Sarcoramphus papa (Linnaeus, 1758)

Nome(s) popular(es)

Urubu Rei, Corvo Branco, Urubu Real, Urubu Branco, Urubutinga, Urubu Rubixá, Urubu Preto e Branco, Iriburubixá.

História Natural

Ave carniceira incomum, típica de regiões tropicais florestadas ou savânicas de baixa altitude, não ocorrendo em áreas montanhosas ou desérticas. No Cerrado, habita savanas, matas de galeria, matas ciliares, campos sujos, campos limpos e campos rupestres. Demanda grandes áreas preservadas e possui hábitos solitários. Se empoleira em galhos altos para descansar durante a noite. Costuma planar a grandes alturas, utilizando as correntes térmicas para facilitar sua sustentação e batendo pouco as asas. Enquanto plana busca visualmente por alimento, já que seu olfato não é tão desenvolvido quanto o do Urubu de Cabeça Vermelha e do Urubu de Cabeça Amarela. Também se mantém atento à atividade de outros urubus, que pode indicar a presença de uma carcaça, e ao se aproximar de uma incita uma postura respeitosa nas outras aves carniceiras, até mesmo nos grupos de Urubu de Cabeça Preta, graças a seu tamanho. Com seu bico robusto consegue rasgar tecidos que os outros urubus não conseguiriam, acessando e tornando acessíveis partes da carcaça antes intocadas. Também pode se alimentar de presas de outros animais, como aquelas tragas por um Harpia até o ninho para alimentar seus filhotes, ou as carcaças deixadas por uma Onça, podendo até mesmo procurá-la e seguí-la pela mata na espera de um abate. Caso carcaças estejam escassas, pode se alimentar de frutos de Embaúba, embora seja raro. Sua reprodução ocorre entre julho e dezembro, e envolve rituais de cortejo com batidas de asa e exibição dos apêndices coloridos da face. Os ninhos são feitos no chão ou entre pedras, em morros e paredões. São postos 1 ou 2 ovos. Os urubus (família Cathartidae), e aves carniceiras em geral, possuem um papel ecológico de extrema importância, pois ao se alimentar de carcaças eliminam do ecossistema toxinas e bactérias do processo de putrefação perigosas a outros organismos, além de reintroduzir os nutrientes da carcaça no ciclo natural. Também ajudam a controlar epidemias dentre as populações naturais, eliminando os cadáveres contaminados ou os animais doentes agonizantes.

Descrição

Mede entre 75 e 85 cm de comprimento. É o maior urubu (família Cathartidae) brasileiro. Sua cor principal é branco, com um colar preto ou cinzento no pescoço e as penas da asa e cauda pretas. Possui a cabeça nua e bem colorida, com apêndices carnosos, bem característica. O bico é robusto e terminado em gancho, com a ponta laranja, possuindo uma crista carnosa alaranjada ou amarela que fica pendurada. Possui a face negra coberta por uma fina penugem, com uma mancha nua de tom lilás entre o bico e o olho, que possui uma íris branca bem contrastante. Na região da bochecha possui um apêndice carnoso de tom pardacento que se estende até a nuca. O topo da cabeça e a região superior do pescoço são laranjas vivo, com a garganta amarelada. Suas patas são cinzentas.

Distribuição

Sua distribuição é ampla pelas Américas, se estendendo desde o sul do México ao nordeste da Argentina, incluindo quase toda a América Central e América do Sul a leste dos Andes, exceto o Chile e o Uruguai. No Brasil ocorre em todos os estados.

Conservação

Quase ameaçado: é considerado quase ameaçado no Brasil (ICMBio), pouco preocupante globalmente (IUCN), e suas populações vêm decaindo, principalmente devido à perda de habitat.

Referências

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