GERAIZEIROS

Pequenos agricultores e coletores que vivem em áreas de cerrado de Minas Gerais, Goiás,Tocantins, Bahia, Maranhão, Pará e São Paulo. A maioria deles perdeu terras na década de 1970, quando o reflorestamento para a indústria de papel e celulose forrou a região com vastas plantações de eucalipto. Agora começam a recuperar seu espaço. No assentamento Nossa Senhora Oliveira, no município de Riacho dos Machados (MG), 42 famílias produzem o suficiente para se manter e abastecer o mercado de Montes Claros. E foi ali que começou a funcionar, neste ano, a primeira escola gerazeira do país, que conta com o apoio de universidades mineiras e do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas para oferecer educação diferenciada à comunidade, mas ainda está pendente de reconhecimento governamental. Geraizeiros, como cultural e contrastivamente são assim denominados, os habitantes dos gerais desenvolveram a habilidade de cultivar às margens dos pequenos cursos d’água uma diversidade de culturas como a mandioca, cana, amendoim, feijões diversos, milho e arroz. Além das aves, o gado bovino e mesmo o suíno eram criados soltos, até em período muito recente, nas áreas de chapadas, tabuleiros e campinas de uso comunal. E são nestas áreas, denominadas genericamente como gerais, que vão buscar suplemento para garantir a sua subsistência: caça, frutos diversos, plantas medicinais, madeiras para diversos fins, mel silvestre, etc. Os produtos que levam para o mercado – farinha de mandioca, goma, rapadura, aguardente, frutas nativas, plantas medicinais, artesanato –refletem o ambiente, o modo de vida, as possibilidades e potencialidades dos agroecossistemas onde vivem (DAYRELL, 1998, p.74)

“Ele tem um jeito de ser que todos conhecem: é acanhado, tem um modo próprio de falar, de referir às coisas. Não é de muita brincadeira, é um pessoal respeitador, trabalhador. Você pode ver, ele quase sempre anda de roupa branca, limpinha, mesmo se tem remendo. Carrega um embornal e o seu transporte antigamente era o animal, hoje anda mais de bicicleta.” (Caires, prof. de história em R.M.).1

Geraizeiros são as populações que habitam os campos gerais do Norte do estado de Minas Gerais. Se autodefinem em contraposição a outros povos (catingueiros, vazanteiros e veredeiros) que, apesar de se situarem nas mesmas regiões geográficas, vivem em biomas e com modos de vida distintos. São conhecidos como geraizeiros, geralistas ou chapadeiros. Seu modo de vida é completamente alinhado às características do Cerrado, de onde tiram tudo o que é necessário para sobreviver. Atuam de forma diversificada na produção dos meios de vida, por meio da criação de animais, plantações e extrativismo.

“Geraizeiros, como cultural e contrastivamente são assim denominados, os habitantes dos gerais. Desenvolveram a habilidade de cultivar às margens dos pequenos cursos d’água uma diversidade de culturas como a mandioca, cana, amendoim, feijões diversos, milho e arroz. Além das aves, o gado bovino e mesmo o suíno eram criados soltos, até em período muito recente, nas áreas de chapadas, tabuleiros e campinas de uso comunal. E são nestas áreas, denominadas genericamente como gerais, que vão buscar o suplemento para garantir a sua subsistência: caça, frutos diversos, plantas medicinais, madeiras para diversos fins, mel silvestre etc. Os produtos que levam para o mercado – farinha de mandioca, goma, rapadura, aguardente, frutas nativas, plantas medicinais, artesanato – refletem o ambiente, o modo de vida, as possibilidades e potencialidades dos agroecossistemas onde vivem.”2

Fonte: http://portalypade.mma.gov.br/geraizeiros

Publicações:

– Andriolli, Carmen Silvia. Sob as vestes de Sertão Veredas, o Gerais : “Mexer com criação” no Sertão do IBAMA.

Tese de doutorado, Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas, 2011.

Disponível em: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/wp-content/uploads/2015/08/Tese-Carmem-Silva-Adriolli-Sob-as-vestes-de-Sert%C3%A3o-Veredas-o-Gerais.pdf

 

– Andriolli, Carmen Silvia. Os tempos no “Gerais” e no “Sertão” – Sobre casa, comida, terra e criação. REVISTA DE ANTROPOLOGIA 58(2)-2015.

Disponível em: https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2015.108577

 

– DAYRELL, Carlos Alberto. Geraizeiros e biodiversidade no norte de Minas: a contribuição da agroecologia e da etnoecologia nos estudos do agrossistemas tradicionais. Dissertação de mestrado. Maestria en Agroecologia y Desarollo Rural Sostenible. Santa Maria de La Rábida, Espanha: Universidad Internacional de Andalucia, Sede Ibero Americana, 1998.

 

– NOGUEIRA, Mônica Celeida Rabelo. Gerais a dentro e a fora: identidade e territorialidade entre Geraizeiros do Norte de Minas Gerais. 2009. 233 f. Tese (Doutorado em Antropologia) Universidade de Brasília, Brasília, 2009.

 

– Silva, Carlos Eduardo Mazzetto. O cerrado em disputa: apropriação global e resistências locais. Brasília: Confea (Pensar o Brasil – Construir o Futuro da Nação), 2009.

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