Besouros rola-bostas

Foram feitas buscas na literatura, com base em livros, artigos científicos e atlas acerca dos tópicos escolhidos para criar a página sobre os colepteros Scarabaeinae, uma subfamília de besouros, no Museu do Cerrado. O principal material utilizado foi o Atlas dos insetos: fatos e dados sobre as espécies mais numerosas da Terra, 1ª Edição, publicado em 2021, assim como o livro Evolutionary biology and conservation of dung beetles, de 2009 e artigos científicos sobre os besouros rola-bostas no Cerrado.

O cerrado é um bioma considerado hotspot da biodiversidade, devido seu alto nível de endemismo, ou seja, espécies que só ocorrem nesse bioma, e pelo seu alto grau de ameaça devido à destruição. O bioma detém cerca de 5% de toda a biodiversidade do mundo, sendo considerada a savana mais rica do planeta. No Brasil, é o segundo maior Bioma e ocorre em mais de 10 estados do país.

Por isso, os besouros rola-bostas são diversos nesse bioma e desempenham serviços ecossistêmicos indispensáveis. É possível observar que eles ocorrem em maior abundância, ou seja, maior quantidade de indivíduos em matas de galeria (ambientes fechados) e em horário de atividade crepuscular e noturno. Mas, a maior riqueza de espécies, ou seja, um maior número de espécies, ocorre em áreas abertas de Cerrado sensu stricto, fitofisionomia que representa cerca de 70% de todo o bioma. Alguns estudos mostram que em países neotropicais a guilda funcional mais abundante é a de paracoprídeos, que cavam túneis abaixo do recurso, fazem esferas com o esterco e as movem para os túneis.

Os besouros rola-bostas desempenham diversos papéis ecossistêmicos e funções ecológicas, sendo indispensáveis para a preservação e manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Eles utilizam as fezes para sua reprodução, nidificação e alimentação, transformando-as em nutrientes para o solo. A partir disso, eles são responsáveis pela remoção de fezes e ciclagem de nutrientes do solo, pelo aumento da biomassa de plantas, pela aeração e fertilização dos solos e bioturbação, a mistura de partículas do solo.

 

Além disso, esse grupo de insetos pode ser utilizado como bioindicadores da conservação ambiental, por serem muito sensíveis a mudanças ambientais. Bioindicadores são seres vivos utilizados para medir a qualidade ambiental, e por isso, é possível avaliar o nível de antropização em um ambiente a partir da avaliação da comunidade de rola-bostas.  Um papel ecossistêmico importante a ser destacado é a dispersão secundária de sementes. Algumas sementes de plantas precisam passar pelo trato digestivo de aves e mamíferos para adquirir sua capacidade de germinação, e após esses animais defecarem ou regurgitarem, os besouros rola-bostas são os responsáveis pela dispersão dessas sementes para locais mais afastados e também por enterrá-las, já que eles podem enterrar as fezes em tuneis de até 1 metro de profundidade.

 

Em sequência, temos o serviço ecossistêmico que possivelmente mais interessa o ser humano, devido a sua importância econômica. O Brasil é um dos principais produtores de gado do mundo, e por mais que isto afete negativamente os biomas, principalmente o Cerrado, pela substituição de áreas nativas por pastagens, os besouros rola-bostas desempenham um papel indispensável na pecuária. O acúmulo de fezes em pastagens interfere negativamente no crescimento do pasto e possibilita o desenvolvimento da mosca-do-estábulo e mosca-do-chifre, insetos que causam doenças e estresse ao gado, já que permite que esses insetos completem o seu ciclo.

 

Porém, os besouros rola-bostas são responsáveis pela remoção de fezes das áreas de pastagens, já que eles enterram o recurso e removem rapidamente as fezes da superfície, possibilitando o crescimento das gramíneas e aumentando a disponibilidade de nutrientes. Além disso, ao enterrar as fezes, eles evitam a proliferação de moscas, interrompendo o ciclo das moscas causadoras de doenças para o gado. Se não houvessem besouros rola-bostas capazes de remover as fezes do solo de pastagens teríamos, no Brasil, um acúmulo de 4 bilhões de toneladas de fezes bovinas por ano produzido pelo rebanho brasileiro. Os serviços ecossistêmicos prestados por esses organismos foram avaliados em 380 milhões de dólares nos EUA em 2006.

Os besouros rola-bostas desempenham diversos papéis ecossistêmicos e funções ecológicas, sendo indispensáveis para a preservação e manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Eles utilizam as fezes para sua reprodução, nidificação e alimentação, transformando-as em nutrientes para o solo. A partir disso, eles são responsáveis pela remoção de fezes e ciclagem de nutrientes do solo, pelo aumento da biomassa de plantas, pela aeração e fertilização dos solos e bioturbação, a mistura de partículas do solo.

 

Além disso, esse grupo de insetos pode ser utilizado como bioindicadores da conservação ambiental, por serem muito sensíveis a mudanças ambientais. Bioindicadores são seres vivos utilizados para medir a qualidade ambiental, e por isso, é possível avaliar o nível de antropização em um ambiente a partir da avaliação da comunidade de rola-bostas.  Um papel ecossistêmico importante a ser destacado é a dispersão secundária de sementes. Algumas sementes de plantas precisam passar pelo trato digestivo de aves e mamíferos para adquirir sua capacidade de germinação, e após esses animais defecarem ou regurgitarem, os besouros rola-bostas são os responsáveis pela dispersão dessas sementes para locais mais afastados e também por enterrá-las, já que eles podem enterrar as fezes em tuneis de até 1 metro de profundidade.

 

Em sequência, temos o serviço ecossistêmico que possivelmente mais interessa o ser humano, devido a sua importância econômica. O Brasil é um dos principais produtores de gado do mundo, e por mais que isto afete negativamente os biomas, principalmente o Cerrado, pela substituição de áreas nativas por pastagens, os besouros rola-bostas desempenham um papel indispensável na pecuária. O acúmulo de fezes em pastagens interfere negativamente no crescimento do pasto e possibilita o desenvolvimento da mosca-do-estábulo e mosca-do-chifre, insetos que causam doenças e estresse ao gado, já que permite que esses insetos completem o seu ciclo.

 

Porém, os besouros rola-bostas são responsáveis pela remoção de fezes das áreas de pastagens, já que eles enterram o recurso e removem rapidamente as fezes da superfície, possibilitando o crescimento das gramíneas e aumentando a disponibilidade de nutrientes. Além disso, ao enterrar as fezes, eles evitam a proliferação de moscas, interrompendo o ciclo das moscas causadoras de doenças para o gado. Se não houvessem besouros rola-bostas capazes de remover as fezes do solo de pastagens teríamos, no Brasil, um acúmulo de 4 bilhões de toneladas de fezes bovinas por ano produzido pelo rebanho brasileiro. Os serviços ecossistêmicos prestados por esses organismos foram avaliados em 380 milhões de dólares nos EUA em 2006.

São organismos extremamente sensíveis a degradação ambiental. Por fazerem o serviço de remoção de fezes do solo, a diminuição da comunidade de mamíferos de um ambiente interfere diretamente na diminuição de besouros rola-bostas, já que sua sobrevivência depende da disponibilidade do recurso. Por isso, podem ser utilizados como bioindicadores da conservação ambiental, ou seja, são seres vivos utilizados para avaliação da qualidade ambiental e avaliação da perda de biodiversidade no mundo.

As principais ameaças para as comunidades de rola-bostas são os efitos da destruição de habitats e a fragmentação devido à antropização do meio ambiente e a conversão de áreas nativas em áreas de pastagens, onde o Cerrado é muito afetado no Brasil, que é um dos principais países produtores de gado do mundo e tem sua economia voltada para a agropecuária. O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, porém somente 20% do bioma está completamente intocado atualmente, sendo o principal bioma afetado pelo desmatamento da agropecuária das Américas.

Nem todos os besouros rola-bostas rolam as fezes. Eles são divididos em três grupos ou guildas funcionais, de acordo com a forma de manipular o recurso. Existem os moradores, que manipulam o recurso dentro ou logo abaixo dele, chamados de Endocoprídeos, os tuneleiros, que cavam túneis abaixo do esterco e movem as fezes para esses túneis, chamados de Paracoprídeos, e por último os roladores, que formam esferas para rolar e enterrar em túneis feitos longe do recurso, chamados de Telecoprídeos.

FRIZZAS, Marina R. et al. Diversity of Scarabaeinae (Coleoptera: Scarabaeidae) in an urban fragment of Cerrado in Central Brazil. Embrapa Cerrados-Artigo em periódico indexado (ALICE), 2020.

 

ICMBio- MMA (Intituto Chico Mendes de Biodiversidade- Ministério do Meio Ambiente). Biodiversidade do Cerrado. Disponível em: <https://www.icmbio.gov.br/cbc/conservacao-da-biodiversidade/biodiversidade.html>. Acesso em 01 de maio de 2022.

 

LAWRENCE, J. F.; BRITTON, E. B. Coleoptera (beetles). In: C.S.I.R.O. Division of Entomology. The insects of Australia: a textbook for students and research workers. 2. ed. Carlton: Melbourn University Press, 1991. p. 543-683.

 

SCHOLTZ, C.H.; DAVIS, A.L.V.; KRYGER, U. Evolutionary biology and conservation of dung beetles. Prensoft, 2009.

 

LAGÔA, A. C. G. et al; Atlas dos insetos: fatos e dados sobre as espécies mais numerosas da Terra. 1ª Edição. Rio de janeiro: Heinrich Böll Stiftung, dezembro de 2021.

 

VAZ-DE-MELLO, F.Z. Scarabaeinae in catálogo taxonômico da fauna do Brasil. Dispnível em: <http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/faunadobrasil/127498>. Acesso em: 03 de abril de 2022, 2019.

 

*As referências das informações das espécies foram retiradas dos seguintes trabalhos:

GIMO MAZEMBE DANIEL, LUÍS G.O.A. NUNES & FERNANDO Z. VAZ-DE-MELLO. Species composition and functional guilds of dung beetles (Insecta: Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae) in different vegetational types in the Brazilian Shield–Chacoan Depression Border. Annales de la Société entomologique de France (N.S.), 50:2, 183-190, 2014. DOI: 10.1080/00379271.2014.938936

 

RIBEIRO, Pedro Henrique de Oliveira. Aspectos ecológicos da segregação espacial e temporal em besouros rola-bostas (Coleoptera: scarabaeinae) no Cerrado do Brasil Central. 2022. 47 f., il. Dissertação (Mestrado em Ecologia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2022.