Botânica

Herbário da Universidade de Brasília

A maior parte das consultas visa a identificação de plantas desconhecidas, principalmente para a pesquisa, mas também pela comunidade em casos de planta medicinal, planta que causou intoxicação, etc (contactar o CDT para agendar a identificação = 3. Outro serviç freqüentemente prestado pelo herbário, é o fornecimento de informações adicionais sobre plantas cuja identidade o consultante já conhece, tais como época de floração ou frutificação, usos, sinônimos, autores dos nomes científicos, ocorrência geográfica e freqüência. Ocasionalmente, o Herbário é procurado por pessoas que desejam prestar informação sobre plantas medicinais usadas com êxito, plantas alimentícias raras ou interessantes, ou plantas causadoras de intoxicação.

Saia Velha corrego, DF

O Herbário dispõe ainda de uma biblioteca com várias obras clássicas tais como a Flora Brasiliensis de F. von Martius, e o Dicionário de Plantas Úteis do Brasil de M. Pio Corrêa, além de periódicos, livros, teses diversas e cerca de 2.000 separatas organizadas por título do periódico e que estão em processo de serem indexadas e computador por um sistema ad hoc. Esta Biblioteca é consultada por alunos de diversos cursos de graduação e pelos alunos de pós-graduação em Botânica. O Herbário produz uma publicação bianual, o “Boletim Informativo do Herbário da Universidade de Brasília”, cujo 4o número foi lançado em 1998, contendo uma listagem de nossos tipos (cerca de 800 tipos).

Está sendo montada no Herbário, uma coleção comparativa da flora do Distrito Federal. Esta coleção, constando de uma exsicata com flor e outra com fruto de todas as plantas vasculares do Distrito Federal, será ilustrada com fotografias, slides, descrições e dados detalhados de habitat, devendo ser de grande utilidade para a comunidade biológica, facilitando muito a rápida identificação das plantas locais e permitindo a expedita atualização de nomes em casos de mudanças nomenclaturais. O herbário participa do Projeto Reflora, de repatriamento diigital de amostras da flora brasileira.

Contatos:

Cássia Munhoz (Curadora)
Carolyn Proeça (Pesquisadora)

Depto. de Botânica, C.P. 4457, Campus da Universidade de Brasília, 70919-970 Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Telefone: 61-3107-2967.

E-mail: herbario@unb.br

http://www.florescer.unb.br/bol/ub

CEMA

O CEMA (Comitê Estudantil pelo Meio Ambiente) é um grupo formado por estudantes da UnB engajados na luta pela preservação do meio ambiente.

Em busca de um envolvimento estudantil efetivo nas questões ambientais regionais e nacionais, extensão do conhecimento, representatividade política ambiental e posicionamento diante da problemática socioambiental, os cursos de Ciências Ambientais, Ciências Biológicas, Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal se reuniram em outubro de 2014 para maior articulação em prol dessas metas.

Os estudantes de Ciências da Vida que compõem o CEMA, se unem com o objetivo de promover o equilíbrio da relação do homem com a natureza garantindo o acesso aos recursos naturais de forma mais justa e democrática. Para isso, o grupo busca concretizar projetos de transição para a sustentabilidade, participar e divulgar debates político ambientais e difundir conhecimentos sobre o assunto dentro e fora do meio acadêmico, aumentando, assim, o interesse da sociedade por questões de cunho socioambiental.

CDS

O Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS é uma unidade permanente de ensino, pesquisa e extensão da Universidade de Brasília – UnB, vinculada diretamente à Reitoria, por meio do Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação – DPP. É um espaço acadêmico cuja missão é promover a ética da sustentabilidade, por meio do diálogo entre saberes, da construção do conhecimento e da formação de competências.

O CDS tem o Curso de Graduação de Ciências Ambientais da UnB, criado em 2009, é gerido por um consórcio de unidades da UnB, incluindo, além do CDS, o Instituto de Química, o Instituto de Geociências, o Instituto de Biologia e o departamento de Economia.

O profissional formado por este curso de graduação deverá ter capacidade de avaliar, caracterizar e diagnosticar diferentes problemas ambientais e propor medidas mitigadoras, além de planejar e manejar recursos naturais de forma sustentável. A visão interdisciplinar é a característica central de sua formação.

O estudante de Ciências Ambientais tem uma formação básica em diversas áreas das Ciências Ambientais. Ao mesmo tempo, tem que aprofundar sua formação em pelo menos uma das quatro cadeias de seletividade do curso: 1) Conservação e Uso da Biodiversidade; 2) Manejo e Conservação de Recursos Hídricos e Solos; 3)Planejamento Ambiental; 4) Políticas de Sustentabilidade.

As opções de carreira incluem planejamento, gestão e regulação ambiental no setor privado e público e organizações não-governamentais, mediação e resolução de conflitos ambientais, além de consultorias.

Saiba mais informações sobre o currículo da habilitação de Ciências Ambientais aqui (https://matriculaweb.unb.br/graduacao/curriculo.aspx?cod=2321)

O Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS mantém o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável – o PPG-CDS, cujo funcionamento começou em 1996. O PPG-CDS oferece dois cursos acadêmicos de pós-graduação (estrito senso):

(1) Doutorado em Desenvolvimento Sustentável, área de concentração Política e Gestão Ambiental (primeira turma admitida em 1996);

(2) Mestrado Acadêmico em Desenvolvimento Sustentável, área de concentração Política e Gestão Ambiental (primeira turma admitida em 1998).

O Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais (MESPT) visa à formação de profissionais para o desenvolvimento de pesquisas e intervenções sociais, com base no diálogo de saberes (científicos e tradicionais) e em prol do exercício de direitos, do fortalecimento de processos autogestionários da vida, do território e do meio ambiente, da valorização da sociobiodiversidade e salvaguarda do patrimônio cultural (material e imaterial) de povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais.

O MESPT é um curso semipresencial, com carga horária de 420 horas e duração de 24 meses. As atividades presenciais são realizadas nas instalações da Universidade de Brasília (nos campi Darcy Ribeiro e Planaltina) e distribuídas em 7 momentos presenciais, com variação de 1 a 5 semanas.

Atualmente, as linhas de pesquisa do MESPT são as seguintes:

a) Gestão Territorial e Ambiental;

b) Educação Intercultural para a Sustentabilidade;

c) Produção Sustentável e Segurança Alimentar.

O Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (MESPT) é um curso específico, voltado para a formação, exclusivamente, de profissionais (indígenas, quilombolas e outros sujeitos sem marcadores de diferença étnica) que já atuam no mercado de trabalho, em órgãos públicos, empresas ou organizações da sociedade civil (de assessoria ou base comunitária) e têm o interesse de refletir sobre a sua prática profissional e potencializar suas intervenções em benefício de povos e territórios tradicionais. Por isso, todo(a) candidato(a) ao curso deve comprovar seu vínculo de trabalho (e não necessariamente vínculo empregatício) com órgão de governo, empresa ou organização não governamental.

Do ponto de vista metodológico, o curso também tem especificidades, porque baseia-se no diálogo de saberes (acadêmicos e tradicionais). Por isso, as turmas de estudantes são multiétnicas, bem como o corpo docente, que integra professore(a)s indígenas e quilombolas, dentre outro(a)s.

Clique nos links abaixo para ver o vídeo no qual a professora Mônica Celeida explica os fundamentos e o plano político pedagógico que orienta o MESPT. 

Entrevista concedida em dez 2015.

https://www.youtube.com/watch?v=btlPqNzx6Ec

https://www.youtube.com/watch?v=nFv9JOmzziQ

https://www.youtube.com/watch?v=vIjaVGc2DGg

Site: http://www.mespt.unb.br/

Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS)

Universidade de Brasília (UnB)

Campus Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte

MESPT Caixa Postal 4325 AC UnB CEP: 70.904-970, Brasília – DF

Email: mespt@unb.br

Telefone: (61) 3107-5972 ou 3107-6001

Campus Universitário Darcy Ribeiro – Gleba A – Asa Norte – Brasília-DF
CEP 70.904-970

Telefones: 55(61)3107-6000, 3107-6001, 3107-5965
E-mail: secretariappgcds@gmail.com
Atendimento: 08 às 13h e das 14h às 17h (segunda à sexta-feira)

Site: http://cdsunb.org

Revista Sustentabilidade em Debate

Sustentabilidade em Debate é a revista científica do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília.
Responsabilidade Institucional
Centro de Desenvolvimento Sustentável; Laboratório de Energia e Ambiente; Laboratório do Ambiente Construído e Inclusão Social – todos da Universidade de Brasília.
Site
http://periodicos.unb.br/index.php/sust
ISSN 2179-9067

Missão

Publicar textos originais, baseados em pesquisa interdisciplinar, capazes de ter forte impacto nos estudos conduzidos nos campos do desenvolvimento sustentável e nas políticas da sustentabilidade, em escala global.
Conceito no Qualis – CAPES
Tem conceito B1 no Comitê de Ciências Ambientais da CAPES.
Formato Eletrônico
Acesso ao conteúdo Livre
Público-alvo
A comunidade científica nacional e internacional, assim como usuários do conhecimento sobre desenvolvimento sustentável e políticas de sustentabilidade, no governo, nas agências internacionais, na sociedade civil, nas ONGs e no setor privado.
Periodicidade: Quadrimestral
Idiomas: português, inglês, francês e espanhol.
Acesse aqui a revista!

Site: http://www.cds.unb.br/cds/portal2/index.php/pt/

Lab. de Ecossistemas

CONSIDERANDO O NEXO ENTRE SEGURANÇA HÍDRICA, ENERGÉTICA E ALIMENTAR E AS COMUNIDADES TRADICIONAIS: UMA ABORDAGEM INTEGRADA PARA O CERRADO

O Cerrado concentra a maior produção agrícola e pecuária do Brasil, um resultado alcançado às custas da conversão de mais da metade da vegetação nativa do bioma e significativas consequências sobre a biodiversidade, o balanço hidrológico e o clima regional. Os efeitos cumulativos advindos do avanço da fronteira agrícola associados às mudanças climáticas globais em curso têm tornado o regime de precipitação menos previsível, com impactos diretos sobre a produtividade das lavouras e pastagens, o abastecimento de água para a população, e a geração de energia nas hidrelétricas. Neste contexto, os esforços para o aumento na produção de alimentos têm focado não somente na expansão das áreas cultivadas, mas também na intensificação e adoções de nova técnicas de manejo para mitigar os efeitos dos extremos climáticos. Estas medidas, no entanto, podem aumentar as demandas de uso da água e de energia, o grau de ameaça da biodiversidade, e a vulnerabilidade dos pequenos agricultores e comunidades tradicionais que sofrem com as rápidas mudanças na paisagem.

Buscando avançar no conhecimento científico e social sobre como a produção de alimentos no Cerrado impacta ou é impactada pelo clima, e como a expansão e intensificação da agricultura pode mudar as demandas do uso da água e energia e o grau de vulnerabilidade das populações tradicionais, este projeto visa integrar várias bases de dados já existentes e algumas em construção para alcançar os seguintes objetivos:

1) definir para o tempo presente os limitantes climáticos e hidrológicos para a produção e intensificação agrícola;

2) avaliar como a intensificação da agricultura e as técnicas de manejo para mitigação das variações climáticas têm afetado as demandas de uso da água e de energia;

3) avaliar o grau de vulnerabilidade das populações tradicionais, incluindo povos indígenas e quilombolas, diante da expansão e intensificação agrícola, e mudanças climáticas;

4) avaliar os benefícios da recuperação de áreas degradadas para os recursos hídricos, a conservação da biodiversidade e a estabilidade do clima regional.

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Equipe

Universidade de Brasília: Mercedes Maria da Cunha Bustamante (Coordenadora), Bárbara de Queiroz Carvalho Zimbres, Letícia Gomes da Silva, Ariane de Almeida Rodrigues, Jéssica Schüler

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia: Paulo Monteiro Brando, Ane A. Alencar, Divino Vicente Silvério, Leandro Maracahipes dos Santos, Julia Zanin Shimbo, Paulo Ricardo Ilha Jiquiriçá, Lucas Navarro Paolucci, Nubia Carla Santos Marques, Leonardo Maracahipes dos Santos, Wanderley Rocha da Silva, Karinna Matozinhos, Cristina Dias da Silva Amorim

Universidade Federal de Goiás: Laerte Guimarães Ferreira Junior, Claudinei Oliveira dos Santos

Universidade do Estado de Mato Grosso: Eddie Lenza de Oliveira, Charles Caioni, Antônio Carlos Silveiro da Silva,  Robson Santana de Oliveira, Manoel Euzebio de Souza, Ana Heloisa Maia

Woods Hole Research Center: Marcia Nunes Macedo, Ludmila Rattis, Michael Coe, Christopher Neill, Paul A. Lefebvre

University of British Columbia: Michael J. Lathuillière

Max Planck Biogeochemistry: Susan Trumbore

Para encontra mais informações sobre este e outros textos, acesse http://bustamantelab.com.br/pt/

UnB Cerrado

O Centro de Estudos do Cerrado da Chapada dos Veadeiros – Centro UnB Cerrado é um espaço interdisciplinar, em que cultura, educação, conhecimento científico e tradicional coexistem como forma de promover a sustentabilidade socioambiental.

Tem como objetivo implementar políticas educacionais e de pesquisa para o conhecimento e difusão do potencial da região, capacitando profissionais para a pesquisa científica e efetivação de projetos que visem o desenvolvimento humano com responsabilidade socioambiental.

A partir da atuação de uma equipe multidisciplinar de docentes da Universidade de Brasília, o Centro desenvolve projetos e cursos de extensão, utilizando metodologias inovadoras, com planejamento participativo e privilegiando a prática e a ação-reflexão-ação. Assim, possibilita aos participantes desenvolverem ações que contribuam para o fortalecimento da cidadania proativa, com conteúdos voltados para a sustentabilidade, formando cidadãos autônomos, críticos e reflexivos, aptos a trabalharem com situações reais e de acordo com o contexto em que vivem, em prol da transformação da sociedade.

Trabalha em parceria com diversas organizações da sociedade e instituições públicas que têm atuação local e regional, por meio de seu Conselho de Programas e Projetos (conselho comunitário) e de parcerias em projetos e na realização de eventos.

https://www.facebook.com/centrounbcerrado/

Rua 06 Quadra 07 Lote 09, Setor Planalto – Alto Paraíso – GO Cep: 73770-000
Telefone: (62) 3446-1710

Blog: unbcerrado.blogspot.com.br

Produção Agroecológica (NASPA)

Este núcleo foi criado por professores do Centro UnB Cerrado e profissionais e estudantes de Alto Paraíso de Goiás por meio da Chamada MCTI/Ação Transversal–LEI/CNPq Nº 82/2013 – Segurança Alimentar e Nutricional no Âmbito da UNASUL e ÁFRICA – com o objetivo de fortalecer a segurança alimentar e nutricional na Chapada dos Veadeiros, a partir da valorização e ampliação da produção agrícola de base agroecológica de alimentos, capilarizando sua distribuição permitindo o acesso dos consumidores a produtos de custo adequado ao poder aquisitivo da população regional.

Para mais informações acesse o site oficial do NASPA clicando AQUI.

Projetos

Jóias da Chapada: Diversidade, Conservação e Ecologia dos Anfíbios da
Região da Chapada dos Veadeiros

Reuber Albuquerque Brandão

O projeto tem como principais objetivos estudar, avaliar, classificar e preservar a fauna de anuros do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, conhecido por sua diversidade e abundância de espécies. São mais de 50 espécies de anuros encontradas na região, o que a torna uma das localidades mais ricas de todo o bioma Cerrado.

Assim, o projeto já conseguiu resultados importantes, como a descrição do canto da rã Leptodactylus tapiti, uma espécie restrita à Chapada dos Veadeiros, de ecologia pouco conhecida; a descrição de três novas espécies de anuros do gênero Proceratophrys(Odontophrynidae).

A descrição de uma nova espécie do gênero Scinax desenvolvidos no projeto foram três trabalhos de IC, uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado. Também foi feito o primeiro registro do fungo Batrachochytrium endrobatidisparasitando espécies do Cerrado, possibilitando um alerta sobre a conservação das espécies de riacho, entre outros fatos descobertos pelo projeto.

Publicação de Artigo: CLIQUE AQUI

Comunidade de grandes mamíferos do Parque Nacional da Chapada dos
Veadeiros: o efeito de cães domésticos sobre a ocupação das espécies ameaçadas

Isadora Cristina Motta Lessa

O projeto busca monitorar áreas com e sem a presença de cães domésticos para avaliar sua influência na ocupação de áreas pelos mamíferos nativos da região, uma vez que a presença do animal doméstico afasta as espécies naturais.

O trabalho é feito por meio de armadilhas fotográficas distribuídas em 12 módulos, sendo que oito deles estão no entorno do Parque Nacional, sendo quatro próximos a casas com cães e outros quatro em residências sem a presença do animal doméstico. Os outros quatro pontos estão no interior do Parque.

Desta maneira, o uso de hábitaté avaliado de acordo com a relação da probabilidade de ocupação, em busca de diretrizes para um manejo e conservação de mamíferos nativos na área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Ecologia e conservação de médios e grandes vertebrados frente a impactos antrópicos e a eficácia do turismo para a conservação da biodiversidade

André Cunha

Este projeto busca avaliar os potenciais impactos positivos e negativos do turismo na Chapada dos Veadeiros. A relação entre a preservação do Parque Nacional da Chapada – principalmente em relação aos mamíferos de médio e grande porte – e a questão econômica promovida pela visitação é o ponto principal de pesquisa, uma vez que é sabido que, apesar de importantes, atualmente, a maioria dos vertebrados de médio e grande porte possui populações pequenas e fragmentadas pela ação humana, sendo altamente suscetíveis à extinção.

Assim, para avaliar o impacto na fauna são dispostas armadilhas fotográficas em áreas visitadas e não visitadas. Resultados preliminares indicam que algumas espécies de mamíferos evitam as áreas visitadas.

A motivação e satisfação com a experiência da visitação e a contribuição para promover a sensibilização ambiental dos turistas, além dos impactos econômicos do turismo na região são investigados através de entrevistas com os visitantes. De cerca de 300 questionários já aplicados, podese perceber que a principal motivação dos turistas é ficar em contato com a natureza, que eles reconhecem a função primordial do parque para a conservação da natureza e que desejam aprender mais sobre o tema.

A pesquisa continua para poder promover o ecoturismo de forma responsável e bem planejada, com objetivo de provocar a reflexão, por parte dos visitantes, dos benefícios providos pelos recursos naturais e da problemática ambiental, em nível local e global.

Restauração ecológica e controle de gramíneas exóticas invasoras no
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Isabel Belloni Schmidt
Alexandre Bonesso Sampaio

Este projeto busca um manejo para a restauração de espécies nativas em áreas dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros que estão dominadas por gramíneas exóticas invasoras. Estas impedem a regeneração natural, a sucessão ecológica e alteram o regime de fogo – aumentando a frequência e intensidade de queimadas.

O manejo proposto é feito por meio de semeadura direta de espécies nativas, técnica relativamente barata e de fácil implementação em larga escala. Assim, o grupo que compõe o projeto vem testando a eficiência da semeadura direta de espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas como técnica de restauração ecológica.

Uma pastagem abandonada, coberta por Urochloa decumbens(capim-braquiária) e Andropogon gayanus(capim andropogon) foi roçada e recebeu a semeadura direta de 40 espécies nativas.

Seis meses após o plantio, a cobertura de exóticas foi reduzida de 95% para 66%, enquanto que a cobertura do solo por plantas nativas plantadas foi em média de 10%, seguindo a tendência de aumento conforme a densidade de plantio dos tratamentos. Foi possível concluir, então, que a técnica de semeadura direta mostrou-se eficaz para o estabelecimento de plantas nativas e que o preparo do solo antes do plantio é crucial para menor retorno das gramíneas exóticas invasoras, uma vez que nas áreas em que o solo foi menos gradeado, devido a variações naturais no terreno, a rebrota das gramíneas invasoras foi mais forte.

Guardiões das Águas da Chapada dos Veadeiros

Valéria Regina Bellotto

O projeto trabalha três ações paralelas e integradas em prol da qualidade da água da região. A primeira é o diagnóstico dos recursos hídricos disponíveis, com foco nos rios do município de Alto Paraíso de Goiás. Por meio de pesquisa na literatura e coleta, seguida de análise química, de amostras de água dos rios, os dados são coletados para a elaboração da situação inicial da área.

De posse desses dados e diagnóstico, a segunda ação do projeto consiste em educar e mobilizar a comunidade local quanto às condições dos recursos ídricos, o impacto das atividades humanas nestes e os conflitos de uso da água. Com base nesta etapa parte-se para a última fase do projeto: capacitação de jovens para formação de uma rede voluntária de monitoramento da qualidade das águas.

O objetivo é sensibilizar e despertar os jovens para a ciência, em particular a química, usando a natureza como exemplo de suas aplicações práticas e apacitar estas pessoas para um trabalho técnico de coleta, preservação e análise de água. As atividades envolvem, ainda, o desenvolvimento de habilidades na área da matemática, para alguns cálculos e para representação gráfica dos dados levantados e técnicas de redação. 

Mulheres do Cerrado: bases para uma Economia Solidária Ambiental

Tânia Cristina da Silva Cruz

O objetivo geral desta pesquisa é analisar qual a relação das mulheres do Cerrado – nas regiões de Alto Paraíso, Moinho, São João da Aliança, São Jorge, Cavalcante e Teresinha – todas no estado de Goiás – com a conservação do meio ambiente e o desenvolvimento de práticas e políticas públicas sustentáveis nos usos e manuseios do bioma.

Desta forma, a realização deste projeto busca contribuir na elaboração de um diálogo teórico-prático (que alimente tanto as discussões teóricas quanto as mobilizações de base comunitária) que busca dar visibilidade às experiências e contribuições das mulheres a um meio ambiente ecologicamente racional, sustentável e equilibrado. Parte-se do pressuposto de que, enquanto as contribuições das mulheres à sustentabilidade do meio natural e cultural não receberem reconhecimento e apoio, o desenvolvimento sustentável seguirá sendo um objeto de difícil alcance.

O estudo busca, ainda, identificar potenciais focos para produção local a partir de elementos da economia popular solidária, com geração de emprego e renda baseado na produção de artigos relacionados ao bioma do Cerrado. 

Saberes e fazeres tradicionais na Chapada dos Veadeiros

Regina Coelly Fernandes Saraiva
Mônica Celeida Nogueira

O objetivo geral desta pesquisa é analisar qual a relação das mulheres do Cerrado – nas regiões de Alto Paraíso, Moinho,

O projeto Saberes e Fazeres Tradicionais na Chapada dos Veadeiros é parte das ações estratégicas do Centro de Estudos do Cerrado na Chapada dos Veadeiros (Centro UnB Cerrado) que tem como objetivo principal promover o desenvolvimento regional sustentável da Chapada dos Veadeiros. As ações do Centro UnB Cerrado, desde sua criação, em 2011, estão voltadas para a mobilização de atores sociais locais, debates e reflexão sobre as possibilidades de um desenvolvimento regional que reconheça a importância e valorize o Cerrado na sua dimensão socioambiental e cultural.

O Centro UnB Cerrado tem sido um importante agente estimulador e mobilizador de iniciativas comunitárias, geração de informações e conhecimentos científicos úteis à sociedade regional, bem como um estimulador do conhecimento tradicional na região. A Chapada dos Veadeiros possui reconhecida importância em termos de diversidade ambiental, fato que justifica a presença de grande número unidades de conservação, com destaque para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Ao lado da diversidade biológica, encontra-se na região igual diversidade cultural, cujos principais representantes são famílias de agricultores, agroextrativistas, comunidades tradicionais e quilombolas, que ao longo de gerações desenvolveram saberes e fazeres próprios associados à biodiversidade nativa, além de expressões festivas e artísticas de grande beleza. A forte presença dessas comunidades é significativa e um olhar sobre elas é fundamental quando são pautadas questões relativas ao desenvolvimento regional sustentável. Na região, diante de processos de modernização saberes e fazeres de comunidades locais têm sido silenciados e pouco valorizados enquanto expressão e fonte de conhecimento sobre o Cerrado e essas comunidades.

O projeto visa contribuir com a valorização de saberes e fazeres tradicionais na Chapada dos Veadeiros, mobilizando atores sociais para o registro e gestão de suas histórias e memórias locais voltados para a sustentabilidade cultural e ambiental da região. A intenção é estimular o debate e a reflexão sobre as possibilidades de desenvolvimento regional e o papel a ser cumprido pelo Centro UnB Cerrado nesse contexto, qualificando iniciativas comunitárias e gerando informações e conhecimentos úteis à sociedade regional.

Paisagem e Indicadores de Qualidade Ambiental para o apoio a gestão da Saúde na Chapada dos Veadeiros

Helen da Costa Gurgel

O PIQASsO tem como objetivo a busca pela melhoria das políticas de saúde ambiental por meio de um método multidisciplinar de análise das situações ambientais e sanitárias adaptadas às regiões pobres do Brasil, como é o caso da região da Chapada dos Veadeiros. Ela abrange uma área de 21.475,60 Km2, e é composta por 8 municípios: Alto Paraíso de Goiás, Campos Belos, Cavalcante, Colinas do Sul, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma, Teresina de Goiás e São João D’Aliança. A população total do território, em 2010, era de 60.267 habitantes, dos quais 21.398 vivem na área rural, o equivalente a 35,51%. Possui quase 3.400 agricultores familiares, 1.450 famílias assentadas, seis comunidades quilombolas e uma terra indígena. Seu IDH médio é 0,68, o mais baixo de Goiás e um dos mais baixos do Brasil.

O trabalho busca, por meio da análise da paisagem – realizada por instrumentos de geoprocessamento – inovar na área de conhecimento das relações entre a saúde e o meio ambiente. Assim, o PIQASsO propõe construir uma bateria de indicadores capazes de produzir um diagnóstico do estado do território e das políticas de saúde pública aliado a uma avaliação do estado do meio ambiente. Os métodos propostos são concebidos para integrar os protocolos de tratamento dos dados estabelecidos pelo Observatório Nacional Clima e Saúde (Observatorium©) do Brasil.

O Meio Ambiente e o Audiovisual: A Memória, o registro e a produção de
narrativas audiovisuais na Chapada dos Veadeiros

Sérgio Ribeiro
Duda Bentes

O projeto Meio Ambiente e o Audiovisual busca produzir um registro audiovisual de todo o trabalho realizado pelo Centro UnB Cerrado, de forma que este material integre um banco de dados para futuras consultas e pesquisas sobre os projetos desenvolvidos pelo Centro.

A interdisciplinaridade é o principal argumento deste projeto, que tem como base a codificação e a organização da informação das diversas áreas de conhecimento envolvidas no Centro UnB Cerrado.

A intenção é servir como banco de referência para construções de acervo ou catálogo digital audiovisual que ficará disponível para futuros pesquisadores e estudantes. Basicamente, um resgate da memória e de conteúdos informativos sobre os estudos desenvolvidos ao longo dos anos.

Estratégias para o desenvolvimento do turismo sustentável na região da Chapada dos Veadeiros

Luiz Carlos Spiller Pena

O projeto abrange questões ambientais, históricas, culturais, socioeconômicas, de educação, saúde, turísticas, qualidade de vida e alimentação da região abarcada pelo Centro UnB Cerrado.

A meta é elaborar uma proposta de roteiro integrado para visitação na Chapada dos Veadeiros a partir da identificação e compreensão sobre a oferta turística e sua potencialidade.Isto é possível ao entender e integrar os diferentes grupos envolvidos com o desenvolvimento desse fenômeno, os desafios e potencialidades da região para o turismo, os subsídios para a definição de diretrizes de atuação e a promoção do desenvolvimento regional e sustentável da Chapada dos Veadeiros.

Teatro e expressões artísticas na Chapada dos Veadeiros

Jonas de Lima Sales

O projeto Teatro e expressões artísticas na Chapada dos Veadeirosabre caminhos para o conhecimento da cultura artística da comunidade, e o reconhecimento dos jovens envolvidos. O trabalho é feito por meio de oficinas de teatro e pesquisas sobre as principais expressões artísticas da região buscando confluências entre as ações do pesquisar e vivenciar tais expressões.

Assim, os participantes do grupo já puderam vivenciar diferentes momentos de expressão artística tradicional da região da Chapada, como o Cortejo do Império do Divino Espírito Santo, Cortejo do Império de São João Batista, Caçada da Rainha, Romaria do Vão de Almas e a Festa do Mastro.

Com estas experiências, foi possível coletar fotos, vídeos e entrevistas com os moradores locais, bem como, produzir relatos científicos. Assim, foi possível ter um panorama e visualizar um painel das tradições locais, aproximado os jovens da cultura Kalunga e da tradição local.

ECOSSISTEMAS SONOROS: Processos educativos voltados para a preservação e afirmação da identidade sonora e musical do cerrado

Patrícia Pederiva

Sons nos cercam por toda a parte. Sons naturais e sons produzidos nas e pelas culturas. Cada lugar possui seu espectro sonoro, ou seja, a diversidade de sons que lhes são peculiares e que caracterizam suas sonoridades, com os quais convivemos, e que interferem de alguma forma em todos os que habitam cada contexto. As diversas criações e expressões musicais também refletem esse espectro, inclusive àquelas que representam a mescla de novas configurações sonoras trazidas pela redução das distâncias entre lugares e pessoas, e pelas novas formas de comunicação. O conceito de ecossistema sonoro abrange esse espectro. Ele envolve toda a biodiversidade sonoro-musical, bem como o cuidado do espaço sonoro- que engloba pessoas, natureza, e sua unidade nas identidades culturais por meio das manifestações e expressões culturais.

A educação musical é a atividade educativa que trabalha com a consciência sobre os espaços sonoros, sua, percepção, compreensão, expressão e criação consciente, que envolve a educação para a escuta atenta. Muito pouco talvez seja feito, a respeito de uma consciência sonora, que envolve processos educativos voltados para esse fim. Assim, é preciso falar de uma educação no sentido da sustentabilidade dos sons naturais, das identidades musicais das culturas e de seus processos educativos.

O cerrado representa uma grande potência em termos de seu ecossistema sonoro, de seus sons naturais e culturais. Mas essa potencialidade deve ser cultivada por meio de um projeto educativo intencionalmente voltado para esse fim, no âmbito da educação musical, em diálogo com áreas e atividades educativas que busquem conhecer as raízes da cultura humana, bem como, que primem pelo fortalecimento das identidades nela envolvidas. Tal modo de pensar e de atuar implicaria em uma projeção da comunidade que habita o cerrado do centro-oeste brasileiro.

Os processos educativos em música envolvem também a necessidade e a importância de pesquisar novas fontes sonoras para o uso sustentável dos materiais que compõem o cenário acústico da região. Isso implica em inaugurar um projeto de educação para a sustentabilidade sonora – cuidado com as sonoridades naturais do cerrado – no sentido de conviver com essas sonoridades e de educar a comunidade para preservá-las, o que englobaria os diversos participantes de cada comunidade, crianças, jovens e adultos em suas diversidades culturais e identidades.

CRAD

O Centro de Referência em Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradadas – CRAD é um centro de caráter multidisciplinar da Universidade de Brasília. São os objetivos deste Centro: promover e divulgar, cientificamente, estudos e pesquisas, bem como atividades de extensão em conservação da natureza e recuperação de áreas degradadas, visando aprofundar os conhecimentos relativos a esse setor; desenvolver modelos demonstrativos de recuperação e projetos em temas pertinentes às áreas de conhecimento referidas; incentivar o aprimoramento científico de profissionais nas áreas de conservação da natureza e recuperação de áreas degradadas e subsidiá-los para atividades de extensão e educação ambiental; contribuir para a pesquisa e o aperfeiçoamento do ensino, em todos os níveis, inclusive por meio da promoção de cursos de graduação e de pós-graduação, profissionalizantes, de especialização, capacitação de produtores rurais, oficinas, seminários, simpósios, conferências, congressos, mesas redondas, workshops, encontros, cursos de extensão, estágios, inclusive de pós-doutoramento, relativos à conservação da natureza e recuperação de áreas degradadas; promover o aperfeiçoamento científico de seus membros; e desenvolver pesquisas, consultorias, prestação de serviços, de âmbito nacional e internacional, nas áreas de sua atuação.

Campus Universitário Darcy Ribeiro, Brasília – CEP 70910-900, Gleba A, Ala Sul,

Prédio: JEANINE M. FELFILI – CRAD

Telefones: (61)3107-0099 – (61)3107-0097 – (61)3107-0096 – E-mail: crad@unb.br

Site: http://www.crad.unb.br/

Depto. Ecologia

Depto. Zoologia

O Programa de Pós-Graduação em Zoologia da UnB iniciou suas atividades no segundo semestre de 2012, em nível de Mestrado e Doutorado, com o objetivo de formar pesquisadores e docentes em nível superior nas diferentes áreas da Zoologia. Foi a primeira pós-graduação em Zoologia da região Centro-Oeste. 

Este programa está organizado em três linhas de pesquisa, a saber: (1) História Natural e Comportamento Animal, (2) Morfologia, Sistemática e Biogeografia e (3) Zoologia Aplicada.

O corpo docente inclui professores do Instituto de Ciências Biológicas e de outras unidades da UnB, e também pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Os seguintes grupos taxonômicos são  atualmente estudados pelos docentes do programa: mamíferos, aves, répteis, anfíbios, insetos, aracnídeos e moluscos.

O curso recebeu conceito 4 na avaliação inicial da CAPES.

Coleções do Departamento de Zoologia
Coleções zoológicas são centros de documentação que mantêm um registro permanente e ordenado de faunas de hábitats e regiões diferentes. As coleções são compostas de conjuntos de espécimes inteiros ou partes, preservados para estudo, constituindo amostras de populações naturais. São coleções científicas e não são usadas para exposição nem
para atividades didáticas rotineiras. São essenciais para pesquisas em várias áreas, como Sistemática, Ecologia, Biogeografia, Biologia da Conservação, e Morfologia comparada. Parte do material dessas coleções é insubstituível e outra parte pode ser substituída apenas a um custo muito elevado. Entre o material insubstituível estão alguns tipos primários, o material-testemunho (“vouchers”) mantido como referência de trabalhos de pesquisa publicados e teses de mestrado e doutorado, e o material proveniente de hábitats que já desapareceram, como por exemplo o proveniente de áreas que foram inundadas por hidrelétricas. As coleções do Departamento de Zoologia da UnB surgiram juntamente com o departamento (criado como “Laboratório”), na década de 60. Essas coleções são dinâmicas e crescem continuamente, exigindo manutenção constante. Em 2010 as coleções foram transferidas para as novas instalações do Instituto de Ciências Biológicas.
Coleção de Mamíferos
A coleção de mamíferos da UnB contém cerca de 5000 espécimes taxidermizados e ocupa um espaço de 40 m2 no Departamento de Zoologia, Instituto de Ciências Biológicas (IB). Contém material principalmente do Distrito Federal e da região do Cerrado. Está sob a responsabilidade do Prof. Jader S. Marinho-Filho.
Coleção de Aves

A Coleção de Aves da UnB contém cerca de 2000 exemplares taxidermizados e ocupa um espaço de 40 m2 no Departamento de Zoologia, Instituto de Ciências Biológicas (IB). Em 2002 recebeu o nome de “Coleção Marcelo Bagno” em homenagem ao ornitólogo e ex-aluno da UnB. Contém material principalmente do Distrito Federal e da região do Cerrado. Está sob a responsabilidade do Prof. Miguel A. Marini.

Coleção Herpetológica

A coleção Herpetológica da UnB (CHUNB) contém cerca de 30 mil espécimes e ocupa um espaço de 64 m2 no Departamento de Zoologia, Instituto de Ciências Biológicas (IB). É a maior da região Centro-Oeste e uma das maiores em material do Cerrado. O grupo predominante é Lacertilia. Está sob a responsabilidade do Prof. Guarino R. Colli.

Coleção de Aracnídeos

A coleção de aracnídeos da UnB está associada ao Laboratório de Aracnídeos, que ocupa um espaço de 36 m2 no Departamento de Zoologia, Instituto de Ciências Biológicas (IB). Contém material principalmente do Distrito Federal e e região. Está sob a responsabilidade do Prof. Paulo Cesar Motta.

Pesquisadora da UnB é terceira mulher no mundo a receber prêmio referência por estudo sobre morcegos

No Brasil e na América do Sul, ela é a primeira a ter tal reconhecimento. Trabalho na conservação do mamífero voador já é desenvolvido há 20 anos

Eles têm dieta variada. Das cerca de 1.400 espécies de morcego identificadas, há os que se alimentam de néctar, sangue, peixes, frutas, insetos, carne e aqueles que comem de tudo. Por conta dos hábitos alimentares, desempenham funções importantes para o meio ambiente e a humanidade: são, por exemplo, polinizadores e predadores de pragas. Os que se alimentam com sangue, popularmente chamados de “vampiros”, correspondem a apenas três espécies entre a população de morcegos. Ainda assim, o preconceito e a desinformação permeiam o imaginário coletivo, levando a atos de violência contra as populações desses animais.

“O mal que causam é desproporcional à fama que têm”, pondera Ludmilla Aguiar, professora do Departamento de Zoologia da Universidade de Brasília. A docente trabalha há 20 anos na conservação e manejo deste que é o único mamífero que voa. Em razão de seu trabalho, recebeu o Prêmio Spallanzani 2017, concedido pela Sociedade Norte-Americana de Pesquisadores de Morcegos (NASBR). A láurea é dada a profissionais reconhecidos internacionalmente por contribuições para o estudo e a preservação dos morcegos.

Ludmilla é a primeira pessoa do Brasil, a primeira pesquisadora da América do Sul e a terceira mulher no mundo a receber tal premiação. Uma das fundadoras da Rede Latino-Americana para Conservação dos Morcegos (Relcom), da Sociedade Brasileira para o Estudo de Quirópteros (SBEQ), foi criadora e editora-chefe por 20 anos da revista científica Chiroptera Neotropical, especializada em morcegos.

PRESTADORES DE SERVIÇO – No Brasil, há 180 espécies descritas desses animais. Ainda assim, há pouco estudo sobre o comportamento deles. “Mais de 90% do país não aparece nas amostras das pesquisas”, observa. A região Centro-Oeste é a mais rica em morcegos.

Diferentemente das aves e insetos que polinizam uma região muito próxima àquela em que encontraram o pólen, algumas espécies desses quirópteros realizam algo mais próximo à semeadura. Isso porque, depois de se alimentarem, enquanto voam, deslocando-se de um ponto a outro, depositam as fezes no perímetro. Dessa maneira, espalham sementes em todo o seu habitat e promovem reflorestamento das plantas típicas da região.

Segundo a pesquisadora, trata-se do melhor tipo de reflorestamento, pois promove a recuperação da área com variedade de plantas nativas. Um exemplo de planta relacionada aos morcegos são os pequizeiros, árvores do cerrado brasileiro cujo fruto é bastante utilizado na culinária do Centro-Oeste.

Em Montes Claros (MG), por exemplo, percebeu-se queda na qualidade do pequi. Estudos indicaram que havia relação com o declínio da dispersão de sementes de diferentes pequizeiros. Era a variedade genética que garantia a qualidade identificada. A baixa dispersão, por sua vez, poderia estar relacionada à queda populacional de morcegos na região.

Já os malfadados hematófagos, que ocorrem exclusivamente na América Latina, colaboram com o controle de espécies de herbívoros, evitando superpopulações. Por consequência, evitam extinção secundária de outras espécies que são afetadas pelo excesso populacional dos herbívoros, especialmente na competição por alimento. Aliás, a professora explica que os chamados morcegos vampiros não matam suas presas. Quando se alimentam do sangue de animais, estes enfraquecem pouco a pouco e se tornam anêmicos. É assim que morrem.

Coleção de espécies de morcegos conservados em álcool do Laboratório de Biologia e Conservação de Morcegos da Universidade de Brasília. Foto: Amália Gonçalves/Secom UnB

Há ainda os insetívoros, parceiros no controle de pragas. Como resultado, utilizam-se menos inseticidas nas plantações. “Nos Estados Unidos, há uma cultura de preservação de morcegos. Há fazendas que até constroem casinhas para os mamíferos, cientes do trabalho deles de eliminar as pragas da plantação de algodão”, relata a docente.

A etimologia da palavra morcego tem a ver com suas características: rato + cego. Ludmilla Aguiar cita ainda estudos sobre os métodos de deslocamento desses bichos à noite, baseados em ecolocalização (ou seja, feita de acordo com o eco, a repetição de um som devido à reflexão das ondas sonoras), que foi o que inspirou a criação do radar. “Atualmente está em desenvolvimento um sistema de ecolocalização para pessoas com deficiência visual”, informa a professora.

PRESERVAÇÃO  Ludmilla é autora da primeira lista de espécies ameaçadas de morcegos, feita nos idos da década de 1990. Sobre o extermínio dos hematófagos e o impacto que isso causa no ambiente, pouco se sabe. Estima-se que sua extensão pode ser catastrófica a longo prazo. Isso porque os quirópteros têm vida longa e poucos filhotes. Quando se percebem surtos de destruição desses animais, o que se pode verificar é o fim de toda uma geração de morcegos.

Parte do incômodo se dá pelo temor da transmissão da raiva. Eles podem, realmente, ser vetores da doença, mas, sobre isso, a professora explica que o controle é a prevenção, por meio da vacinação periódica dos animais de criação (cavalos e bois), que podem ser mordidos pelos morcegos. 

Professora Ludmilla Aguiar exibe espécie hematófaga. Foto: Amália Gonçalves/Secom UnB

Estudos realizados e orientados pela pesquisadora da UnB continuam a investigar a relação desconhecida entre as populações de morcegos e o meio ambiente. Atualmente, a professora investiga os hábitos alimentares dos morcegos em locais urbanos. Para tanto, usa tecnologia da radiotelemetria – monitoramento a distância de alvos fixos ou móveis, por meio de ondas de rádio. “Da cidade para a área rural está se observando uma homogeneização da dieta”, conta.

Outra pesquisa em curso, desenvolvida por Ludmilla Aguiar e o mestrando Igor Bueno, procura estimar a quantidade de pragas agrícolas consumidas pelos morcegos. A proposta é fazer sequenciamento genético das fezes dos mamíferos para identificar a variedade de insetos consumidos na região do Distrito Federal e Entorno. Umas das perguntas a ser respondida é: “Seriam os morcegos predadores de pernilongos?”. Nesse caso, eles podem vir a ser aliados na luta contra doenças como dengue, chikungunya e zika. “Mas precisamos de verba para isso”, afirma a professora.

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

http://www.unbciencia.unb.br/biologicas/35-zoologia/563-pesquisadora-da-unb-e-terceira-mulher-no-mundo-a-receber-premio-referencia-por-estudo-sobre-morcegos

Foram 15 anos de pesquisa para o professor do Departamento de Zoologia Paulo César Motta criar um rico catálogo que reúne mais de mil espécies de aranhas de todos os tipos e tamanhos encontradas somente no cerrado brasileiro.

Mariana Costa/UnB Agência

Durante esse tempo, foram descobertas mais de vinte novas espécies do animal nesse bioma, principalmente, no estado de Goiás. “Com a dizimação do Cerrado por causa da ocupação urbana e da expansão do agronegócio, é possível que algumas espécies entrem em extinção antes mesmo de serem descobertas”, alerta o professor.
“Por isso, é importante catalogá-las e divulgar esse conhecimento, não só entre a comunidade científica, mas também para o público em geral”, acredita.

Animais pouco carismáticos, Motta diz que do universo de aranhas registradas ao longo da pesquisa, apenas duas representam algum risco para a saúde humana. A maioria é inofensiva. “Elas não causam a morte, mas o veneno pode causar dor no local da picada e febre. Os sintomas desaparecem sem o uso de remédios”, afirma o pesquisador.
A ideia do guia, inédito no Brasil, é difundir conhecimento sobre as aranhas do Cerrado e ajudar na preservação da biodiversidade brasileira. Motta não hesita ao dizer que as aranhas são seres fantásticos. “Como predadoras, elas controlam a população de insetos e são alimento para aves e lagartos”, explica.
Além de essenciais para a manutenção do equilíbrio ecológico, o veneno, o sangue e a teia delas podem ser usados na fabricação de remédios e polímeros resistentes.

Professor Paulo César Motta

Segundo o professor, o potencial delas é tão grande que não raro são vítimas da biopirataria. “Em 2004, um alemão foi preso no aeroporto de Brasília por contrabando ao tentar embarcar com seis aranhas na mala”, lembra.
Em linguagem simples, o guia ilustrado de 260 páginas será lançado na semana que vem em Porto Alegre durante congresso de Zoologia que acontece na PUC do Rio Grande do Sul.

 

Fonte: http://unbciencia.unb.br/biologicas/20-biologia-animal/44-mais-de-mil-tipos-de-aranhas-diferentes-foram-encontrados-no-cerrado

Eng. Florestal

Estudo desenvolvido na pós-graduação em Ciências Florestais mostra a relação entre desmatamento e alteração climática

Da UnB Agência

Área de Cerrado desmatada no município de Pastos Bons, no estado do Maranhão. Devastação seria uma das causas da redução das chuvas no bioma. Foto: Otávio Nogueira

Ela é responsável por deixar o clima mais agradável, contribui para a preservação de espécies animais e vegetais, além de ser uma importante parte do ciclo hidrológico, abastecendo rios e mananciais e consequentemente as cidades. A chuva tem o poder de manter e transformar a vida na Terra. Mas para que essas pequenas partículas de água caiam do céu, são necessários vários processos, que envolvem desde a transpiração de árvores e plantas, a evaporação da água dos rios pela incidência solar, a condensação do vapor de água na atmosfera até o encontro das massas de ar.

Quando há interferência em algum desses mecanismos, a alteração das dinâmicas de precipitação é uma das consequências. No Cerrado, essa situação acontece há algumas décadas. Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais (PGEFL) da Universidade de Brasília concluiu que houve redução de 8,4% nas chuvas em 33 anos (de 1977 a 2010). Isso quer dizer que 125,8 milímetros de chuvas deixaram de cair no intervalo, correspondendo a 3,7 mm de perda a cada ano.

O Distrito Federal é um ambiente propício para esse monitoramento, já que a atual crise hídrica enfrentada pela região tem, como uma das possíveis causas, a redução das chuvas no Cerrado. O estudo reúne indícios que apontam como causa o desmatamento e a reutilização do solo em atividades de agronegócio.

“Muito recentemente, diversas pesquisas têm chamado a atenção sobre a relação entre desmatamento e alterações climáticas”, explica a mestranda Juliana Campos, que explorou o tema em sua dissertação. Intitulado Variabilidade da precipitação no Cerrado e sua correlação com a mudança no uso da terra, o trabalho foi orientado pelo professor Henrique Chaves, do Departamento de Engenharia Florestal.

A pesquisadora analisou dados de 125 estações pluviométricas, distribuídas em nove estados onde o bioma Cerrado é encontrado, para verificar a variabilidade na dinâmica de precipitações. A tendência de diminuição nas chuvas foi observada em 89 estações, sendo que, em 18 delas – ou seja, 14% do total –, a mudança foi mais significativa.

Segundo Juliana, as maiores quedas no volume de precipitações foram registradas nos meses de janeiro e maio. No primeiro mês do ano, essa variação costuma ser menos sentida, por ser estação chuvosa. Em maio, entretanto, quando se inicia o período de estiagem, as consequências da menor incidência de chuvas costumam ser drásticas.

“Esse mês é muito importante para o Cerrado, porque é o mês de transição de estações. Se em maio há uma queda da precipitação muito abrupta, prolonga-se a estação seca, acarretando efeitos muito mais danosos”, explica a pesquisadora, referindo-se a prejuízos causados sobre o ciclo de águas e sobre a própria manutenção das espécies. 

Juliana Campos investigou os impactos do desmatamento no Cerrado e constatou sua relação com uma queda no período chuvoso. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

CAUSA – Apesar de as evidências não permitirem uma conclusão definitiva, Juliana Campos sugere que há uma correlação entre a variabilidade nas precipitações e a mudança nos usos da terra em função do desmatamento para a implementação de atividades agrícolas.

O cenário ficou evidente a partir do cruzamento de dados das estações sobre a frequência das chuvas e análises espaciais das áreas desmatadas: as alterações mais significativas se deram em regiões onde houve intensa retirada da cobertura vegetal. Simulações de modelos climáticos realizadas em outras pesquisas também foram utilizadas para embasar o estudo. A conclusão é a mesma: o desmatamento influencia diretamente as mudanças climáticas do bioma.

Em territórios do Cerrado mais ao sul, que incluem Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso, a variação negativa no regime de chuvas chegou a 10,6% no período estudado. Em estações específicas, os dados encontrados são ainda mais alarmantes. “Uma estação no Mato Grosso registrou redução de 60% no nível de precipitações ao longo desses 33 anos”, destaca a mestranda.

A porção ao sul da região é justamente onde ocorre maior desmatamento do bioma. Ali, apenas 35% da vegetação nativa ainda se encontra preservada. “O desmatamento do Cerrado se iniciou no século XVIII, mas o ápice foi nas décadas de 1960 e 1970, após a construção de Brasília e a Marcha para o Oeste, época de grandes incentivos agrícolas”, analisa Juliana Campos. Atualmente, quase metade das áreas de Cerrado em todo o Brasil já foi devastada, sendo a produção agrícola o motivo principal.

AGRAVAMENTOS – Diferentemente das culturas implantadas, a vegetação nativa apresenta maior eficácia no processo de reciclagem das águas. As folhagens mais escuras das árvores do Cerrado, por exemplo, são essenciais na absorção de energia solar, diferentemente das gramíneas utilizadas em pastagens, que deixam a superfície na terra mais clara e refletem a luz do Sol.

Quando há retirada de espécies nativas, perde-se essa capacidade de captação, necessária ao processo de formação das chuvas, aponta Juliana: “A falta de energia na superfície terrestre impacta os processos de evapotranspiração e convecção”.

Outros aspectos, como a rugosidade aerodinâmica das árvores do Cerrado – altura a partir da superfície onde ocorre a turbulência do ar – e o potencial de bombeamento das águas do subsolo pelas raízes vegetais, sobretudo durante a seca, também contribuem na evapotranspiração.

Plantações e pastagens comuns à atividade agropecuária, basicamente compostas de espécies rasteiras, dificultam a turbulência do ar, responsável pela circulação da umidade. Além disso, essas plantas rasteiras não possuem raízes tão profundas para recolher as águas subterrâneas. 

O retorno da água à atmosfera após a reciclagem do solo e das plantas é um dos pilares do ciclos de chuvas e do sistema de reabastecimento dos aquíferos (Confira no infográfico abaixo). “Dependemos muito da evapotranspiração da vegetação para a umidade do ar e, sobretudo, para as poucas chuvas que ocorrem na estação seca”, ressalta. 

Para Juliana, é necessário pensar em possibilidades menos degradantes de desenvolvimento agrícola, aliadas à redução do desmatamento. “Vários estudos buscam soluções de agriculturas alternativas que não impactariam tanto na evapotranspiração, como a agrofloresta e o plantio direto”, indica.

Mais do que perceber os danos ambientais trazidos por esses desequilíbrios, a pesquisadora considera importante dimensionar os impactos socioeconômicos. 

Clique na imagem para ampliar. Arte: Francisco George/Secom UnB

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

Pesquisa monitora regeneração no Cerrado após desmatamento

Conhecer as espécies arbustivo-arbóreas que apresentam maior potencial para dar início ao processo de sucessão da vegetação em áreas do cerrado típico (sensu stricto), submetidas a diferentes técnicas de desmatamento, é uma das propostas da tese de Doutorado do professor Gileno Brito de Azevedo, do Câmpus de Chapadão do Sul.

Com o tema “Crescimento e produção da vegetação lenhosa estabelecida em áreas de cerrado no Brasil Central, ao longo de 27 anos, após distúrbios por desmatamento”, a pesquisa, segundo o professor, é de fundamental importância para a conservação, restauração e o manejo da vegetação do Cerrado.

Aplicado na Reserva Ecológica e Experimental da Universidade de Brasília, Fazenda Água Limpa, localizada a 35 km do Câmpus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília, o desmatamento foi realizado apenas em área suficiente para atender aos objetivos da pesquisa, no ano de 1988.

“A área desmatada encontra-se circundada por grandes extensões de áreas com vegetação natural do Cerrado. Desde o desmatamento em 1988 não houve novas intervenções na área, e toda a vegetação presente é resultante do processo de regeneração natural. Desde então, a área encontra-se protegida de perturbações antrópicas. Contudo, como o fogo é um distúrbio bastante comum no Cerrado, toda a área de pesquisa foi atingida por dois incêndios florestais, sendo um em 1994 e outro em 2011”, explica o professor.

Os tratamentos avaliados são T1 – Corte com motosserra + retirada da lenha; T2 – Corte com motosserra + retirada da lenha + fogo; T3 – Remoção com lâmina + retirada da lenha; T4 – Remoção com lâmina + retirada da lenha + fogo; T5 – Remoção com lâmina + retirada da lenha + 2 gradagens (24”); T6 – Corte com motosserra + retirada da lenha + fogo + destoca + 2 gradagens (24”), sendo cada tratamento composto de três parcelas com dimensões de 20 x 50 m cada.

Segundo o professor, “durante as avaliações foram mensurados todos os indivíduos lenhosos arbóreo-arbustivos com diâmetro tomado a 30 cm do nível do solo (Db) igual ou superior a 5 cm, sendo registrados o diâmetro, a altura total e a espécie botânica de cada um deles”.

Após a implantação dos tratamentos, a vegetação lenhosa arbóreo-arbustiva regenerada em 18 parcelas experimentais (área total de 1,8 hectares) já foi monitorada em oito ocasiões (1996, 1998, 2000, 2002, 2005, 2008, 2011 e 2015), permitindo assim, acompanhar as mudanças na vegetação por um período de 27 anos.

A avaliação do crescimento e produção foi realizada para as espécies mais importantes, identificadas pela análise dos parâmetros fitossociológicos e para o total da comunidade. Atualmente, as dez espécies arbustivo-arbóreas mais comuns no local são: Acinodendron pohlianum (Pixirica), Myrsine guianensis (Capororoca), Kielmeyera coriacea (Pau-santo), Qualea parviflora (Pau-terra-mirim), Qualea grandiflora (Pau-terra), Caryocar brasiliense (Pequi), Piptocarpha rotundifolia (Coração-de-negro), Dalbergia miscolobium (Jacarandá-do-cerrado), Schefflera macrocarpa (Mandiocão-do-cerrado) e Polyouratea hexasperma (Vassoura-de-bruxa). Outras espécies comuns são: Stryphnodendron adstringens (Barbatimão), Byrsonima pachyphylla (Murici), Pterodon emarginatus (Sucupira), Tachigali vulgaris (Carvoeiro), Eremanthus glomerulatus (Candeia) e Hymenaea stigonocarpa (Jatobá).

“Esta é uma pesquisa de longo prazo que vem sendo monitorada periodicamente desde 1996. Contudo, os resultados até agora obtidos indicam que a vegetação do cerrado sensu stricto apresenta baixo incremento em volume de madeira (± 2 m³/ha/ano), e que o manejo da vegetação do cerrado para extração de madeira exigiria ciclos de corte em torno de 30 anos”, expõe Gileno.

A pesquisa foi idealizada na década de 80 pela professora Jeanine Maria Felfili, mas hoje é coordenada pela professora Alba Valéria Rezende, e tem a participação de outros professores do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília e de alunos de graduação e pós-graduação.

“A minha participação ocorre em virtude do meu doutorado que está sendo realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais na referida universidade, sob a orientação da professora Alba Valéria Rezende”, diz Gileno.

 

 

LAFUC – Laboratório de Fauna e Unidades de Conservação

O LAFUC se baseia em um projeto amplo e de longa duração, que busca abarcar diversos projetos menores sobre a biodiversidade do Cerrado em nossa estrutura. Esses estudos são principalmente sobre a ecologia de populações e comunidades da herpetofauna do Cerrado e suas relações com os ecossistemas e paisagens do Cerrado, descrição de espécies novas e produção de trabalhos taxonômicos sobre a herpetofauna do Cerrado, além de sua conservação, especialmente a dinâmica da herpetofauna frente a mudanças ambientais, como processos de fragmentação, insularização e mudanças climáticas no Cerrado, além de inventários em localidades pouco conhecidas e o manejo da diversidade e Unidades de Conservação.

Link para acessar o site: https://www.lafuc.com/

Faculdade de Educação

O curso de Mestrado Acadêmico objetiva promover a competência acadêmica de graduados, contribuindo para o aperfeiçoamento de docentes e para a formação inicial de pesquisadores no campo educacional.
O curso de Doutorado objetiva a formação e o aprimoramento, em alto nível, de profissionais comprometidos com o avanço do conhecimento na área de Educação, para o desenvolvimento de atividades de pesquisa e o exercício do magistério no nível superior.
 
Uma das linhas de pesquisa é Educação ambiental e educação do campo – EAEC:
 

Ecologia Humana como dimensão ontológica complexa da práxis pedagógica. O enraizamento dos seres humanos nas suas bases biológica e sócio-cultural como referências para pensar a Educação. A abordagem teórico-metodológica da epistemologia transdisciplinar e a dialógica entre o pensamento científico e as demais formas sociais de produção do conhecimento.

 A Educação Ambiental no contexto socioambiental brasileiro. Conhecimentos, valores, crenças, atitudes e vivências que contribuem para a construção do sujeito ecológico. Transversalidade como estratégia pedagógica de constituição de comunidades de aprendizagem. Epistemologia da complexidade e gestão ambiental, conceitos de crise e sustentabilidade. A dimensão educativa da arte, relações de gênero, etnias e seus aspectos interculturais. A escola como espaço socioambiental de construção do conhecimento e produção de sentidos. Processos formativos no contexto das relações comunitárias em instituições públicas e associações da sociedade civil.

 Princípios teórico-metodológicos da Educação do Campo para uma proposta de educação formal e não-formal que contemple as especificidades culturais, políticas e sócio-econômicas dos povos do campo. Políticas públicas, gestão participativa e escolas do campo. Processos formativos no contexto das escolas do campo, das relações comunitárias e na sociedade civil no meio rural. Movimentos sociais do campo, e redes sociais como espaços educativos.

Linhas de Pesquisa da Àrea Educação Ambiental e Educação do Campo – EAEC

  • Água como matriz ecopedagógica

Educação ambiental para gestão sustentável das águas no bioma cerrado em um enfoque transdisciplinar; Ecopedagogia e resignificação das relações interpessoais para gestão cotidiana compartilhada e sustentável do meio ambiente e dos recursos naturais; Abordagem transversal de temas ambientais em comunidades de aprendizagem.

  • Docente: Profª. Drª Vera Catalão
  • Educação do Campo: desenvolvimento rural e práticas político-pedagógicas

A construção e gestão de políticas públicas de acesso à educação superior para sujeitos do campo. Matrizes organizadoras das concepções políticopedagógicas da Educação do Campo, na universidade e na escola.

  • Docente: Profª. Drª Mônica Molina
  • O comportamento ecológico no contexto socioambiental brasileiro: relações e inter-relações

Comportamento ecológico no contexto socioambiental brasileiro; modelos explicativos que incluam os valores humanos, as crenças ambientais e as atitudes ecológicas; estratégias de intervenção adequadas à realidade brasileira, de modo a transformar a relação das pessoas com o ambiente; formação do sujeito ecológico, na perspectiva da ecologia humana.

  • Docente: Profª. Drª Claudia Pato
  • Educação Socioambiental, Saberes e (De)Colonialidades

Educação socioambiental, interculturalidade, pluralismo epistêmico, ecologia dos saberes e estudos decoloniais. Educação, currículo e direitos humanos. Processos de formação, socialização e produção do conhecimento inspirados nas emergentes epistemologias do Sul e nos conhecimentos de fronteira interdisciplinar. Saberes, modos de vida, sistemas de conhecimento, “cosmopolíticas” e/ou “(contra) ontologias práticas” de povos e populações tradicionais..

  • Docente: Profª. Drª Ana Tereza Reis da Silva

Farmácia

Laboratório de Farmacognosia
O Laboratório de Farmacognosia conta com um importante acervo de extratos e substâncias isoladas de plantas do bioma Cerrado. A pesquisa por novas moléculas com potencial medicamentoso é realizada através da investigação científica nas áreas de agentes infecciosos, vetores e células cancerígena.

Laboratório de Produtos Naturais

– O Laboratório de Produtos Naturais (LPN) é um espaço multidisciplinar no qual  são desenvolvidas pesquisas envolvendo microrganismos, plantas medicinais e fitoterápicos, com ênfase em espécies do Cerrado.

CEEMA

Aperfeiçoar docentes para o magistério superior na área de economia do meio ambiente.

Seus professores participam ativamente não somente das atividades do CEEMA mas também de outros programas de pós-graduação da UnB: Economia, Agronegócios, Turismo.

O curso de Doutorado em Economia possui as seguintes áreas de concentração:
I. Economia Aplicada
II. Economia Agrícola e do Meio Ambiente
II. Economia Política
III. Economia do Setor Público

O Mestrado Profissional em Economia está dividido nas seguintes áreas de concentração aprovadas pelo colegiado de pós-graduação:
I. Gestão Econômica do Meio Ambiente
II. Economia do Setor Público
III. Desenvolvimento e Comércio Internacional

IV. Gestão Previdenciária

Nutrição

Por ser um curso com grande carga de aulas práticas, os alunos têm acesso a diversos laboratórios onde podem observar o processamento de alimentos. Entre as mais modernas estão as unidades de Bioquímica, Técnica Dietética, Avaliação Nutricional e Análise de Alimentos. O departamento de Nutrição também realiza projetos de extensão, como a Escola Promovendo Hábitos Alimentares Saudáveis e o banco de receitas modificadas.

– ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE FRUTOS DO CERRADO E IDENTIFICAÇÃO DE COMPOSTOS EM Bactris setosa Mart., Palmae (TUCUM-DO-CERRADO)

FERNANDA RIBEIRO ROSA

Os resultados sugerem que os fenólicos representam os principais compostos bioativos dos frutos do Cerrado, e que particularmente os frutos araticum, cagaita, lobeira, tucum, cajuzinho, jurubeba e mangaba possuem alto teor de bioativos e alta capacidade antioxidante. A capacidade antioxidante e o conteúdo de compostos bioativos do tucum-do-Cerrado estão associados principalmente a sua casca, sendo a catequina, antocianinas, ácido gálico e a rutina os principais compostos fenólicos identificados.

Link

– Potencial nutritivo de frutos do cerrado : composição em minerais e componentes não convencional

Marin, Alinne Martins Ferreira

O objetivo dessa pesquisa foi avaliar o potencial nutritivo de 18 frutos do Cerrado brasileiro, através da determinação da composição mineral, do valor calórico e da concentração de taninos e de ácido fítico. As análises foram realizadas nas polpas e amêndoas liofilizadas, e os resultados expressos em peso fresco. A amêndoa de baru apresentou altas concentrações de zinco, cobre, ferro, fósforo e magnésio (4.2 ± 0.4; 1.4 ± 0.1; 4.7 ± 0.3; 273.4 ± 8.8; 139.0 ± 6.0 mg/100g). Além da amêndoa de baru, alta concentração de cálcio foi encontrada na macaúba (141.4 ± 7.0; 202.3 ± 134.3 mg/100g, respectivamente). Ambas apresentaram também os maiores valores calóricos (600.1 ± 2.6; 573.2 ± 13.4 Kcal /100g, respectivamente). A amêndoa de baru apresentou as maiores concentrações de ácido fítico e de taninos (1073.6 ± 114.9; 472.2 ± 12.5 mg/100g, respectivamente), os demais frutos não apresentaram diferença significativa na concentração de ácido fítico, exceto jatobá, lobeira, ingá, buriti, murici e marmelinho que apresentaram valores abaixo do limite de detecção. Altos teores de taninos foram também encontrados no jatobá e na lobeira (376.0 ± 38.5; 172.8 ± 9.9 mg/100g, respectivamente). Apenas a amêndoa de baru apresentou razões molares [AF]:[Fe] e [AF]:[Zn] maiores que os valores críticos, 14 e 10, respectivamente, sugerindo baixa biodisponibilidade destes minerais na amêndoa do baru. As razões molares [AF]:[Ca] encontradas para todos os frutos analisados foram inferiores ao valor crítico, 1.56, indicando alta biodisponibilidade de cálcio na polpa ou amêndoas dos frutos. Os resultados sugerem que os 18 frutos estudados, em sua maioria, são boas fontes de cálcio, ferro e zinco. A presença de taninos e ácido fítico sugere um potencial efeito antioxidante dos frutos do Cerrado sendo, entretanto, necessários estudos adicionais, in vivo, que possam testar tanto este potencial antioxidante quanto a biodisponibilidade dos minerais. 

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UnB Planaltina

Faculdade UnB Planaltina

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Ambientais (PPGCA) da Universidade de Brasília – UnB visa formar Mestres e Doutores com  habilidades e competências para desenvolver, implementar e utilizar diferentes tecnologias ambientais. O profissional formado pelo programa será capaz de avaliar e monitorar diferentes efeitos das atividades antrópicas sobre o ambiente natural, urbano, rural e humano. 

Área de Concentração: Estrutura, dinâmica e conservação ambiental

O bioma Cerrado está localizado na região central do Brasil, possuindo alta biodiversidade, endemismo e pronunciada heterogeneidade de paisagens, que se estendem por 22 % do território nacional. Devido à sua vasta dimensão, localização central e relevo composto por chapadas elevadas, esse bioma possui papel fundamental no funcionamento de outros biomas brasileiros. O Cerrado abriga nascentes de seis grandes bacias hidrográficas (Amazônica, Tocantins, Atlântico Norte/Nordeste, São Francisco, Atlântico Leste e Paraná/Paraguai) e seu relevo plano favorece a ocupação agropecuária e expansão urbana, intensificados nos últimos cinquenta anos. Contudo, as atividades humanas nem sempre são desenvolvidas de forma sustentada e, em alguns casos, têm ocasionado excessivo desmatamento, aumento da intensidade das queimadas, uso irracional do solo, dos recursos hídricos e a perda de biodiversidade.

Considerando esse cenário, torna-se fundamental a compreensão da estrutura e dinâmica da ocupação humana do Cerrado e de seus ciclos e processos naturais, para que propostas de conservação desse bioma sejam elaboradas de forma efetiva. Nesse contexto, estudos que mensurem os impactos do homem sobre o ambiente natural e os efeitos desses mesmos impactos sobre as populações humanas são fundamentais. A presente área de concentração do PPGCA reconhece a indissociabilidade entre sistemas antrópicos e naturais e tem como propósito avaliar, predizer impactos e padrões espaciais e temporais dos distintos ecossistemas terrestres e aquáticos por meio da pesquisa científica. Os conhecimentos gerados no ambiente do PPGCA devem subsidiar políticas públicas para a mitigação de impactos ambientais, ordenamento territorial e planejamento ambiental, no intuito de promover o desenvolvido sustentável de atividades econômicas e da preservação do meio natural.

Quem agrega valor aos frutos do Cerrado?

Professora adjunta da Universidade de Brasília (UnB-Planaltina), Janaína Diniz, produz artigo para o Cerratinga e afirma que espécies do Cerrado além de ter ricos valores nutricionais e medicinais, têm também o potencial de resgatar a cultura tradicional e incrementar a renda de comunidades que coletam e comercializam estes frutos.

Índio Krahô com pequis (Foto Peter Caton/ISPN)

Pequi, buriti, jatobá, cagaita e baru são frutas pouco conhecidas no Brasil, mas elas compõem o grupo gigantesco de espécies nativas que fazem um colorido raro e exalam odores peculiares nos biomas Caatinga e Cerrado.

Apesar de não estarem inseridas no hábito alimentar da maior parte dos brasileiros, o gosto marcante destas espécies chama a atenção da agroindústria para a produção de sucos, geleias, licores, polpas, bolachas, compotas e sorvetes. O rico valor nutricional e medicinal é, cada vez mais, valorizado pela indústria farmacêutica que utiliza as matérias-primas para a confecção de cosméticos e remédios.

Para os pequenos produtores a comercialização das frutas in natura representa um incremento na renda familiar. Mas não apenas o valor comercial, mas também o valor social, histórico e cultural daqueles que trabalham com ele.

Janaína Diniz, professora adjunta da Universidade de Brasília (UnB-Planaltina), na área de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural e Agronegócios, explica, em artigo produzido para o Cerratinga, que “os valores nutricionais e medicinais conhecidos de frutos se traduzem em muitos outros valores quando se consegue resgatar a sua importância junto às comunidades que os coletam e comercializam”. Como exemplo de agregação de valor, ela cita os diferentes usos atribuídos ao buriti – quando do seu fruto se faz o doce, da sua folha se tira a seda ou a palha ou ainda do seu talo se faz artesanato.

Sobre o Cerratinga e sua importância para a sociedade e os produtores, a pesquisadora fala que “o site proporciona informações de conteúdo e com grande qualidade estética, sobre temas relacionados à sociobiodiversidade dos biomas Cerrado e Caatinga, dando maior visibilidade e fortalecendo as comunidades de produtores dessas regiões”.

Leia abaixo o artigo da Janaína Diniz preparado para o Portal Cerratinga.

Quem agrega valor aos frutos do Cerrado?

Apesar de o Cerrado ser atualmente o bioma brasileiro mais ameaçado de perda de vegetação, seus recursos naturais e sua sociobiodiversidade têm conseguido ter alguns valores reconhecidos, principalmente junto a uma parte da população que é mais informada e que se preocupa com a conservação do bioma e manutenção das comunidades que nele vivem.

Entretanto, para que as ações sejam mais efetivas e duradouras, é importante que mais atores estejam envolvidos nos processos voltados para a agregação e o desvelamento de valores aos frutos do Cerrado, assim como para a promoção do diálogo entre os conhecimentos e valores tradicionais e aqueles que vêm sendo descobertos principalmente a partir do conhecimento científico e tecnológico.

Quando falamos em agregar valor, queremos reforçar que é importante que estes frutos tenham mantidas nas suas comunidades de origem as aplicações tradicionais (alimentar, artesanal, medicinal, condimentar, colorífica, entre outras)1, e que não sejam utilizados apenas para comercialização da produção na condição in natura, ou seja, sem nenhum beneficiamento. É possível ainda que outras aplicações não tradicionais sejam identificadas, agregando valores importantes também para outras pessoas e organizações.

Como exemplo de agregação de valor, podemos citar os diferentes usos atribuídos ao buriti. Quando do seu fruto se faz o doce, da sua folha se tira a seda ou a palha, ou ainda quando do seu talo se faz artesanato, podemos dizer que estamos agregando valor localmente a esse fruto, o que traz implicitamente não apenas o valor comercial, mas também o valor social, histórico e cultural daqueles que trabalham com ele. Porém, quando esse mesmo buriti é vendido in natura para compradores de indústrias de beneficiamento de óleo, a agregação de valor (pelo menos localmente) se mostra mais limitada, pois já não é mais feita próxima ao local aonde o recurso é obtido2. A primeira forma de agregação de valor apresentada pode também ser considerada como um desvelamento de valor, onde desvelar valor se trata de revelar o trabalho e a cultura, a ação e a reflexão humana no processo de produção3.

Ainda, no caso da agregação de valor pela indústria ou outras organizações do mercado, percebidos da mesma forma pelos agroextrativistas, cientistas, empresários e consumidores, estes últimos principalmente nos meios urbanos. As propriedades nutricionais ou medicinais, por exemplo, são intrínsecas a estes frutos e muitas vezes fazem parte do conhecimento tradicional, mas também podem ainda ser desconhecidas no meio científico. Assim, ao se pesquisar e identificar essas propriedades, estamos, em certa medida, desvelando valores já existentes nos diferentes frutos do Cerrado.

Entretanto, devido à forte influência da globalização, que padroniza cada vez mais os hábitos e as culturas locais, mesmo que se tenha a valorização da diversidade do Cerrado por grupos de pessoas com acesso a informações como, por exemplo, sobre as propriedades nutricionais e medicinais, ainda é um grande desafio convencer algumas comunidades locais – principalmente os jovens – de que os produtos que elas estão coletando e comercializando também podem ser importantes para o uso e consumo de suas próprias famílias. O baru é um exemplo disso. Fruto “descoberto” por chefs, médicos e nutricionistas há relativamente pouco tempo, tem tido a sua procura – e preços de mercado – aumentados a cada ano. É muito pouco consumido pela população das regiões de ocorrência, onde ainda é tido como alimento apenas para o gado e sem muita tradição de consumo. E, no entanto, poderia ser um grande aliado da saúde e segurança alimentar das populações locais, ao enriquecer cardápios das escolas e residências nas diversas regiões aonde ocorre no Cerrado. A polpa do baru possui alto teor de fibras, é rica em açúcar, potássio, cobre e ferro, sendo consumida e retirada de preferência com o fruto maduro, fresco ou em forma de doces, geleias, bolos, licores e sorvetes. A castanha deve ser consumida torrada ou cozida, podendo ser usada para enriquecer pães, bolos, bombons, sorvetes, paçocas, granola e barras de cereais.

Assim, os valores nutricionais e medicinais conhecidos de frutos como o buriti, o jatobá, a cagaita, o baru e o pequi se traduzem em muitos outros valores quando se consegue resgatar a sua importância junto às comunidades que os coletam e comercializam. Se as propriedades antioxidantes desses frutos são um dos principais apelos para que atinjam novos mercados, da mesma forma, é importante que sejam identificadas e incentivadas novas formas de aproveitamento pelas comunidades agroextrativistas4, a fim de favorecer o atendimento das necessidades de diversos nutrientes importantes para a população brasileira como um todo5, mas também para as populações locais, que muitas vezes apresentam deficiências desses componentes e enfrentam dificuldades de acesso a médicos e medicamentos.

São muitos os caminhos e as possibilidades para se agregar valores (locais) aos frutos do Cerrado, mas também são grandes as dificuldades e os desafios. Sobre as dificuldades, podemos citar desde as poucas informações e estudos sobre os ciclos produtivos e as propriedades dos frutos do Cerrado, até a dificuldade de padronização dos produtos derivados, devido às diferenças regionais e sazonais, e o preconceito entre as próprias populações locais, que valorizam mais aquilo que vem de fora, do que as riquezas regionais. E sobre as possibilidades, muitas delas verdadeiros desafios, podemos finalizar listando algumas importantes aplicações que atualmente têm sido propostas e que, de forma mais ou menos criativa, podem ser concretizadas junto às comunidades do Cerrado:

– atividades de informação e sensibilização das comunidades locais para a popularização do uso de alguns frutos do Cerrado que são mais valorizados pelas populações de outras regiões: atividades locais que reforcem os valores dos frutos em linguagem mais adequada às comunidades podem ser propostas na ocasião de eventos maiores, de preferência num formato que integre atividades e conhecimentos valorizados localmente, pois muitas comunidades já estão cansadas de receber oficinas e capacitações no formato tradicional.

– organização de festivais ou outros eventos culturais: esses eventos podem ser estratégicos para atrair mais pessoas de fora para conhecerem a cultura e os produtos locais, mas também são importantes para incentivar o uso e o consumo pelas populações locais.

– introdução de frutos do Cerrado na alimentação escolar: a compra de produtos para a merenda escolar junto a agricultores familiares já vem conseguindo resultados surpreendentes. Porém, quando se trata de regionalização da alimentação escolar, ainda são poucos casos em que os agroextrativistas conseguem abastecer regularmente as escolas, não apenas pelas dificuldades de distribuição, mas também pela resistência ou falta de informações dos agentes envolvidos, como nutricionistas, merendeiras e equipes das secretarias municipais de educação.

– incentivo a pesquisas sobre métodos de conservação e processamento dos frutos do Cerrado: os recursos públicos e privados ainda são pouco direcionados para este tipo de pesquisa. É importante que sejam formuladas demandas, não apenas das organizações que representam as populações agroextrativistas, mas também de pequenos e médios empreendedores interessados em investir na agregação de valor a esses produtos.

– atividades e projetos que envolvam os jovens oriundos de comunidades agroextrativistas: trabalhos voltados para os jovens que estimulem a conservação dos hábitos tradicionais do Cerrado, por meio de atividades pedagógicas e culturais, tanto no ambiente escolar e de formação técnica, como, por exemplo, nos diferentes tipos de eventos já mencionados.

– integração de conhecimentos tradicionais das populações do Cerrado com tecnologias modernas ou usos descobertos por outras populações: é o caso de agricultores familiares em assentamentos de reforma agrária que, ao migrarem para áreas de Cerrado, passam a se adaptar à biodiversidade do bioma6 e promovem adaptações para conseguirem trabalhar nesse novo ambiente para muitos.

As atividades de pesquisa, assistência técnica e extensão rural (ATER) e de promoção cultural junto às comunidades agroextrativistas, são, portanto, possibilidades de se agregar valores aos frutos do Cerrado. Alguém tem mais sugestões para agregar (ou desvelar) valores para superarmos os desafios citados? Aqui no Cerratinga podemos começar a falar e a nos mobilizar para isso!

Referências

1 Aquino, F. G.; Ribeiro, J.F.; Gulias, A.P.S.M.; Oliveira, M.C.; Barros, C.J.S.; Hayes, K.M.; Silva, M.R. Uso sustentável das plantas nativas do Cerrado: oportunidades e desafios. In: Parron, L.M.; Aguiar, L.M.S.; Duboc, E.; Souza-Filho, E.C.; Camargo, A.J.A.; Aquino, F.G. Cerrado: desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2008, pp. 95-123.

2 Ploeg, J.D.V. O modo de produção camponês revisitado. In: Schneider, S. (org.). A diversidade da agricultura familiar. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006, pp. 13-54.

3 Valente, A.L.E.F. Desvelar valor: contribuição conceitual ao agronegócio. In: Botelho Filho, F.B. (org.). Capital Social, educação e agronegócios. Brasília: UnB/Ceam, v.5, n.21, 2005, pp. 63-70.

4 Zaneti, T.B.; Maciel, A.P.; Barbosa-Silva, D.; Diniz, J.D.A.S. Valorização das espécies vegetais nativas do Cerrado: novos usos e novos mercados. In: 49º Encontro da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER), Belo Horizonte, 2011.

Marin, A.M.F. Potencial nutritivo de frutos do cerrado: composição em minerais  e componentes não convencionais. Dissertação (Mestrado em Nutrição Humana), UnB, 2006.

6 Melo, S.V.C. Extrativismo vegetal como estratégia de desenvolvimento rural no Cerrado. Dissertação (Mestrado em Agronegócios), UnB, 2013.

Fazenda Água Limpa

PAIVA, Artur Orelli; REZENDE, Alba Valéria  and  PEREIRA, Reginaldo Sergio. Estoque de carbono em cerrado sensu stricto do Distrito Federal. Rev. Árvore [online]. 2011, vol.35, n.3, pp.527-538. ISSN 1806-9088.  http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622011000300015.

O objetivo do trabalho foi estimar o estoque de carbono da parte aérea (troncos, galhos e serapilheira) e subterrânea (raízes e solo) da vegetação lenhosa de um cerrado sensu stricto, localizado na Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília, Distrito Federal. A área de estudo foi amostrada a partir de parcelas de 20 x 50m alocadas sistematicamente. Em cada parcela foram inventariados todos os indivíduos lenhosos arbóreo-arbustivos, vivos e mortos em pé, com no mínimo 5 cm de diâmetro tomado a 30 cm do solo. Foram realizadas também coletas da biomassa de serapilheira; da biomassa de raízes (fina, média e grossa) e da densidade e teor de carbono no solo. A profundidade máxima adotada para a coleta de biomassa da parte subterrânea foi de 2 m. A maior parte do carbono correspondeu ao compartimento solo (88,7%), superando bastante as raízes (7,3%), onde as concentrações foram de 271,23 e 22,38 toneladas por hectare, respectivamente. Troncos e galhos totalizaram 8,60 toneladas de carbono por hectare e a serapilheira, 3,62 toneladas de carbono por hectare.