Radis Cerrado

Com cerca de 51% de sua cobertura original devastada pelo avanço do agronegócio, o Cerrado possui um enorme passivo de restauração ambiental. Segundo critérios estabelecidos pelo Código Florestal de 2012, mais de 4 milhões de hectares no bioma estariam aptos para projetos de recomposição florística — uma área do tamanho da Suíça.

 

Com o propósito de facilitar o processo de adesão dessas áreas degradadas ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), o Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar da Universidade de Brasília (Cegafi/UnB), em parceria com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), desenvolveu o aplicativo Radis Cerrado, já disponível para o sistema operacional Android.

 

O desenvolvimento do projeto demandou uma equipe interdisciplinar para agregar conhecimentos:   ecologia, botânica, recuperação de áreas degradadas, sistemas de produção animal e vegetal, agroecologia e sistemas agroflorestais, políticas públicas e legislação ambiental, engenharia de sistemas, sistemas de informação, geoprocessamento, agronomia, zootecnia, engenharia florestal e gestão de informações. Além de profissionais das relações públicas e alunos de graduação (gestão do agronegócio e ciências naturais). Uma empresa de tecnologia foi contratada para contribuir com a construção da plataforma.

 

O app faz parte da iniciativa Restaura Cerrado e integra diferentes funcionalidades para monitoramento dos processos de recomposição da vegetação no bioma, permitindo que agricultores, quilombolas, assentados da reforma agrária e técnicos ambientais façam registros de uso do solo e informações socioprodutivas ao longo do tempo, permitindo melhor planejamento e organização da oferta de produtos.

 

Os usuários podem lançar dados diretamente no aplicativo conforme a frequência de monitoramento previsto no Programa de Regularização Ambiental  (PRA). O Radis Cerrado registra essas informações ao longo dos anos (durante até uma década) e permite a visualização dos dados, fotos e imagens de satélites na plataforma do usuário. A mesma base de informações será utilizada pela Secretaria de Meio Ambiente — no caso do Distrito Federal, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram).

 

Após baixar o aplicativo, o produtor ou técnico acessa pela própria ferramenta as informações do seu Cadastro Ambiental Rural (CAR) e preenche o formulário com a proposta ou modelo simplificado de projeto de restauração, que pode ser obtida pela plataforma de internet da Embrapa.

 

A partir da necessidade de recuperar uma APP (Áreas de Preservação Permanente) ou reserva legal, o agricultor ou técnico determina como e onde vai instalar as parcelas de restauração, como vai cercar ou isolar a área que quer restaurar, entre outros parâmetros, e passa a alimentar a ferramenta seguindo os protocolos para a observação da cobertura vegetal em restauração, incluindo tamanho, espécies, entre outros dados. Os registros devem ser repetidos periodicamente nos mesmo pontos e condições, alimentando um histórico que permite acompanhar a restauração da paisagem local.

 

Por ser de livre acesso e de linguagem acessível, os desenvolvedores esperam o uso do aplicativo em larga escala. A carência de soluções para facilitar a regularização ambiental em assentamentos rurais, pequenas propriedades e territórios de povos e comunidades tradicionais é alta, por este motivo o projeto é voltado para esse público-alvo e para profissionais que prestam assistência técnica a ele.

 

Os dados relativos à recuperação das áreas degradadas e respectivos planos de recuperação ambiental, bem como informações sobre produção vegetal, animal e agroextrativismo das unidades de produção são coletados e armazenados, alimentando um banco de dados que ficará disponível para consulta, auxiliando agricultores, gestores, pesquisadores e o público em geral que trabalha direta ou indiretamente com ambiente e desenvolvimento rural sustentável.

 

Fonte: https://deolhonosruralistas.com.br/2021/09/02/aplicativo-leva-tecnologia-de-restauracao-ambiental-para-camponeses-e-quilombolas-no-cerrado/?fbclid=IwAR3ovrqkapjfu5oQtnWv68AEzsbJnl6NpAM8RyOJW1Ppel8OO-WYV8pxLhQ

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