Povo Pankararu-Pataxó e Aranã

Dentre esses povos que habitam o Cerrado, encontram-se os Pankararu-Pataxó e Aranã, localizados na região do Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, onde se observa uma área de transição entre o Cerrado e Caatinga e vestígios de Mata Atlântica. A relação milenar com o seu território atribuiu a esses habitantes originários e migrantes o acúmulo de conhecimentos e experiências sobre o meio em que vivem e sempre viveram de forma integrada, possibilitando a transmissão de seus conhecimentos e saberes próprios para as gerações seguintes.   

Os Pankararu-Pataxó e Aranã praticam seus rituais de cura dentro de um conjunto de orações do seu próprio universo cultural. Convivem cotidianamente com a diversidade de raízes, folhas, flores e ramos que são utilizadas para os benzimentos e rituais de curas. “Qualquer pessoa pode benzer, desde que tenha o dom e a fé na força que vem de Deus e que habita em cada um de nós”, afirma o benzedor do povo Aranã.

Foram identificadas diversas formas de benzimentos. Para o benzedor do povo Aranã, essa prática pode ser das seguintes formas:
1. O benzimento pode acontecer à distância. A pessoa que necessita do atendimento manda o nome completo e informa o que está sentindo, todosos sintomas.
2. O benzimento de perto, no qual benzedor utiliza alguns elementos para realizar a atividade. Benzer com água e carvão; benzer com garrafa d’água na cabeça da pessoa necessitada; benzer com ramos específicos para essa finalidade (arruda, quebra demanda, mastruz, fedegoso,); benzer com material à base de metal (faca ou colher).
Alguns benzedores, homem ou mulher, do povo Pankararu-Pataxó, além de utilizar também essas práticas, realizam benzeções usando cinzas retiradas de frutos do coité ou canabrava. O uso do Kampiô (cachimbo sagrado em forma de cone) é comum em várias situações. Cada tipo de benzimento tem sua indicação e está direcionado a um problema específico.

Fonte: SILVA, Cleonice Maria da. O desaparecimento das plantas medicinais do cerrado: as implicações nas práticas de cura dos(as) raizeiros(as), benzedores(as), curandeiros(as) e pajés das comunidades indígenas Pankararu-Pataxó e Aranã. 2018. 76 f., il. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Sociobiodiversidade e Sustentabilidade no Cerrado)—Universidade de Brasília, Alto Paraíso de Goiás – GO, 2018.

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