Frutos Atrativos do Cerrado

Animais que se alimentam de frutos realizam dispersão de sementes e sustentam os ciclos de regeneração natural de grande parte das espécies florestais do mundo. Para o Cerrado brasileiro, cerca de 70% das espécies arbóreas produz frutos carnosos que são consumidos pela fauna e quase 50% das aves e mamíferos do bioma se alimenta de frutos. Dessa forma, a biodiversidade em biomas como o Cerrado depende da conservação e também da restauração dos processos ecológicos de dispersão de sementes e interações planta-animal. O bioma Cerrado é formado por três formações principais: florestas, savanas e campos. Entre essas formações, as florestais possuem o maior número de espécies de frutos carnosos e também de animais frugívoros. Entender o processo ecológico da dispersão de sementes pode ajudar a prever fatores ambientais necessários para a reprodução e sobrevivência da vegetação nativa. Para o Cerrado, quase 4.000 espécies de plantas, distribuídas em 400 gêneros, produzem frutos atrativos para fauna e dela depende para sustentar os seus ciclos reprodutivos.

 

Site do Projeto: http://www.frutosatrativosdocerrado.bio.br/

Instagram do projeto com fotos das espécies: https://www.instagram.com/frutos_atrativos_do_cerrado/  

Biólogo e Doutor em Botânica pela Universidade de Brasília, há mais de 10 anos pesquisa interações ecológicas entre plantas e animais nativos associadas à frugivoria e dispersão de sementes. Atualmente atua como consultor na Embrapa Cerrados, no Distrito Federal, na área de conservação da biodiversidade.

Link do Research Gate onde estão disponíveis suas publicações para download: https://www.researchgate.net/profile/Marcelo_Kuhlmann/publications  

 

PERES, Marcelo Kuhlmann. Diásporos do Cerrado atrativos para fauna: chave interativa, caracterização visual e relações ecológicas. 2011. xi, 122 f. : Dissertação (Mestrado)-Universidade de Brasília, Brasília, 2011. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/8595

 

Resumo:

A conquista de novos ambientes pelas plantas depende de fatores como produção em qualidade e quantidade de sementes, dispersão eficaz dos diásporos e estabelecimento em locais favoráveis ao crescimento. Frutos e sementes (diásporos) possuem adaptações às diversas formas de dispersão e a grande variedade nessas estruturas torna complexa sua classificação morfológica e identificação do material botânico quando coletado em fruto. O objetivo desse trabalho foi conhecer espécies do bioma Cerrado com diásporos atrativos para fauna, suas diversas adaptações morfológicas e ecológicas, e a confecção de uma chave interativa ilustrada para identificação das espécies. As coletas ocorreram principalmente no Cerrado do Jardim Botânico de Brasília, DF, sendo registradas 157 espécies distribuídas em 61 famílias e 111 gêneros. Foram obtidos dados dos seus frutos e sementes como tamanho, peso, teor de água, cor, forma, adaptações para dispersão, ambiente onde ocorre, hábito da planta, época de maturação dos frutos e agente dispersor predominante. O material coletado foi fotografado e depositado no Herbário da Universidade de Brasília. A chave eletrônica foi confeccionada no "Lucid", programa de chaves interativas de múltipla entrada que possibilita uso de imagens. Os resultados mostraram que mais de 70% dos diásporos possuem tamanho de 1 a 2 cm de comprimento, e são dispersos principalmente por aves. As aves são atraídas por frutos pequenos, coloridos e sementes ariladas, enquanto mamíferos terrestres ou arborícolas preferem frutos grandes carnosos e suculentos. Cerca de 60% das espécies coletadas são de fitofisionomia florestal e seus frutos amadurecem predominantemente no período chuvoso. Os resultados estão de acordo com a literatura consultada e refletem a importância de se conhecer a relação planta/homem/animal em programas de conservação. A chave tem se mostrado uma ferramenta eficaz na identificação das espécies e será disponibilizada gratuitamente na página do herbário da Universidade de Brasília (www.florescer.unb.br).  

PERES, Marcelo Kuhlmann. Estratégias de dispersão de sementes no bioma Cerrado: considerações ecológicas e filogenéticas. 2016. 353 f., il. Tese (Doutorado em Botânica)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/20630

 

Resumo:

A dispersão de sementes é processo chave no ciclo de vida das plantas e entender esse processo em comunidades naturais, de um ponto de vista ecológico e evolutivo, pode ajudar a prever fatores ambientais necessários para a reprodução e sobrevivência da vegetação, auxiliando trabalhos de conservação e recuperação de áreas degradadas, como aquelas presentes no bioma Cerrado. No entanto, pouco ainda se sabe sobre a influência das diferentes estratégias de dispersão das plantas na constituição florística desse bioma megadiverso e na evolução e regeneração natural dos seus diferentes tipos de vegetação. Com base nisso, esse estudo teve como objetivo entender como as angiospermas das formações florestais, savânicas e campestres do bioma Cerrado se apresentam em termos de dispersão de sementes e as interações com animais frugívoros num contexto ecológico e filogenético. Para tanto, trabalhamos com as espécies da flora e da fauna do Distrito Federal, região bastante representativa sobre a biodiversidade do Cerrado, para responder questões relacionadas à evolução das estratégias de dispersão no bioma. Foi investigada a distribuição das diferentes síndromes de dispersão e das diferentes categorias de frutos nas formas de vida e formações da vegetação do bioma. Também foi testado o sinal filogenético das síndromes e tipos de frutos para avaliar a conservação evolutiva dessas características, com base em uma árvore filogenética para gêneros de angiospermas do Cerrado. Ainda, foram construídas potenciais redes de interações planta-frugívoros, com ampla representatividade de táxons do bioma. Os resultados encontrados mostraram que a distribuição das diferentes síndromes de dispersão e tipos de diásporos foi significativamente associada às diferentes formações do bioma, mas, principalmente, às formas de vida mais encontras nessas formações. Também foi observado entre as espécies e gêneros analisados a proporção de 1:1:1, entre zoocoria, anemocoria e autocoria, aparentando que as síndromes estão distribuídas de modo equilibrado nas formações do Cerrado. Espécies zoocóricas e animais frugívoros estiveram associados principalmente às formações florestais e houve predomínio de interações fruto-aves nas redes. As redes foram significativamente modulares e altamente generalistas, com os módulos diferenciando-se entre eles principalmente quanto ao tamanho dos diásporos e porte dos frugívoros. Os testes de sinal filogenético resultaram em valores altos (próximo a “1”) para as síndromes zoocoria, anemocoria e autocoria e para os tipos de frutos, indicando que essas características parecem ter sido filogeneticamente conservadas ao longo da história evolutiva das angiospermas. No entanto, entre as síndromes zoocóricas, especificamente, e os módulos das redes de interações, foram verificados baixos valores de sinal filogenético, indicando que interações planta-frugívoross tendem a ser mais maleáveis evolutivamente, de modo que diferentes animais são capazes de interagir com frutos de diferentes linhagens das angiospermas. Por último, foi construída uma chave interativa de múltiplas entradas, ricamente ilustrada, com acesso gratuito pela internet, para identificação de gêneros e espécies de frutos do Cerrado que são atrativos para fauna. De maneira geral, esse estudo relacionou alta representatividade da flora e da fauna frugívora (aves e mamíferos) nas diferentes formações da vegetação do Cerrado, fornecendo visão geral sobre a funcionalidade das diferentes estratégias de dispersão das plantas do bioma do ponto de vista ecológico e filogenético. Assim, espera-se que estas informações possam ser úteis para compor planos de manejo e de recuperação de áreas degradas nessa região neotropical megadiversa.  

Baseados na ideia de “conhecer para valorizar”, a coleção dos livros sobre “Frutos do Cerrado” foi elaborada ao longo de mais de 10 anos de pesquisa pelo Biólogo e doutor em Botânica Marcelo Kuhlmann. Os volumes I e II da obra “Frutos e Sementes do Cerrado: espécies atrativas para fauna” tratam-se de guias de campo ricamente ilustrados para identificação de espécies da flora e da fauna nativa do bioma Cerrado. Abordam mais de 500 espécies de frutos do Cerrado e de animais frugívoros, documentados em mais de 3 mil fotografias. Já o livro “Frutos do Cerrado: 100 espécies atrativas para Homo sapiens” representa um guia de coleta para os frutos comestíveis mais comuns do bioma, organizados pelo seu mês de maturação.

 

Loja online onde os livros podem ser adquiridos: https://field-guide-cerrado.myshopify.com/