Reserva da Biosfera

Reserva da Biosfera (RB) é um modelo, adotado internacionalmente, de gestão integrada, participativa e sustentável dos recursos naturais. São reconhecidas pelo Programa “O Homem e a Biosfera (MAB)” da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

As reservas da biosfera são definidas pela UNESCO como laboratórios vivos, onde se desenvolvem como funções principais, a conservação de paisagens, ecossistemas e espécies, o desenvolvimento sustentável a nível social, económico, cultural e ecológico; atuam como plataformas de investigação, monitorização, educação e sensibilização, visando sempre a partilha de informação e de experiência adquirida.

 

Cada Reserva da Biosfera deve ser constituída por 3 zonas:
• uma ou mais áreas-núcleo, destinadas à proteção integral da natureza (podem ser integradas por UC já criadas);
• uma ou mais zonas de amortecimento, onde só são admitidas atividades que não resultem em dano para as áreas-núcleo;
• uma ou mais zonas de transição, sem limites rígidos, onde o processo de ocupação e o manejo dos recursos naturais são planejados e conduzidos de modo participativo e em bases sustentáveis.

 

Essas áreas (701 no mundo) devem ser locais de excelência para trabalhos de pesquisa científica, experimentação e demonstração de enfoques para conservação e desenvolvimento sustentável na escala regional. O Brasil possui 7 Reservas da Biosfera no país: Mata Atlântica, Cinturão Verde de São Paulo, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Amazônia Central e Serra do Espinhaço. 

 

Mais da metade do Cerrado já tem mais da metade de sua área de abrangência fortemente degradada e encontra-se sob intensa pressão para expansão da agricultura e pecuária de larga escala, o que reforça a importância de instrumentos como a RBC na valorização do potencial econômico e cultural do Cerrado em pé, na conservação e proteção dos remanescentes intocados, que são fundamentais para a produção de água, na recuperação das áreas alteradas e corredores ecológicos, no estímulo à pesquisa científica, no fomento do desenvolvimento sustentável com base em atividades econômicas de alto valor sociocultural e ambiental, tais como o turismo ecológico e a agroecologia, e no planejamento de uma expansão urbana compatível com a manutenção dos serviços ecossistêmicos no longo prazo. São estratégicos para o alcance desses objetivos, o diálogo com os diversos instrumentos de gestão do território e a implementação de uma estratégia de comunicação que dê visibilidade e promova o envolvimento da sociedade na consolidação da RBC.

A RBC-DF foi oficializada no DF pela Lei n° 742, de 28/7/94, que definiu os seus limites, funções e sistema de gestão. Em 2016, por meio do Decreto nº 37.615 de 09/09/2016, foi criado o Comitê Distrital da Reserva da Biosfera do Cerrado e estabelecidas suas atribuições legais. O comitê é formado por 28 membros, governamentais e não-governamentais, para decidir e orientar a execução do Plano de Gestão da Reserva, cabendo à sua Secretaria Executiva propor programas e executar as diretrizes e políticas de ação.

A RBC-DF é composta por Zonas Núcleo, Zonas de Transição e Zonas Tampão, ocupando uma área de cerca de 230.000 hectares, que representam aproximadamente 40% do território do Distrito Federal:

A Zona Núcleo de uma Reserva da Biosfera é formada por áreas dedicadas à proteção a longo prazo de paisagens, ecossistemas, espécies e variedade genética. A zona-núcleo está formada por 45% da APA Gama Cabeça-de-Veado (Estação Ecológica do Jardim Botânico; Reserva Ecológica do IBGE e Fazenda Água Limpa da UnB), o Parque Nacional de Brasília e a Estação Ecológica de Águas Emendadas (UNESCO, 2003).

As reservas da biosfera deverão concentrar ações de cooperação compatíveis com práticas ecológicas saudáveis, que possam reforçar a investigação científica, monitoramento das condições ambientais, sociais, econômicas e culturais, treinamento e educação em suas Zonas de Amortecimento.

A RBC-DF engloba, na sua área nuclear, 63.670,82 hectares distribuídos da seguinte forma:

  • Parque Nacional de Brasília (43.000 ha);

Criado pelo Decreto Federal n.º 241, em 29 de novembro de 1961, com cerca de 30 mil hectares, o Parque Nacional de Brasília teve seus limites redefinidos pela Lei Federal nº 11.285 de 08 de março de 2006 e atualmente possui uma área de 42.389,01 hectares.

Além disso, o parque protege ecossistemas típicos do Cerrado do Planalto Central e abriga as bacias dos córregos formadores da represa Santa Maria, que é responsável pelo fornecimento de 25% da água potável que abastece a Capital Federal.

Diversos tipos de vegetação compõem a Unidade de Conservação, tais como: a mata de galeria pantanosa, mata de galeria não pantanosa, vereda, cerrado sensu stricto, cerradão, mata seca, campo sujo, campo limpo, campo rupestre, campo úmido e campo de murundus.

A fauna é abundante e diversificada, composta por espécies raras ou ameaçadas de extinção, tais como: lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), tatu-canastra (Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), jaguatirica (Leopardus pardalis), ouriço-caixeiro (Coendou prehensilis); além de espécies endêmicas como pequeno roedor (Akodom lindberg), gralha-do-campo (Cyanocorax cristatellus), papagaio-galego (Alipiopsitta xanthops).

Várias outras espécies não ameaçadas compõem a biodiversidade do parque, a exemplo de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, e de grupos pouco estudados como moluscos, crustáceos, insetos e pequenos organismos.

O parque é também uma das principais opções da região para se conhecer os valores naturais do Cerrado e realizar práticas recreativas. Conta com duas piscinas de água corrente, trilhas interpretativas e Centro de Visitantes.

A área recém incorporada, na região noroeste do Distrito Federal, agrega ao parque vários ambientes como: vales escarpados, cachoeiras, nascentes, rios e matas de encosta e de galeria; possibilita a conexão com fragmentos de cerrado nativo, essenciais para formação de corredores ecológicos e intercâmbio genético das espécies de fauna e flora, além de oferecer novas opções para o uso público.

2) Estação Ecológica de Águas Emendadas (10.547 ha);

Águas Emendadas situa-se no nordeste do Distrito Federal, ao norte da Região Administrativa de Planaltina. Localiza-se a uma distância de aproximadamente 50 km do centro de Brasília e a 5 km do centro de Planaltina. A área de preservação ambiental é de 10.547,21 hectares.

Dentro desta unidade de conservação nascem duas das principais bacias hidrográficas brasileiras: ao norte a bacia do Tocantins e, ao sul, a bacia do Paraná-Prata. Ocorre nessa região um extraordinário fenômeno hidrográfico: o nascimento de duas grandes bacias continentais, vertendo de um mesmo ponto. Em uma vereda de aproximadamente 6 km de extensão afloram dois córregos em lados opostos: o córrego Vereda Grande corre para o norte, encontra o rio Maranhão que vai alimentar o caudaloso rio Tocantins. O córrego Brejinho corre para o sul, engrossa o córrego Fumal e logo após, para o rio São Bartolomeu, depois para o Corumbá, desaguando no Paranaíba e formando então o rio Paraná.

Em agosto de 1968 foi criada a Reserva Biológica de Águas Emendadas com 5000 hectares. Com o rápido crescimento de Brasília e com a necessidade de preservar locais históricos e a vegetação do Planalto Central, sua área dobrou de tamanho, incorporando a lagoa Mestre D´Armas ou Bonita. Mais tarde passou a ser denominada de Estação Ecológica de Águas Emendadas – ESEC-AE.
A ESEC-AE é uma unidade de conservação de proteção integral destinada à proteção do ambiente natural, realização de pesquisas básica e aplicada em ecologia e à educação conservacionista. Pelo seu excelente estado de conservação dos ecossistemas foi declarada em 1992 pela Unesco como uma das áreas que compõem a área nuclear da Reserva da Biosfera do Cerrado (fase I). A vegetação é de cerradão, cerrado stricto sensu, campo cerrado, capo sujo, campo limpo, mata de galeria alagada e não alagada, veredas, campo úmido e campo de murunduns. Grande número de animais do cerrado se abriga e se alimenta em Águas Emendadas, podendo ainda encontrar alguns mamíferos ameaçados de extinção, como o lobo-guará, veado-campeiro, tatu-canastra e o tamanduá-bandeira. Muitas aves podem ser observadas com freqüência, como tucanos, papagaios, carcarás e seriemas.

http://www.recursoshidricos.df.gov.br/aguas_emendadas/planos/PlanoManejo_VersaoResumida.pdf

3) Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília (4.385,07 ha);

A Estação Ecológica Jardim Botânico de Brasília – EEJBB – foi criada com a finalidade de promover a conservação de espécies nativas do Bioma Cerrado. A gestão da EEJBB é competência da equipe técnica do Jardim Botânico de Brasília – JBB -, que desenvolve atividades científicas voltadas para a identificação da flora e da fauna do Cerrado, com vistas à conservação genética, como também ações de Educação Ambiental para toda a população do DF, principalmente junto às comunidades do entorno.

Atualmente, na área da Estação Ecológica estão representados os mais diversos tipos de vegetação, que abrigam grande diversidade de plantas e de animais, alguns deles ameaçados de extinção. A EEJBB também abriga mananciais que abastecem 25% de toda a região do Lago Sul, incluindo o Lago Paranoá. Em função deste importante recurso, abriga unidades de tratamento de água da CAESB.

O Jardim Botânico de Brasília nasceu com 526 hectares, que foram ampliados para 4.518 hectares pelo decreto Nº 10.994, de nove de abril de 1987. Em 1990, propôs-se a criação da Estação Ecológica na área anexada ao JBB em 1987. A EEJBB foi criada pelo Decreto Nº 14.422 de 26 de novembro de 1992 e ampliada pelo Decreto nº 17.277 em 1996.

Apesar de sua importância, a EEJBB sofre intensa pressão antrópica por conta da ocupação de seu entorno imediato. Várias ações de proteção são desenvolvidas pela equipe do JBB. Uma das principais é a conscientização sobre o perigo dos incêndios florestais.

A EEJBB, juntamente com a Reserva Ecológica do IBGE e a Fazenda Água Limpa da Universidade de Brasília, integra a Zona de Vida Silvestre da Área de Proteção Ambiental Gama Cabeça de Veado e a Área Núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado, um mosaico de Unidades de Conservação que possibilita a proteção ambiental da região.

Site: http://www.jardimbotanico.df.gov.br/institucional/estacao-ecologica/

4) Reserva Ecológica do IBGE (1.398,75 ha);

A Reserva Ecológica do IBGE é uma área protegida de interesse científico sob a gestão do IBGE. Criada em 22 de dezembro de 1975, a Reserva tornou-se referência na produção de informações ambientais motivada pela preocupação em fornecer subsídios ao planejamento territorial sustentável para o bioma Cerrado. Desde 1998, integra o grupo das estações de pesquisas ecológicas de longa duração que compõem redes nacionais e continentais interligadas à rede ILTER (Internacional Long Term Research Network).

Com 1.391,25 ha e localizada no centro-sul do Distrito Federal a 25 km do centro de Brasília, a Reserva compõe o mosaico de áreas protegidas do Distrito Federal fazendo parte da Zona de Vida Silvestre da APA Gama e Cabeça de Veado e da Zona Núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado. A área abriga grande heterogeneidade de ecossistemas e fornece proteção para as mais de 4.000 espécies já inventariadas, com destaque para 61 espécies ameaçadas de extinção (30 espécies de plantas, sendo 3 cultivadas e 31 espécies de animais) e cerca de 91 espécies endêmicas do bioma Cerrado.

Ao completar quatro décadas de existência, a Reserva Ecológica do IBGE possui importante e representativa base de dados e de informação científica sobre o Cerrado, proveniente de estudos ecológicos através de amostragem ou experimentação, inventários padronizados da fauna e da flora, e estudos ambientais integrados sob perspectivas de vulnerabilidade e risco ecológico. Oferece aos pesquisadores laboratórios, alojamentos, restaurante, entre outras facilidades, e disponibiliza dados e informações básicas sobre a área, através das coleções científicas, da estação climatológica e de bases de dados georreferenciadas. Essa produção de conhecimento foi resultado do trabalho de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e de instituições parceiras, nacionais e estrangeiras.

Site: https://recor.ibge.gov.br/

5) Fazenda Água Limpa da Universidade de Brasília (4.340 ha).

A Fazenda Água Limpa – FAL da Universidade de Brasília – UnB está localizada à 28 Km da sede do Campus Universitário da Asa Norte e faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA), Bacia do Gama, Cabeça de Veado. A FAL possui uma área de aproximadamente 4.340 há destinada a preservação (2.340 ha), a conservação (800 há), a produção (1.200 há). Dispõe de uma infra-estrutura básica voltada para o processo de ensino, pesquisa e extensão com ênfase às áreas de Agronomia, Biologia, Engenharia Florestal, Ecologia, Botânica, Zoologia, Fisiologia, Zootecnia e Fitologia. A FAL possui duas ARIES (Área Relevante de Interesse Ecológico) denominada Capetinga e Taquaras criadas por Decreto Federal n. 91303 de 03 de junho de 1985 com uma área total de aproximadamente 2.100 há.
A FAL existe há mais de 30 anos e vem lutando pela segurança e proteção ambiental desta área, desenvolvendo trabalhos de ensino, pesquisa e extensão a nível sustentável, além de prestar relevantes serviços à comunidade do entorno de Brasília, assim como a nível nacional e internacional, através de Projetos e Intercâmbio Técnicos/Científicos.

Contatos:

Secretaria (61) 3107 – 9000

Núcleo Rural Vargem Bonita, 
Quadra 17, Setor de Mansões Park Way – Brasilia – DF
CEP: 71750-000       

Site: http://www.fal.unb.br/