Peixes do Cerrado

 

A ampla gama de ambientes aquáticos no Cerrado – rios, lagos, pântanos – é notável, porém pouco explorada. O conhecimento científico é mais focado em grandes rios e poucos grupos de organismos como peixes (Fonseca, 2005; Lambert e Ribeiro, 2007). As 800 espécies de peixes de água doce registradas para o Cerrado representam 27% das cerca de 3.000 espécies de peixes na América do Sul (Mittermeier et al., 2004; Fonseca, 2005; Lambert e Ribeiro 2007). Este número pode ser muito maior, considerando-se que entre 30% e 40% das espécies de peixes de água doce no Brasil ainda são desconhecidas ou contam com registros não publicados (Fonseca, 2005). Um aspecto importante é a peculiaridade da fauna de peixe das bacias hidrográficas. Entre os 298 gêneros de peixes registrados para o Cerrado, 148 (50%) são exclusivos para uma bacia hidrográfica particular (Lambert e Ribeiro, 2007). Entre as espécies, 84% podem ser consideradas exclusivas de qualquer bacia hidrográfica. As bacias dos rios Tocantins e São Francisco são aquelas com a maior riqueza de gêneros de peixes, com 74 e 12 gêneros, respectivamente (Lambert e Ribeiro, 2007). O sistema Araguaia-Tocantins apresenta a maior riqueza de espécies de peixes do Cerrado. Apenas para a bacia do rio Araguaia, 360 espécies de peixes foram registradas (Amaral, 2013). Isso é equivalente a 68% de todas as espécies de peixes de água doce conhecidas no continente europeu. Peixes como o bagre do rio São Francisco (Pseudoplatystoma corruscans), o surubim do rio Araguaia (Pseudoplatystoma fasciatum), o curimatã-pacu (Prochilodus argenteus) e o dourado (Salmius franciscanus), espécie endêmica do rio São Francisco, são característicos destas bacias, sendo apreciados por milhares de pescadores artesanais como fonte de proteína e para o mercado local”.

Fonte: Ecosystem profile Cerrado biodiversity hotspot: Full Report / Critical Ecosystem Partnership Fund; coordenador Donald Sawyer… [et al.]. – Brasília: Supernova, 2018.

Fonte: Instituto Brasília Ambiental - IBRAM
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