Palmeiras

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Dentre as famílias vegetais, as palmeiras (Arecaceae) ocupam lugar de destaque devido a seu grande valor na ornamentação; confecção de artefatos como cestos, vassouras, peneiras; construções rústicas; indústria de cosméticos e como fonte alimentar humana e animal (Pinard 1993; Mendonça 2006; Rufino et al. 2008; Portela et al. 2009). Seus frutos e palmitos são frequentemente comercializados na forma de produtos elaborados como doces, bebidas e óleos em feiras e mercados de muitas cidades do Brasil Central.
No Cerrado, as palmeiras ocorrem em todas as suas fitofisionomias (Lorenzi et al. 1996). Embora poucos estudos fitossociológicos considerem as palmeiras em seus levantamentos (Andrade et al. 2002; Saporetti et al. 2003; Balduino et al. 2005), alguns registram algumas espécies de palmeiras em posições relevantes no ‘ranking’ de valor de importância (VI) (Ribeiro et al. 1985; Oliveira-Filho et al. 1989; Lenza et al. 2011), o que revela a importância da família nas comunidades vegetais deste ambiente.

Fonte: Morgana Maria Arcanjo Bruno, ASPECTOS DA ECOLOGIA DE ARECACEAE EM ÁREAS DE
CERRADO SENSU STRICTO DO DISTRITO FEDERAL, BRASIL. Tese no Departamento de Ecologia, Universidade de Brasília, 2013. Disponível em http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/15157/3/2013_MorganaMariaArcanjoBruno.pdf

A flora de palmeiras do Brasil é muito rica, com estimativas variando de 221 (HENDERSON et al., 1995) até 387 espécies (GLASSMAN, 1972), estando representadas por um total de 39 gêneros. Embora muitas espécies habitem áreas florestais, somente um quarto desses gêneros compreende espécies que ocorrem em outros tipos de vegetação (JOHNSON, 1996). Para o bioma cerrado, na extensiva compilação efetuada por Mendonça et al. (1998), é citado um total de doze gêneros e 37 espécies para a
família, com uma maior representatividade para os gêneros Syagrus (14 espécies), Attalea (seis espécies) e Butia (quatro espécies), somando, somente estes três gêneros, 64% do total das espécies registradas para o bioma. Os remanescentes de cerrado (nas suas distintas fitofisionomias) localizados no estado do Tocantins (e norte do estado de Goiás) e áreas adjacentes são desconhecidos e praticamente não foram objeto de estudos publicados. Esses locais apresentam um importante centro de diversidade do bioma, devido a esses remanescentes estarem localizados em áreas de contato com a Floresta Amazônia e suas
comunidades relacionadas com os remanescentes do estado do Mato Grosso (CASTRO et al., 1999).

Fonte: André Rosalvo Terra Nascimento. RIQUEZA E ETNOBOTÂNICA DE PALMEIRAS NO TERRITÓRIO
INDÍGENA KRAHÔ, TOCANTINS, BRASIL. FLORESTA, Curitiba, PR, v. 40, n. 1, p. 209-220, jan./mar. 2010. Disponível em file:///C:/Users/Professor(a).FE-373524/Downloads/17112-59931-1-PB.pdf

Entre as espécies vegetais que apresentam relevância econômica e social, no Cerrado destacam-se as palmeiras. As palmeiras são plantas monocotiledôneas da família Arecaceae (Palmae), sendo representadas por cerca de 2700 espécies reunidas em mais de 240 gêneros. No cerrado da região do Norte de Minas Gerais existe uma grande diversidade de espécies de palmeiras, que apresentam grande potencial de utilização tanto na alimentação humana, aplicação em cosméticos, e atualmente, na produção de biocombustíveis através do óleo que essas palmeiras contêm. Destacam-se nesse grupo de plantas a macaúba (Acrocomia aculeata Jacq. Lodd ex Mart), o babaçu (Attalea compta Mart), o buriti (Mauritia flexuosa), a guariroba, a jussara que são mais as conhecidas. Todas carregam nomes indígenas e têm grande valor na vida das comunidades rurais e tradicionais do Cerrado.

Babaçu

Espécie do Cerrado

O babaçu (nome cientifico: Attalea ssp.), também conhecido como baguaçu, coco-de-macaco e, na língua tupi, uauaçu, é uma nobre palmeira nativa da região Norte e das áreas de Cerrado. Encontra-se em formações conhecidas como babaçuais, que cobrem cerca de 196 mil km² no território brasileiro, com ocorrência concentrada nos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí, na região conhecida como Mata dos Cocais (transição entre CaatingaCerrado e Amazônia).

No primeiro plano um cacho de babaçu. No segundo plano, a palmeira da planta (Foto: DoDesign-s)

No primeiro plano um cacho de babaçu. No segundo plano, palmeiras da espécie (Foto: DoDesign-s)

A árvore pode atingir de 10 a 30 metros de altura e suas grandes folhas arqueadas podem chegar a oito metros de comprimento. Cada palmeira pode apresentar entre três a cinco longos cachos de flores amareladas. O pico de florescimento acontece entre janeiro e abril e os frutos amadurecem entre agosto e dezembro. Cada cacho, por sua vez, pode produzir de 300 a 500 cocos. A casca do fruto é resistente e, no seu interior, há de 3 a 5 amêndoas que têm valor comercial por serem a principal matéria-prima para a produção do óleo de coco do babaçu.

Costuma-se dizer que tudo se aproveita desta palmeira. Suas folhas são utilizadas na armação de cobertas para casa e, nos períodos de seca, para alimentação animal. As fibras destas mesmas folhas são utilizadas para produzir cestos, peneiras, esteiras, entre outros produtos artesanais. Seu estipe é utilizado na marcenaria e, algumas vezes, como adubo natural. É possível ainda se extrair o palmito e, do caule da palmeira jovem, uma seiva que, fermentada, produz vinho.

As amêndoas verdes ainda fornecem um leite com propriedades nutritivas semelhantes ao leite humano e bastante utilizado na culinária. Do mesocarpo é extraída uma farinha, também chamada pó de babaçu, muito nutritiva, usada como complemento alimentar e para fazer bolos e mingau. Tem propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, é rica em fibras, portanto, ótima para combater prisão de ventre, colite e obesidade, pois torna o fluxo intestinal mais eficiente.

Babaçu sendo descascado por quebradeira

Babaçu sendo descascado por quebradeira. Foto: Peter Caton/ISPN

Mas o principal fim das amêndoas é a produção de óleo de coco do babaçu. Este é amplamente utilizado na indústria cosmética, alimentícia, de sabões, detergentes, lubrificantes, entre outras e na alimentação das comunidades da região do Cerradoe transição com a Amazônia. A extração das amêndoas é tradicionalmente caseira, feita pelas populações locais e pelas “quebradeiras de coco”. Seu óleo possui alto índice de saponificação, o maior dos óleos vegetais de uso industrial, e baixa concentração de iodo. O endocarpo é usado para fazer um carvão de alto potencial calorífico.

Para completar, a dura casca do coco do babaçu ainda pode ser utilizada para produção de etanol, metanol, gases combustíveis, coque, carvão reativado, ácido acético e alcatrão, de grande aplicação industrial.

Tabela nutricional

>> Faça download da tabela nutricional do Babaçu (PDF)

Publicação para download

>> Manual Tecnológico de Aproveitamento Integral do Babaçu (PDF)

Fonte: http://www.cerratinga.org.br/babacu/

A atividade extrativista do coco babaçu ainda é o único sustento de muitas famílias que vivem na zona rural do Maranhão, que é representado pelo personagem da famosa quebradeira de coco em um trabalho de subsistência, onde muito dessas mulheres herdaram a profissão que era passada de geração em geração. A exemplo de Dona Ercilia, uma das quebradeiras de coco mais antigas do Brasil, que com 84 anos ainda está em plena atividade. O babaçu representa o principal produto do extrativismo vegetal do Maranhão. No Estado, uma quarta parte do território encontra-se coberta por babaçuais. Cada palmeira pode apresentar, até, seis cachos de cocos, sendo responsável por 80% da produção nacional de amêndoas e cerca de setenta subprodutos que dele, tudo se aproveita. Suas folhas arqueadas chegam a medir oito metros de comprimento e, nas zonas rurais, são utilizadas como telhado das casas.

Maranhão Rural (2015)

Buriti

Espécie do Cerrado

O Buriti ou Miriti (Mauritia flexuosa) é uma planta de ampla distribuição no território nacional. Pode alcançar 30 metros de altura e ter um caule com espessura de até 50 cm de diâmetro. A espécie habita terrenos alagáveis e brejos de várias formações, sendo muito encontrada em veredas, fitofisionomia típica do Cerrado. O buriti floresce quase o ano inteiro, mas principalmente nos meses de abril a agosto. A produção de frutos é intensa, de cinco a sete cachos por ano, cada um destes com 400 a 500 frutos. (Cerratinga).

Buriti descascado (Foto: Luis Carrazza/ISPN)

Buriti descascado (Foto: Luis Carrazza/ISPN)

Existem buritis machos e fêmeas. Os primeiros produzem cachos que apenas resultam em flores; já no caso das fêmeas, as flores se transformam em frutos. Ainda assim, é preciso aguardar aproximadamente um ano para que os frutos estejam maduros e aptos para a colheita, o que acontece entre os meses de dezembro e fevereiro.

Buritizal (Foto: Peter Caton/ISPN)

Buritizal (Foto: Peter Caton/ISPN)

A casca dura do buriti é uma proteção natural contra predadores e contra a entrada de água. A polpa do fruto é saborosa e possui coloração alaranjada, sendo acompanhada, em geral, de um caroço, que é a semente da espécie. Em alguns casos, no entanto, podem ser encontrados dois caroços ou nenhum. A colheita do fruto é trabalhosa, requerendo que os frutos maduros sejam colhidos do chão, após terem caído naturalmente. Alguns coletores cortam os cachos no pé do buriti, assim que os frutos amadurecem e começam a cair.

Cacho de buriti (Foto: Bento Viana/ISPN)

Cacho de buriti (Foto: Bento Viana/ISPN)

O buriti fornece palmito comestível, mas pouco utilizado. O óleo da polpa é usado para frituras e sua polpa, depois de fermentada, se transforma em vinho. Também é possível encontrar produtos beneficiados como doces e picolés. Seus frutos podem ser utilizados ainda na alimentação animal.

Raspas de buriti (Foto: Acervo ISPN)

Raspas de buriti (Foto: Acervo ISPN)

O artesanato e a ornamentação se valem da riqueza e beleza desta planta. A madeira pode ser utilizada em áreas externas da casa, as fibras de suas folhas podem ser utilizadas na confecção de esteiras, cordas e chapéus. Sua amêndoa resistente também é utilizada para pequenas esculturas. O fruto do buriti é rico em vitamina C e é um alimento energético.

Publicações para download

>> Manual Tecnológico de Aproveitamento Integral do Buriti (PDF)

>> Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Buriti (PDF)

Coquinho Azedo

Espécie do Cerrado

O coquinho azedo (nome científico: Butia capitata) é uma palmeira de tamanho médio que ocorre no Cerrado dos estados da Bahia, Goiás e Minas Gerais. Também é conhecido como coquinho, coco-cabeçudo ou butiá. Sua copa é coberta por folhas verde-acinzentadas que, à luz do sol, lhe confere um brilho particular. A árvore pode alcançar quatro metros de altura e possui flores amarelas que brotam em cachos.

Coquinho azedo - cachos (Foto: Vítor Vinícius de Lima)

Coquinho azedo – cachos (Foto: Vítor Vinícius de Lima)

Cada pé de coquinho azedo produz, em média, três cachos por ano, podendo, no entanto, chegar a 15 cachos/ano. Em geral, cada cacho produz cerca de 180 frutos, mas pode variar de 18 a 555. Os frutos são arredondados, medem cerca de 2 centímetros de comprimento e quando maduros tem coloração amarela, com polpa comestível de sabor azedo a adocicado, rica em fibras, vitaminas A e C, além de potássio.

Coquinho azedo - fruto cortado ao meio (Foto: Acervo ISPN)

Coquinho azedo – fruto cortado ao meio (Foto: Roberto Cardoso)

Cada fruto possui de uma a duas sementes ou amêndoas, cobertas por uma casca muito dura que dificulta a germinação. A amêndoa, também comestível, é rica em gordura, proteínas e minerais e é aproveitada na produção de doces, pães, biscoitos e óleos.

Coquinho azedo - frutos (Foto: Acervo ISPN)

Coquinho azedo – frutos (Foto: Acervo ISPN)

Devido às suas propriedades nutricionais e ao delicioso sabor, o coquinho azedo resulta em uma série de produtos beneficiados como sucos, polpas, picolés, geleias, licores e sorvetes, assim como é muito apreciado in natura. O potencial nutricional deste fruto tem levado alguns municípios dos estados onde ocorre a adotarem este produto do Cerrado no cardápio da alimentação escolar.

Coquinho azedo - árvore (Foto: Vítor Vinícius de Lima)

Coquinho azedo – árvore (Foto: Vítor Vinícius de Lima)

Tabela nutricional

>> Faça download da tabela nutricional do Coquinho azedo (PDF)

Publicação para download

>> Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Coquino Azedo (PDF)

Gueroba

Espécie do Cerrado

A gueroba (nome científico Syagrus oleracea) é  uma palmeira do bioma Cerrado, mas pode ser encontrada em outras regiões do país. É também conhecida como gueiroba, gariroba, gairoba, jaguaroba, catolé, pati, pati-amargosa, coqueiro-amargoso e palmito-amargoso. A origem do nome provém da palavra gwarai-rob, da língua tupi, e significa o indivíduo amargo. A palmeira pode ser encontrada nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

Coco Gueroba (Foto: Bento Viana/ISPN)

Coco Gueroba (Foto: Bento Viana/ISPN)

De caule fino e reto, a planta, adaptada a regiões de clima quente, chega a atingir até vinte metros de altura. Tem folhas e flores que surgem em cachos. Dá frutos entre os meses de junho a janeiro. Cada palmeira produz entre quatro e oito cachos, sendo que cada cacho possui em média 217 cocos. Cada coco pesa em média 35 gramas.

É dos cocos que se retira a amêndoa, utilizada para fazer doce, conhecido como doce de taia, entre outras receitas. No passado era usada para fazer óleo de cozinha e sabão de cinzas. O óleo da polpa é comestível. O óleo da amêndoa possui propriedades medicinais e é usado principalmente na produção de cosméticos.

O palmito da gueroba é de sabor amargo e bastante utilizado na culinária, especialmente nos estados de Goiás e Minas Gerais. As folhas e a polpa dos cocos são muito utilizadas para complementar a alimentação do gado.

Além dessas funções, a gueroba é usada para ornamentar jardins, parques e praças. O seu extrativismo predatório para a extração de palmito já reduziu drasticamente os guerobais nativos.

Publicação para download

>> Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável da Gueroba (PDF)

Jussara

Jussara (Euterpe edulis) é a palmeira encontrada em parte do Cerrado e em toda a Mata Atlântica, podendo chegar ate 20 metros de altura. A juçara é muito mais utilizada para a produção de palmito pois tem um palmito de valor agregado. É mais adocicado e melhor para venda que o açai.

 

 

Macaúba

Espécie de vários biomas

A macaúba (nome científico Acrocomia aculeata) é uma palmeira que alcança até 25 metros de altura e possui espinhos longos e pontiagudos. Ela pode ser encontrada em quase todo o Brasil e por isso é também conhecida por outros nomes, como bocaiúva, macaiba, coco-baboso e coco-de-espinho. Os frutos são importantes para a fauna nativa, pois alimentam araras, cotias, capivaras, antas e emas.

Macaúba (Foto: DoDesign-s)

Macaúba (Foto: DoDesign-s)

Com folhas de até 5 metros de comprimento, apresenta flores e frutos em cachos que podem chegar a 60 quilos. As flores atraem abelhas e os frutos, marron-amarelados, produzem óleo. A macaúba dá frutos quando alcança entre três e cinco anos de idade.

Macaúba (Foto: DoDesign-s)

Macaúba (Foto: DoDesign-s)

Seu aproveitamento vai do fruto até a madeira. A polpa e a farinha retirada de seus frutos são ricas em vitamina A e betacaroteno e podem ser usadas para fazer suco, sorvete, bolos, pães e doces. As folhas servem para a confecção de redes e linhas de pescaria. Já a madeira pode ser aproveitada para ser utilizada em casas e outras construções no campo.

Macaúba (Foto: DoDesign-s)

Macaúba (Foto: DoDesign-s)

O óleo da amêndoa é usado na produção de sabão, sabonete, margarina e cosméticos. O Brasil desenvolve pesquisas com a macaúba com foco na produção de biodiesel, combustível feito a partir de óleos vegetais.

Polpa de macaúba

A polpa de macaúba tem um altíssimo valor nutricional, com alta quantidade de proteína, rica em vitamina A que é boa para visão, possui ainda um alto valor energético. A farinha da polpa desse fruto pode ser usada em diversas receitas como geleia, bolos, biscoito, sorvete e licores. A coleta e o beneficiamento da polpa são feitos manualmente, observando-se as normas sanitárias.

Farinha de macaúba

De bela coloração amarela, gosto autêntico e exótico, a farinha de macaúba (ou bocaiúva) chama a atenção pela sua versatilidade e praticidade. Com ela pode-se fazer bolos, doces, sorvetes, vitaminas. Tem alto valor nutritivo e é rica em carotenoides, proteínas, fibras e minerais como cobre, fósforo e magnésio.

Óleo de macaúba

O óleo de coco macaúba extravirgem é versátil, podendo ser usado como óleo de mesa em saladas, grelhados e em receitas diversas. Como todo óleo vegetal, seu consumo ajuda a regular o colesterol. É semelhante ao azeite de oliva com relação à textura e possui um excelente sabor, além de ser rico em vitamina A.

Sabonete de macaúba

Produto de origem vegetal, limpa e hidrata naturalmente a pele. É um produto 100% vegetal e artesanal, portanto não causa danos ao meio ambiente.  O manejo da macaúba é realizado por agricultores familiares, promovendo a melhoria na vida dessas pessoas envolvidas e também a manutenção de um ambiente ecologicamente equilibrado.

Sabão em barra de macaúba

O sabão em barra de macaúba é ideal para lavar tanto roupas como louças, pois é um produto não tóxico e biodegradável. Por causa dessas características ele não irrita a pele. Esse sabão é um produto do extrativismo, que valoriza a biodiversidade do Cerrado e gera renda ao fazer o uso sustentável do coco da macaúba.

Fonte: http://www.cerratinga.org.br/macauba/

Programa “Um pé de quê”, apresentado por Regina Casé, conta a história da palmeira Macaúba no Brasil, suas características e propriedades.

Publicações:

  • MARTINS, Renata Corrêa. A família Arecaceae (Palmae) no estado de Goiás: florística e etnobotânica. 2012. 297 f., il. Tese (Doutorado em Botânica)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012. Disponível em http://repositorio.unb.br/handle/10482/12165

Resumo: A família Arecaceae Schultz-Sch. (Palmae Juss.) pertence ao grupo das monocotiledôneas e está incluída entre as angiospermas mais antigas do Planeta. Apresenta distribuição predominantemente tropical e subtropical, sendo.a única família da ordem Arecales Bromhead. Estudos moleculares indicam que a família é monofiletica. São reconhecidas cinco subfamílias, 240 gêneros e cerca de 2522 espécies. Em geral a família representa um grande potencial para populações, por apresentar diversidade de espécies, ocorrer em todos os tipos de habitat, fazer parte da cultura e da economia familiar de muitas comunidades tradicionais ou não tradicionais. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivos principais: reconhecer formalmente as espécies de Arecaceae nativas no Estado de Goiás e realizar um estudo etnobotânico sobre o seu uso em uma comunidade quilombola Kalunga em Cavalcante, no Estado de Goiás, Brasil. Para o estudo da flora foram realizadas expedições de coleta e análise de material herborizado depositado em diversos herbários do Brasil e do exterior. O status conservacionista de todas as espécies foi avaliado, usando-se os critérios da IUCN. Para o estudo etnobotânico foram realizadas entrevistas, com o uso de estímulos visuais (check list-entrevista), nas residências da comunidade Kalunga Engenho II. Foram realizadas 88 entrevistas individuais, sendo 56 mulheres e 32 homens, entre 18 e 82 anos de idade. Foi confirmada a ocorrência de 42 espécies nativas em Goiás, distribuídas em 13 gêneros. Syagrus é o gênero mais representativo (11 spp.), seguido de Astrocaryum G.Mey (8 spp.), Attalea Kunt (6 spp.) Acrocomia Mart. (3 spp.), Allagoptera Nees (3 spp, sendo uma ainda não descrita, i.e., sp. nov.), Butia (Becc.) Becc. (3 spp.), Bactris Jacq. ex Scop. (2 spp.). Seis gêneros estão representados por apenas uma única espécie (Desmoncus Mart., Euterpe Mart., Geonoma Willd., Mauritia L.f., Mauritiella Burret e Oenocarpus Mart.). A Chapada dos Veadeiros foi reconhecida como um centro e diversidade para o genero Syagrus. As serras do Estado devem ser exploradas como outros centros de diversidade de palmeiras. Quatro espécies de Astrocaryum foram consideradas extintas. A coleta e preservação de coleções de herbário representam um desafio especial para quem se propõe a estudar esta família. Dezesseis espécies de palmeiras, pertencentes a nove gêneros, são reconhecidas pela comunidade amostrada. A palmeira mais importante para esta comunidade é o Buriti (Mauritia flexuosa), seguida de Indaiá (Attalea compta) e Macaúba (Acrocomia aculeata). A utilização da fotografia foi um excelente recurso para a avaliação do reconhecimento e uso das palmeiras pelo povo Kalunga da comunidade Engenho II. Todas as palmeiras presentes na região da comunidade foram citadas como úteis pelos entrevistados. As categorias: alimentícia, artesanato e construção foram as que apresentaram o maior número de citações. As variáveis: gênero, idade e escolaridade não interferiram na quantidade de plantas reconhecidas e usadas pelos Kalungas. Os índices calculados para avaliar a distribuição do conhecimento entre os Kalungas demonstraram que o conhecimento sobre elas está bem distribuído na comunidade. A continuidade dos estudos sobre as palmeiras nativas (incluindo florística, taxonomia, anatomia, filogenia e conservação), é uma prioridade para o bioma, que sofre transformações rápidas e profundas. Estudos etnobotânicos com foco no conhecimento, uso e manejo destas plantas podem promover o entendimento dos problemas e dos potenciais para a conservação e exploração das palmeiras. Este trabalho representa uma modesta contribuição para iniciar a caminhada em direção a uma maior compreensão das palmeiras nativas do Cerrado, sua importância ecológica, econômica e etnobotânica.