Primatas do Cerrado

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Os Primatas, popularmente chamados de macacos, são uma das ordens de mamíferos placentários mais diversas existentes atualmente. As últimas revisões taxonômicas reconhecem cerca de 80 gêneros e mais de 500 espécies de primatas viventes. Os representantes da ordem são os lêmures, lóris, gálagos, társios, macacos do Novo Mundo (as Américas), macacos do Velho Mundo (África, Ásia e Europa), símios (apes) e humanos. Todas as espécies vivem em redes sociais bastante elaboradas com comunicação aprimorada entre os indivíduos, prenunciando a complexidade social mostrada pelos humanos modernos. Eles são bastante diversos ao que se refere às suas características físicas e comportamentais. Encontramos no grupo animais que variam de 40 g, como é o caso do lêmure-rato-pigmeu (Microcebus myoxinus) a 120 kg como os gorilas (Gorilla gorilla). O grupo não é definido por ter caráter único, mas sim por um conjunto de características, sendo que algumas delas são compartilhadas inclusive com outros mamíferos.

Esses animais possuem mãos e pés habilidosos, nos quais permitem que se locomovam entre as árvores e tenham capacidade de agarrar e manipular objetos. Parte dessa capacidade é dada pela divergência do hálux - dedão do pé - dos demais dedos (característica modificada nos humanos). A presença de unhas ao invés de garras e a presença de terminações nervosas especializadas nas pontas dos dígitos (Corpúsculo de Meissner) lhes garantem essa habilidade. Assim, esses animais são capazes de utilizar ferramentas que auxiliam no seu forrageamento, como é o caso dos macacos-prego (Sapajus libidinosus) que utilizam pedras para a quebra de sementes e varetas para acessar insetos nos troncos das árvores.

A adaptação visual é outro aspecto importante para a vida arbórea dos primatas. Eles possuem visão estereoscópica, uma vez que seus olhos estão voltados para frente proporcionando visão binocular. Cada olho é protegido pela órbita pós-orbital (osso presente ao redor dos olhos). Em geral, os primatas possuem olhos relativamente grandes em relação ao corpo e os primatas noturnos possuem uma órbita ainda maior. A presença de um sistema visual mais especializado contribuiu para a ocorrência de cérebros relativamente grandes em relação ao corpo, quando comparados a outros mamíferos (golfinhos e elefantes são exceções). Essa característica surgiu de forma independente em várias linhagens de primatas e em parte pode ter sido em resposta a competições entre presa e predadores. Outro fator que contribui para os cérebros grandes nesses animais é a sociabilidade. Os primatas vivem em bandos organizados em complexas estruturas sociais, apresentam grande investimento parental, ou seja, cuidado com os filhotes e extensas histórias de vida.

Entendemos melhor as características dos Primatas quando os separamos em subgrupos. Por exemplo, a subordem Strepsirrhini é composta por primatas que apresentam características mais primitivas, como os lêmures de Madagascar. O grupo é caracterizado pela presença do rinário (nariz com a ponta nasal úmida e contínua), tapetum lucidum (camada reflexiva) atrás da retina do olho e uma placenta epiteliocorial (o sistema materno e fetal é separado). Os Haplorrhini compostos pelos társios e os demais macacos, não possuem rinário ou tapetum lucidum. O seu sistema olfativo é reduzido, enquanto o sistema visual é mais complexo com presença de mácula e fóvea na retina. Além disso, possuem placenta hemocorial (o tecido embrionário/fetal invade a corrente sanguínea materna).

Nos Haplorrhini encontramos os macacos do Novo e Velho Mundo e os símios. Os macacos do Novo Mundo, também chamados de Platyrrhini, são aqueles aos quais os Primatas do Cerrado fazem parte. Os Platyrrhini encontram-se distribuídos em regiões da América Sul e Central, são cerca de 20 gêneros e 170 espécies das quais cerca de 102 estão presentes no Brasil. São todos arborícolas e diurnos exceto os macacos-da-noite (gênero: Aotus). Os macacos do Novo Mundo são divididos em cinco famílias (Aotidae, Atelidae, Callitrichidae, Cebidae e Pitheciidae), todas com alguma espécie ocorrendo no Cerrado.

Referências:

Fleagle J. G., & Seiffert, E. R. (2020). The Phylogeny of Primates. In Kaas, J. H. (Ed.), Evolutionary Neuroscience (2nd ed. pp. 483–518). Academic Press. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-820584-6.00020-9
Groves, C. (2018). An Overview of the Primates. In Burke, M., & Ptito, M. (Eds.), Primates (pp. 11–27). IntechOpen. https://doi.org/10.5772/intechopen.70264
Martin, R. D. (2012). Primates. Current Biology, 22(18), 785–790. https://doi.org/10.1016/j.cub.2012.07.015
Rylands, A. B., & Mittermeier, R.A. (2014). Primate taxonomy: species and conservation. Evolutionary Anthropology, 23, 8–10. https://doi.org/10.1002/evan.21387

O Brasil apresenta uma elevada diversidade de primatas. Sabe-se que, até 2018, era possível identificar, no país, cerca de 102 espécies divididas em aproximadamente 17 gêneros. No bioma Cerrado, é possível encontrar em torno de 15 espécies distintas nessa ordem taxonômica. Esses indivíduos estão distribuídos ao longo de seis gêneros: Alouatta, Aotus, Callicebus, Callithrix, Sapajus e Mico.
Nessa perspectiva, os integrantes do gênero Alouatta (Lacépède, 1799) pertencem à família Atelidae, e são popularmente conhecidos como bugios. São animais de porte médio que possuem ampla distribuição geográfica na região neotropical. Cerca de quatro espécies do gênero podem ser encontradas de modo natural nas savanas brasileiras. São elas: Alouatta belzebul (Linnaeus, 1766) - bugio-de-mãos-ruivas; Alouatta caraya (Humboldt, 1812) - bugio-preto; Alouatta ululata (Elliot, 1912) - bugio-de-mãos-ruivas-do-maranhão e Alouatta guariba - bugio-ruivo. Para Groves, essa última espécie pode ser dividida em duas subespécies, Alouatta guariba clamitans (Cabrera, 1940) e Alouatta guariba guariba (Humboldt, 1812).

Por sua vez, o gênero Aotus (Illiger, 1811) compõe a família Aotidae, e tem como único representante conhecido no bioma Cerrado a espécie Aotus azarae (Humboldt, 1811). Para Groves, essa espécie pode ser dividida nas subespécies Aotus azarae azarae (Humboldt, 1811), Aotus azarae infulatus (Kuhl, 1820), Aotus azarae boliviensis (Elliot, 1907). Apesar de seu nome popular ser macaco-da-noite-de-pescoço-vermelho, alguns estudos demonstram que esses indivíduos podem apresentar atividade catemeral, isto é, são ativos de dia e de noite. São primatas de pequeno porte, apresentam uma pelagem curta de cor castanha, ventre laranja e olhos grandes.

Callicebus (Thomas, 1903) é um dos gêneros pertencentes à família Pitheciidae, e os indivíduos que compõem tal gênero são popularmente conhecidos como macacos-titis, guigós, sauás, ou zogue-zogue. São caracterizados por serem de pequeno a médio porte, apresentarem uma cauda longa e coloração variável a depender do indivíduo analisado. Dentre as espécies que compõem esse grupo, duas são encontradas no Cerrado: Callicebus personatus (É. Geoffroy & Humboldt, 1812) - guigó-mascarado e C. nigrifons (Spix, 1823) - guigó-de-frente-negra.

Ainda há também os saguis, ou seja, os indivíduos pertencentes ao gênero Callithrix (Linnaeus, 1758). Eles estão inseridos na família Callitrichidae, são caracterizados pelo seu pequeno porte e por sua capacidade de ocupar ambientes diversos. No Cerrado, podem ser encontrados três representantes do gênero, como Callithrix jacchus (Linnaeus, 1758) - sagui-de-tufos-brancos; C. geoffroyi (Humboldt, 1812) - sagui-da-cara-branca e C. penicillata - sagui-de-tufos-pretos (É. Geoffroy, 1812).

Os macacos-prego compõem o gênero Sapajus (Linnaeus, 1758) pertencem à família Cebidae. Sua característica marcante é a presença de tufos no topo da cabeça, que variam em tamanho e cor a depender do indivíduo examinado. De modo natural, são encontradas quatro espécies desse grupo no bioma analisado. São elas: Sapajus nigritus (Goldfuss, 1809) - macaco-prego-preto; S. cay (Illiger, 1815) - macaco-prego-de-azara; S. xanthosternos (Wied, 1820) - macaco-prego-de-peito-amarelo e S. libidinosus (Spix, 1823) - macaco-prego-amarelo.

Por fim, o Mico melanurus, também chamado de sagui-do-cerrado, ou sagui-de-rabo-preto, é o único representante do gênero Mico (Lesson, 1840) no Cerrado. Faz parte da família Callitrichidae, e é reconhecido por ser um animal de pequeno porte. Além disso, é o único representante do gênero que ocorre naturalmente fora do Brasil.

¹Gregorin (2006) considera essas subespécies como espécies separadas, e para ele, Alouatta fusca é o nome correto para Alouatta guariba guariba, e Alouatta clamitans é o nome correto de Alouatta guariba clamitans.

Referências:

Caselli, C. B., & Setz, E. Z. F. (2011). Feeding ecology and activity pattern of black-fronted titi monkeys (Callicebus nigrifrons) in a semideciduous tropical forest of southern Brazil. Primates, 52(4), 351. https://doi.org/10.1007/s10329-011-0266-2.
Estrada, A., Garber, P. A., Mittermeier, R. A., Wich, S., Gouveia, S., Dobrovolski, R., . . . Maisels, F. (2018). Primates in peril: the significance of Brazil, Madagascar, Indonesia and the Democratic Republic of the Congo for global primate conservation. PeerJ, 6, e4869. https://doi.org/10.7717/peerj.4869.
Fernandes, C. C. (2013). Padrão de Atividade, Dieta e Uso do Espaço por Callicebus personatus (Primates, Pitheciidae) em uma Área de Parque Urbano, Município de Santa Teresa, ES. Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil.
Garcia de la Chica, A., & Fernández-Duque, E. (2018). Entendiendo los monos nocturnos (Aotus azarae) en la Argentina: veinte años de aportes cientícos del Proyecto Mirikiná. In Urbani, B., Kowalewski, M., Cunha, RGT., de la Torre, S.,& L. Cortés-Ortiz (Eds.), La primatologia en Latinoamérica 2 - A primatologia na América Latina 2 (Ediciobes IVIC ed., pp. 57-67).
Gregorin, R. (2006). Taxonomia e variação geográfica das espécies do gênero Alouatta Lacépède (Primates, Atelidae) no Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 23(1), 64-144. https://doi.org/10.1590/S0101-81752006000100005.
Groves, C. P. (2005). Order Primates. In D. E. Wilson & D. M. Reeder (Eds.), Mammal species of the world (3 ed., Vol. 1, pp. 110-184). Baltimore: Johns Hopkins University Press.
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Martins-Junior, A. M. G., Carneiro, J., Sampaio, I., Ferrari, S. F., & Schneider, H. (2018). Phylogenetic relationships among Capuchin (Cebidae, Platyrrhini) lineages: An old event of sympatry explains the current distribution of Cebus and Sapajus. Genetics and molecular biology, 41(3), 699-712. https://doi.org/10.1590/1678-4685-gmb-2017-0012.
Rylands, A. B., Coimbra-Filho, A. F., & Mittermeier, R. A. (2009). The systematics and distributions of the marmosets (Callithrix, Callibella, Cebuella, and Mico) and callimico (Callimico)(Callitrichidae, Primates). In The smallest anthropoids (pp. 25-61): Springer. https://doi.org/10.1007/978-1-4419-0293-1_2.

Os Primatas realizam diversas funções importantes na natureza que colaboram para o equilíbrio do meio ambiente. As interações planta-animal constituem uma relação mutualística entre esses organismos e é uma das principais funções desempenhadas pelos primatas. Constitui-se uma via de mão dupla, pois as plantas tornam-se dependentes de animais como os macacos para dispersar suas sementes, e os primatas dependem dos ambientes arbóreos e dos recursos alimentares como abrigo e fonte de energia para viver. Desse modo, sem o auxílio dos primatas, importantes espécies vegetais poderiam até mesmo desaparecer.

A dispersão de sementes pelos primatas corresponde entre 25% e 40% da biomassa das florestas tropicais, caracterizando esses animais como semeadores de árvores de grande porte. O tamanho corporal de certos primatas contribui para que estes possam dispersar sementes de árvores que costumam ser maiores e mais pesadas. Isso ocorre uma vez que esses animais são capazes de manipular e transportar o fruto, cuspindo e digerindo as sementes e deixando cair em diferentes locais, as sementes pequenas geralmente são deglutidas e as muito grandes geralmente são descartadas no meio após o consumo da parte carnosa do fruto.
Portanto, a existência dos primatas é essencial para os biomas, pois estes desempenham um papel crucial para a manutenção e recuperação do meio ambiente devido à dinâmica da sua ecologia alimentar. Uma das principais formas de dispersão, por esses animais, é dada quando eles ingerem o alimento, transitam por grandes extensões e levam as sementes para locais distantes da planta-mãe. Em seguida, eliminam as sementes ingeridas por meio de suas fezes, favorecendo a germinação. Toda essa dinâmica colabora para a regeneração das florestas, proteção dos mananciais, além da manutenção da sua posição no equilíbrio da cadeia alimentar.

Os primatas não-humanos compartilham uma série de características com os seres humanos e por isso despertam grande interesse dos pesquisadores pela busca do entendimento sobre esses animais, a fim de compreendermos a nossa própria origem. Com o expressivo aumento das pesquisas com primatas, nas últimas quatro décadas, diversas evidências genéticas, anatômicas, cognitivas, comportamentais e sociais, tem demonstrado grandes semelhanças entre os homens e os chimpanzés, o que permite o desenvolvimento de estudos comparativos entre as espécies, com cunho evolutivo e até mesmo relativos à saúde. Esses animais atuam como sentinelas no enfrentamento de algumas doenças, como a febre amarela. Espécies dos gêneros Alouatta (bugios) e Callithrix (saguis, micos), por exemplo, são mais suscetíveis a serem infectados e por isso são considerados indicadores biológicos em determinadas regiões. Quando esses animais são encontrados na mata com sinais de febre amarela, os órgãos de saúde são informados e os profissionais podem intervir de maneira mais efetiva no combate à doença e evitar que ela se propague nas populações humanas.

Referências:

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância e Saúde. (2005). Manual de Vigilância de Epizootias em Primatas não-humanos. 2a edição. Brasília-DF. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vig_epizootias.pdf

Chapman, C.A.; Russo, S.E., (2005). Primate Seed Dispersal, Linking Behavioral Ecology with Forest Community Structure. Ecology, p. 510-525.

(2019) Espécie de primatas contribui para a conservação de água potável. Jornal da USP, Universidade de São Paulo, 10/04/2019. Ambiente é o meio. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=236394

Estrada A., Garber P. A., Rylands A. B., Christian R., Fernandez-Duque E., Fiore A. D., Nekaris K. AL, Nijman V., Heymann E. W., Lambert J. E., Rovero F., Barelli C., Setchell J. M., Gillespie T. R., Mittermeier R. A., Arregoitia L.V., Guiné M., Gouveia S., Dobrovolski R., Shanne S., Shanne N., Boyle S. A., Fuentes A., …, Li B., (2017). Impending extinction crisis of the world's primates: Why primates matter. Science Advances. v.3, no.1, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1126/sciadv.1600946

Lambert J.E., Garber, P.A., (1998). Evolutionary and ecological implications of primates seed dispersal. Am J Primatol. 1998; 45 (1): 9-28.

Sangiovanni, R. (2017). Estudo de primatas, com participação baiana, vê 60% das espécies em risco de extinção. Edgardigital - UFBA, 2017. Disponível em: http://www.edgardigital.ufba.br/?p=1353

Santos, F. R. (2014). A grande árvore genealógica humana. Rev. UFMG. v21, n.1 e 1, p.88-113, Belo Horizonte, MG. Disponível em: https://doi.org/10.35699/2316-770X.2014.2643

Dentre os 193 países existentes no mundo, os Primatas ocorrem em 90 destes. Contudo, os quatro países que se encontram em situações mais delicadas ao que se refere à conservação dos seus ambientes naturais são os que concentram o maior número de espécies de primatas mundialmente (Brasil, Madagascar, Indonésia e República Democrática do Congo). O Brasil é o país que possui a maior diversidade de primatas, representando 21% dos primatas atualmente conhecidos. Infelizmente, 39% dessas espécies estão ameaçadas de extinção de acordo com a IUCN (União Internacional de Conservação à Natureza).

Os sistemas ecológicos desestruturariam e desestabilizariam a complexa e ampla rede de interações ecológicas com a redução brusca dessas populações de primatas. Estes animais garantem o equilíbrio dos ecossistemas assegurando a regeneração das florestas que habitam, e servindo de presas para outros indivíduos. A principal ameaça que afeta os primatas é a expansão das fronteiras agrícolas. Dentro de 20 anos (1990 a 2010), aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros quadrados foram destinados à agricultura, ameaçando a sobrevivência das espécies. Além disso, a fragmentação de hábitat, a caça ilegal de animais silvestres e a exploração madeireira são algumas das outras ameaças que afetam a preservação dos primatas.

É essencial a criação e aplicação efetiva de leis ambientais que impeçam a caça ilegal e a destruição ilícita das florestas. Para que haja sucesso a longo prazo da conservação de diversas espécies, deve-se concentrar em conscientização pública local e global, e ativamente engajar organizações internacionais e empresas multinacionais para reduzir as demandas insustentáveis sobre o meio ambiente. Por fim, a criação de áreas de proteção ambiental constitui a principal ferramenta para a conservação das espécies de primatas. Faz-se necessária uma legislação com um planejamento integrado e sustentável do uso de terras entre distintos setores sociais, legisladores nacionais e internacionais e a sociedade civil em prol do desenvolvimento econômico e da preservação dos primatas. Caso nada seja feito, algumas populações de primatas podem desaparecer até o fim do século. Ademais, alguns já apresentam declínio populacional significativo em decorrência dessas ameaças.

 

Referências:

Chiarello, A. G., Aguiar, L. M. S., Cerqueira, R., Melo, F. R., Rodrigues, F. H. G. & Silva, V. M. F. (2008). Mamíferos ameaçados de extinção do Brasil. In: Machado, A. B. M., Drummond, G. M., Paglia, A. P. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Fundação Biodiversitas, (2), 681-874.

Estrada A., Garber P. A., Mittermeier R. A., Wich S., Gouveia S., Dobrovolski R., Nekaris K. A. I., Nijman V., Rylands A. B., Maisels F., Williamson E. A., Bicca-Marques J., Fuentes A., Jerusalinsky L., Johnson S., Rodrigues de Melo F., Oliveira L., Schwitzer C., Roos C., Cheyne S. M., Martins Kierulff M. C., Raharivololona B., Talebi M., Ratsimbazafy J., Supriatna J., Boonratana R., Wedana M. & Setiawan A. (2018). Primates in peril: the significance of Brazil, Madagascar, Indonesia and the Democratic Republic of the Congo for global primate conservation. PeerJ 6:e4869 https://doi.org/10.7717/peerj.4869

Atualmente há algumas instituições que trabalham em benefício da conservação dos primatas brasileiros como o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB). Com quase vinte anos desenvolvendo atividades por diversos profissionais, o CPB produz e gerencia informações sobre todos os primatas brasileiros, tendo como foco central o desenvolvimento de pesquisas científicas e ações de manejo para a conservação das 26 espécies presentes na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Todo esse trabalho é desenvolvido com a fundamental colaboração e/ou apoio de mais de 30 instituições parceiras, entre universidades, órgãos públicos, sociedades científicas, ONGs e empresas.

Conheça algumas instituições brasileiras envolvidas na conservação dos primatas:
● Projeto Mucky: ONG que tem por missão resgatar e proteger primatas brasileiros;
● Great Ape Project (GAP): santuário de Grandes Primatas de Sorocaba;
● Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB): desenvolve ações para a defesa, conservação e manutenção dos ecossistemas e da biodiversidade nacional, regional e local;
● Programa de Conservação dos Saguis-da-serra (PCSS): atua na conservação de duas espécies ameaçadas, o sagui-da-serra (Callithrix flaviceps) e o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita).

 

Referências:

Chiarello, A. G., Aguiar, L. M. S., Cerqueira, R., Melo, F. R., Rodrigues, F. H. G. & Silva, V. M. F. (2008). Mamíferos ameaçados de extinção do Brasil. In: Machado, A. B. M., Drummond, G. M., Paglia, A. P. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Fundação Biodiversitas, (2), 681-874.

Estrada A., Garber P. A., Mittermeier R. A., Wich S., Gouveia S., Dobrovolski R., Nekaris K. A. I., Nijman V., Rylands A. B., Maisels F., Williamson E. A., Bicca-Marques J., Fuentes A., Jerusalinsky L., Johnson S., Rodrigues de Melo F., Oliveira L., Schwitzer C., Roos C., Cheyne S. M., Martins Kierulff M. C., Raharivololona B., Talebi M., Ratsimbazafy J., Supriatna J., Boonratana R., Wedana M. & Setiawan A. (2018). Primates in peril: the significance of Brazil, Madagascar, Indonesia and the Democratic Republic of the Congo for global primate conservation. PeerJ 6:e4869 https://doi.org/10.7717/peerj.4869

Projeto de divulgação científica desenvolvido com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância dos Primatas e do bioma Cerrado e divulgar ciência de maneira mais fácil e dinâmica.

A vontade de criar esse projeto sempre esteve presente no grupo, e a ideia nasceu diante das constantes conversas sobre a escassez de representantes primatólogos na região do Cerrado. As doutorandas do projeto anualmente disponibilizam cursos de “Introdução à Primatologia” na Semana Universitária da Universidade de Brasília, e tem percebido a curiosidade dos estudantes e a vontade de conhecer mais sobre esses animais e participar de projetos na área. Em seus respectivos projetos, constantemente recebem novos estagiários e as trocas são sempre muito enriquecedoras e cada vez mais nos apaixonamos e nos admiramos com a riqueza desse grupo de animais e com os seus incríveis comportamentos, juntamente com os alunos.

Percebendo essa receptividade dos estudantes, cada vez mais vimos a necessidade de levar esse conhecimento para o público em geral. É difícil olhar para o rosto de um macaco sem ver traços humanos, eles naturalmente instigam a nossa curiosidade. E por que não expandir esse olhar e conscientizar as pessoas sobre a importância desses animais na natureza, o por quê devemos preservá-los e respeitá-los.

Conheça mais sobre os Primatas do Cerrado na página do projeto no instagram: @primatasdocerrado

Coordenação

Jéssica Mendes de Souza (jessicajms@gmail.com )
Bióloga, Mestre e Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Universidade de Brasília. Desenvolve pesquisas relacionadas à fisiologia comportamental de primatas, investigando aspectos relacionados ao reconhecimento facial e a discriminação de sons por macacos-prego cativos.

Samara de Albuquerque Teixeira (@samara.photos)
Bióloga, Mestre em Biologia, Comportamento e Conservação de Primatas pela Universidade de Roehampton e Doutoranda em Biologia Animal pela Universidade de Brasília. Desenvolve pesquisas com primatas silvestres e cativos, buscando entender a fisiologia relacionada ao estresse e aspectos comportamentais associados à sua importância no ecossistema.

Gláucia Coutinho Araujo (@gagaucoutinho)
Graduanda em Ciências Biológicas da Universidade de Brasília. Desenvolve um Projeto de Iniciação Científica (PIBIC), no qual busca investigar a capacidade de discriminação auditiva em macacos-prego (Sapajus sp.) cativos, tentando compreender suas relações evolutivas com outros Primatas.
Kelly Mota Lima (@kelly_mottal)
Graduanda em Ciências Biológicas da Universidade de Brasília. Estagiária no projeto de doutorado que tem como foco de pesquisa os macacos-prego (Sapajus sp.) cativos e de vida livre. Também desenvolve um Projeto de Iniciação Científica (PIBIC), com o seguinte tema: Educação Ambiental e Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TIDCs): Primatas do Cerrado na Educação Básica.

Conheça as espécies que ocorrem no Cerrado

Conteúdo feito em parceria com o Projeto: Primatas do Cerrado
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