Anfíbios do Cerrado

Os anfíbios são um grupo de vertebrados extremamente interessante. O nome é derivado do grego “amphi” e “bio”, que significa duas vidas, devido à transição de um estado larval aquático para um terrestre que ocorre em grande parte das espécies. São um grupo de animais extremamente diverso, com mais de 8000 espécies descritas atualmente. Em questão de diversidade, o Brasil é o país que mais possui espécies de anfíbios, com 1136 espécies registradas para dentro do território. Esses animais são divididos em três ordens: Gymnophiona, as cecílias; Caudata, as salamandras; e Anura, os sapos rãs e pererecas. A ordem Gymnophiona é composta por anfíbios serpentiformes que possuem hábitos fossoriais, e por essa razão são raramente encontrados. Não possuem uma diversidade tão alta e são mais frequentemente vistos na época chuvosa. A ordem Caudata também é outra raramente encontrada. Atualmente existem registros de apenas cinco espécies para o território brasileiro, todas endêmicas da Floresta Amazônica. A ordem Anura é a mais famosa e também mais diversa. Conhecidos por medo ou por tradições, esses animais podem ser encontrados em vários tipos de ambiente, desde biomas mais áridos até ambientes urbanos.

Referências:

Segalla, M.V., Caramaschi, U., Cruz, C.A.G., Garcia, P.C.A., Grant, T., Haddad, C.F.B., Santana, D.J., Toledo, L.F., Langone, J.A. (2019). Brazilian amphibians: List of species. Herpetologia Brasileira 8(1): 65-96
Valdujo, P.H., Silvano, D.L., Colli, G, Martins, M. (2012). Anuran species composition and distribution patterns in brazilian Cerrado, a neotropical hotspot. South American Journal of Herpetology 7(2): 63-78

No Cerrado, existe uma grande diversidade de anfíbios devido à grande variedade de formações vegetais. Apesar de apresentar menos espécies do que biomas florestais como a Amazônia ou a Mata Atlântica, mais de 50% das espécies são endêmicas, ou seja, não podem ser encontrados em nenhum outro local. Esse endemismo é visto não só a nível de espécie, mas vários clados com várias espécies apresentam esse padrão de distribuição. Essa alta especificidade em relação ao ambiente é vista também nas várias fitofisionomias, pois várias dessas espécies endêmicas são altamente relacionadas a um determinado tipo de ambiente. Outro fator interessante observado é o endemismo de várias espécies com regiões de altitude, muitas vezes com distribuições geográficas extremamente limitadas, como na Chapada dos Veadeiros, Chapada dos Guimarães e várias localidades na Serra do Espinhaço. A região da Chapada dos Veadeiros, que não apenas é a localidade com maior diversidade de anfíbios do Cerrado, mas possui cinco espécies que são endêmicas da região. Apesar de ser um grupo mega diverso, aproximadamente 25% das espécies de anfíbios do mundo estão em algum grau de ameaça de extinção. No Cerrado também existem várias espécies que estão ameaçadas, principalmente devido à especificidade de habitat e distribuição geográfica restrita. Um exemplo disso é o sapo Allobates goianus, que não é mais encontrado locais onde a espécie possui registro de ocorrência. Entretanto, a maior parte das espécies se encontra na categoria de DD (Data Deficient, ou seja, sem dados suficientes) na lista da IUCN, mostrando que os trabalhos com esse grupo devem continuar em prol da conservação.

Referências:

Segalla, M.V., Caramaschi, U., Cruz, C.A.G., Garcia, P.C.A., Grant, T., Haddad, C.F.B., Santana, D.J., Toledo, L.F., Langone, J.A. (2019). Brazilian amphibians: List of species. Herpetologia Brasileira 8(1): 65-96
Valdujo, P.H., Silvano, D.L., Colli, G, Martins, M. (2012). Anuran species composition and distribution patterns in brazilian Cerrado, a neotropical hotspot. South American Journal of Herpetology 7(2): 63-78

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