Degradação do Solo

Os processos de degradação do solo, causados pela destruição da vegetação nativa, contaminação química, erosão e outros fatores que afetam diretamente a produção comprometem as paisagens dos diversos biomas brasileiros. Entre eles está o Cerrado, segundo maior bioma na América do Sul e um dos mais ameaçados no Brasil. De acordo com o IBGE, o Cerrado teve sua cobertura vegetal reduzida de 2.038.953 km² para 1.052.708 km², uma perda de quase 50% nos últimos anos. O solo é um recurso natural de alta importância social, econômica e ambiental e a diminuição dessas áreas naturais é prejudicial para a qualidade e quantidade de água nas nascentes. As práticas agrícolas inadequadas são responsáveis, em grande parte, pelo processo de erosão, contribuindo para a perda de solo e a baixa produtividade.

O QUE É?

 

“A erosão é um processo natural de degradação do solo que provoca a perda de nutrientes e o transporte de sedimentos. A erosão hídrica é um dos principais fatores da redução da produtividade do solo. O escoamento superficial transporta sedimentos, matéria orgânica, defensivos agrícolas e sementes, gerando empobrecimento da terra, assoreamento e poluição dos corpos d’água (FRAGASSI, 2001).

O processo erosivo é o conjunto dos processos de desagregação, transporte e deposição. O escoamento superficial é o principal fator responsável pelo transporte de sedimentos, junto com as gotas de chuvas que assumem o papel principal na desagregação. A erosão pode ser agravada ou reduzida devido a diversos fatores, tais como: topografia, erodibilidade do solo, cobertura do solo, cultivo, rugosidade (RIBEIRO, 2006).

 

EROSÃO NO CERRADO

 

“Os quatro fatores considerados maiores responsáveis pela erosão laminar, o clima, o uso do solo e manejo do solo, o clima e a topografia são as bases dos dados que derivam a equação.

A erosão é um processo natural de degradação do solo que provoca a perda de nutrientes e o transporte de sedimentos. O avanço da expansão agrícola no Cerrado, substituindo áreas de vegetação nativa por pastagens e plantações, acelera o processo natural de erosão dos solos. Para redução dos impactos da expansão agrícola é necessário o planejamento territorial, agrícola e ambiental, considerando de forma específica a análise da ocorrência ou não da erosão do solo.

As áreas mais críticas e com maiores valores de erosão laminar dos solos foram observadas em área com solo exposto e em áreas de agricultura, especialmente as ocupadas por cultivos irrigados. De forma menos intensa, os aspectos de relevo, especialmente a declividade, também aumentaram os valores estimados de erosão laminar na área de estudo. O principal aspecto (uso da terra) que mais influenciou o aumento dos processos erosivos na área do PAD-DF consiste em um fator manejável”.

 

Fonte: BATISTA, Juan Enrique de Araújo. Estimativa de erosão do solo na região do Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Florestal)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

“O uso intensivo do solo na região do Cerrado para a produção agropecuária, aliado ao manejo inadequado, têm provocado aumento da sua degradação e consequentemente provoca um impacto negativo à qualidade do mesmo. Dessa maneira, há a necessidade da implantação de sistemas mais conservacionistas como é o caso do SPD que utiliza espécies vegetais para cobertura do solo, rotação/sucessão de culturas, e mais recentemente, a adoção da integração lavoura-pecuária (ILP) (Costa et al., 2015). Estudos apontam que a derrubada e queima da vegetação nativa, seguida do cultivo do solo no processo de conversão do Cerrado em sistemas de cultivo, causam diminuição dos estoques de carbono do solo e aumento da emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera (Franchini et al., 2007; Guareschi et al., 2012)”.

 

Fonte: SOARES, Daiane dos Santos. Biomassa vegetal e atributos do solo em diferentes sistemas de produção sob plantio direto no Cerrado. Dissertação (Mestrado em Agronomia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

“Atualmente, existem no Brasil 450 ingredientes ativos registrados para uso agrícola, comercializados em 2123 formulações (AGROFIT, 2019). Os dados mais recentes relacionados a comercialização de pesticidas no Brasil, divulgados pelo IBAMA, mostram uma comercialização de aproximadamente 540 mil toneladas de ingredientes ativos no ano de 2017, sendo que, os herbicidas foram responsáveis por cerca de 58% do total comercializado, seguido pelos fungicidas com 12%, e inseticidas com 10% (IBAMA, 2019). O glifosato foi o ingrediente ativo mais comercializado, com cerca de 173 mil toneladas, representando cerca de 32% do total anual.

O solo é o destino direto e indireto da maioria dos pesticidas aplicados na agricultura. Apesar de utilizados em larga escala, pode-se afirmar que poucos são os estudos disponíveis sobre o comportamento de pesticidas em solos tropicais, tanto em relação às concentrações encontradas, quanto aos potenciais impactos negativos a qualidade do solo e, mais especificamente, a comunidade biológica presente nos solos.

Apesar dos inegáveis benefícios relacionados a prevenção da perda de produção dos cultivos agrícolas, a presença de resíduos de pesticidas em vários compartimentos do ambiente levanta sérias preocupações quanto ao seu uso (ALI et al., 2014; SHARMA et al., 2014). Os pesticidas, ao serem aplicados, podem atingir alvos não visados. São comuns casos de deriva de pesticidas durante as aplicações, mesmo a partir de equipamentos terrestres (YADAV et al., 2015). Estes podem atingir o solo, e então, seguir diferentes rotas, podendo ser volatilizados, lixiviados, retidos, degradados ou ainda atingir organismos não alvo.

Os pesticidas podem provocar impactos negativos sobre os organismos do solo (LOOSER et al., 2000; BARBASH, 2007; SMALLING et al., 2013). O solo é um habitat único e complexo para ampla gama de organismos que dão suporte as principais funções do ecossistema e contribuem para processos complexos com impactos em escala global (BLUM, 2006; BONDEAU et al., 2007; GRAHAM et al., 2016), como por exemplo regulação do clima, proteção de plantas contra as pragas e ciclagem de nutrientes (LAVELLE et al., 2006). A maneira como os pesticidas afetam diferentes grupos taxonômicos dependerá de características específicas do organismo, como tamanho corporal, características fisiológicas e sensibilidade, além da biodisponibilidade de doses e da toxicidade do produto (BAIRD e DEN BRINK, 2007; SÁNCHEZ-BAYO, 2011).

Ao atingirem o solo, os pesticidas podem ser sorvidos, transformados ou transportados, sendo que esses processos controlarão a dinâmica dos resíduos de pesticidas, ditando, respectivamente, sua biodisponibilidade na solução do solo, sua persistência e sua mobilidade. Estes processos, por sua vez, são influenciados pelas propriedades físicas e químicas do contaminante, propriedades do solo e condições climáticas (OLIVEIRA JR e REGITANO, 2009)”.

 

Fonte: BERNARDINO, M. M. Comportamento e ecotoxicologia de pesticidas no Cerrado. Dissertação (Mestrado em Agroquímica) – Instituto Federal Goiano. Rio Verde, p. 1-2. 2019.

“Os projetos governamentais implementados a partir da década de 1970, desta forma, passaram a adotar como práticas para a modernização da agricultura no Cerrado o uso de fertilizantes em larga escala, baseando-se na produção de commodities valorizadas no mercado interno e externo para a produção de carne (soja e milho), e o incentivo na utilização de elementos que já havia uma difusão nas décadas anteriores como o uso de agrotóxicos e maquinários agrícolas. O saldo negativo do projeto governamental de expansão da fronteira agrícola no Brasil pode ser identificado nos sucessivos impactos socioambientais, no qual podemos destacar: a fragmentação da estrutura geológico-geomorfológica como embasamento físico do território; a degradação e a destruição da cobertura vegetal como protetora do solo e do subsolo; a redução da biodiversidade animal, vegetal e genética em espécies, nichos e ecossistemas, como reprodutora da vida; o assoreamento e a diminuição da rede de drenagem de superfície e subterrânea, das cabeceiras dos cursos d’água, das veredas, berço das águas, com suas matas ciliares ripárias, seus buritizais e suas vegetações campestres; a destruição das vocações culturais centenárias das comunidades interioranas; a destruição de monumentos naturais e sítios arqueológicos milenares”.

 

Fonte: Dutra e Silva, S., & Barbosa, A. S. (2020). Paisagens e fronteiras do Cerrado: ciência, biodiversidade e expansão agrícola nos chapadões centrais do Brasil. Estudos Ibero-Americanos, 46(1), e34028. Disponível em: https://doi.org/10.15448/1980-864X.2020.1.34028