela mudança do uso da terra são os desmatamentos praticados, sobretudo, com o intuito de abrir novas áreas para a atividade agropecuária e as queimadas, que além da função de abrir áreas para novos usos, também são utilizadas como meio de renovação de pastagens. Essas práticas, assim como as atividades agrícolas e pecuárias têm significativos impactos sobre os estoques e fluxos de carbono. O desmatamento reduz os estoques de carbono da biomassa e do solo. Ademais, a conversão da vegetação nativa em área para agricultura diminui a precipitação, a evapotranspiração e aumenta a temperatura do solo (LAL, 2008). Já as queimadas levam à morte das plantas lenhosas, consomem a liteira e as formações herbáceas, influenciando a ciclagem de nutrientes e a dinâmica da vegetação (MIRANDA, et al., 2002). O fogo também expõe o solo à erosão e altera sua umidade, assim como afeta o ciclo da água (LAL, 2008; BUSTAMANTE et al., 2012). Uma vez que a vegetação nativa foi convertida para a implantação de atividade agropecuária, as culturas agrícolas e o cultivo de pastagens passarão a influenciar os estoques de carbono, sobretudo o do solo, podendo atuar como fonte ou sumidouro de carbono, dependendo da forma como tais atividades serão implantadas. 

Além dos sistemas de manejo, a restauração ecológica do Cerrado também é prática que contribui para o aumento dos estoques de carbono do bioma, uma vez que busca restaurar as funções ecossistêmicas do bioma. Entretanto, as tentativas de restaurar o Cerrado ainda são reduzidas e encontram-se pouco documentadas (DURIGAN, 2013). Além da importância de se consolidar os estudos existentes, é necessário ampliar as pesquisas acerca dos estoques e fluxos de carbono em áreas com vegetação em regeneração, que segundo Sano e colaboradores (2010) somam 7 Mha e são encontradas, principalmente, nas regiões de transição com o bioma da Amazônia e com áreas de pastagens naturais. 

O melhor entendimento acerca dos estoques e fluxos de carbono do Cerrado é essencial para os cálculos das emissões nacionais (LAL, 2010; BUSTAMANTE, et al., 2012). Do mesmo modo, o maior conhecimento sobre a temática fornece subsídios para formulação de estratégias nacionais de mitigação das mudanças climáticas que considerem o potencial do Cerrado em estocar carbono.

As políticas públicas para a região devem prever o planejamento territorial e incentivos para o uso eficiente da terra, orientando a expansão agrícola para áreas já abertas e subutilizadas, de forma a gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais para o Brasil (REIS, 2017).

Ampliar as pesquisas sobre carbono orgânico do solo e incorporar a temática mais efetivamente nos instrumentos normativos nacionais relacionados à mitigação das mudanças climáticas é estratégico para reduzir as emissões brasileiras de GEE, sobretudo daquelas provenientes do Cerrado. No mesmo sentido, é necessário ampliar a proteção e promover a estabilidade dos estoques e fluxos de carbono do Cerrado por meio de medidas de conservação e restauração, que devem estar ancoradas em instrumentos normativos eficazes e efetivos. Se no passado o conhecimento sobre o Cerrado era escasso, atualmente o conhecimento científico, acumulado nos últimos anos, sobre o bioma, oferece importante contribuição para sua conservação. No entanto, é essencial conscientização e tomadas de decisão concretas no sentido de implementar políticas públicas voltadas para a conservação e o uso sustentável do bioma (ALHO, 2005)”. 

 

Fonte: BERGAMASCHINE, Lívia Carvalho. Políticas públicas e as contribuições potenciais do Cerrado para o cumprimento das metas brasileiras de redução das emissões de gases do efeito estufa. 2017. xv, 132 f., il. Dissertação (Mestrado em Ecologia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017. Disponível em:<https://repositorio.unb.br/handle/10482/31370>. Acessado em: 14 de jun. de 2020.

 

Impacto da pandemia de Covid-19 nas emissões de gases de efeito estufa no Brasil:

 

“Em 2018, o Brasil emitiu 1,9 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente. Essas emissões se dividem entre os setores da seguinte forma: 21% em energia, 5% em processos industriais, 25% em agropecuária, 5% em resíduos e 44% em mudança de uso da terra.  

Segundo nota técnica do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do OC), o forte aumento do desmatamento na Amazônia em 2020 tende a compensar a queda esperada das emissões no setor de energia e na atividade industrial, além da redução que também vem sendo verificada no desmatamento no Cerrado. 

Até o momento a pandemia pode influenciar um leve aumento nas emissões de GEE do setor agropecuário (cerca de 1 milhão de toneladas de CO2e ou menos de 1% das emissões do setor) devido a redução no número de abates de bovinos, que leva a retenção
dos mesmos no campo emitindo GEE por período de tempo maior.

O setor de mudança do uso da terra reporta as emissões de gases de efeito estufa relacionadas às variações dos estoques de biomassa e matéria orgânica resultantes das transições entre os diferentes tipos usos da terra. Em 2018, o setor foi responsável por 44% de todas as emissões brutas do Brasil (SEEG, 2019), sendo a maior parte dessas emissões (88%) associada ao desmatamento ocorrido nos biomas Amazônia e Cerrado. Além de conterem mais de 80% do remanescente de vegetação nativa brasileira (MapBiomas, 2020), esses dois biomas também são fronteiras agropecuárias e concentraram 95% do desmatamento detectado no Brasil durante o ano de 2019 (MapBiomas Alerta, 2020).
Na média, a taxa de emissões de GEE pelo desmatamento de um hectare na Amazônia é mais do que o dobro da do Cerrado, portanto o efeito de um aumento do desmatamento na Amazônia tende a compensar a redução das emissões pela queda do desmatamento no Cerrado”.

 

Fonte: Azevedo, Tasso. Nota Técnica: Impacto da pandemia de Covid-19 nas emissões de gases de efeito estufa no Brasil, Observatório do Clima, maio de 2020.

);