Arquitetura Vernacular Kalunga

ARQUITETURA VERNACULAR BRASILEIRA COMO PATRIMÔNIO

 

O ensino hegemônico de arquitetura nas instituições de ensino superior no Brasil ainda mantém o foco na importação das técnicas construtivas européias e pouco se fala sobre a arquitetura verdadeiramente brasileira e descolonizada do europeu. Nesse sentido, temos na arquitetura vernacular dos povos nativos a verdadeira expressão nacional, podendo esta ser definida como aquela em que são empregados materiais e recursos do ambiente em que a construção foi construída, adaptada ao clima, economia e cultura locais e com os conhecimentos construtivos repassados de geração em geração (GARCEZ, 2014).
Esses preceitos de arquitetura sustentável e adaptada ao local podem ser observados de forma nata e intuitiva em comunidades de povos tradicionais, como os indígenas, quilombolas e ribeirinhos desde a escolha do terreno, a implantação orientada segundo a incidência solar e a direção dos ventos e a utilização de materiais disponíveis na natureza local. Segundo Melo e Ribeiro (2019), até o início do século XVII os carpinteiros brasileiros eram indígenas e hispânico-americanos.
Para os autores, o construtor vernacular reproduz a tradição ao pensar e executar a edificação nativa popular, dispensando um projeto técnico e um profissional especializado como arquitetos e engenheiros e demonstrando a engenhosidade dos povos nativos que detinham conhecimentos práticos sem a necessidade de estudos teóricos específicos. Sendo um país de vasta extensão territorial e biomas diversos, o sistema construtivo dos povos nativos brasileiros varia entre as regiões de acordo com o clima, os ventos, a insolação, os materiais disponíveis localmente, as técnicas de execução e as sabedorias sócio-culturais de cada lugar.
Representante de um patrimônio material e imaterial, a arquitetura vernacular deve ser vista como uma herança que não pode ser apagada ou substituída. Portanto, no contexto da Chapada dos Veadeiros, se por um lado o ecoturismo está promovendo o crescimento econômico para os municípios e motivando proteções ambientais, por outro observa-se uma lacuna com a falta de proteção do patrimônio cultural local. Paralelamente, a arquitetura vernacular pode trazer um movimento turístico também, dando origem a novos circuitos e difusão de saberes construtivos dentro da bioconstrução com eficiência energética estimulando um processo de recuperação e valorização desse patrimônio. O ensino hegemônico de arquitetura nas instituições de ensino superior no Brasil ainda mantém o foco na importação das técnicas construtivas européias e pouco se fala sobre a arquitetura verdadeiramente brasileira e descolonizada do europeu. Nesse sentido, temos na arquitetura vernacular dos povos nativos a verdadeira expressão nacional, podendo esta ser definida como aquela em que são empregados materiais e recursos do ambiente em que a construção foi construída, adaptada ao clima, economia e cultura locais e com os conhecimentos construtivos repassados de geração em geração (GARCEZ, 2014).
Esses preceitos de arquitetura sustentável e adaptada ao local podem ser observados de forma nata e intuitiva em comunidades de povos tradicionais, como os indígenas, quilombolas e ribeirinhos desde a escolha do terreno, a implantação orientada segundo a incidência solar e a direção dos ventos e a utilização de materiais disponíveis na natureza local. Segundo Melo e Ribeiro (2019), até o início do século XVII os carpinteiros brasileiros eram indígenas e hispânico-americanos.
Para os autores, o construtor vernacular reproduz a tradição ao pensar e executar a edificação nativa popular, dispensando um projeto técnico e um profissional especializado como arquitetos e engenheiros e demonstrando a engenhosidade dos povos nativos que detinham conhecimentos práticos sem a necessidade de estudos teóricos específicos. Sendo um país de vasta extensão territorial e biomas diversos, o sistema construtivo dos povos nativos brasileiros varia entre as regiões de acordo com o clima, os ventos, a insolação, os materiais disponíveis localmente, as técnicas de execução e as sabedorias sócio-culturais de cada lugar.
Representante de um patrimônio material e imaterial, a arquitetura vernacular deve ser vista como uma herança que não pode ser apagada ou substituída. Portanto, no contexto da Chapada dos Veadeiros, se por um lado o ecoturismo está promovendo o crescimento econômico para os municípios e motivando proteções ambientais, por outro observa-se uma lacuna com a falta de proteção do patrimônio cultural local. Paralelamente, a arquitetura vernacular pode trazer um movimento turístico também, dando origem a novos circuitos e difusão de saberes construtivos dentro da bioconstrução com eficiência energética estimulando um processo de recuperação e valorização desse patrimônio. 

Fonte: https://www.perifericounbkalunga.com/contexto-local

 

Projeto Arquitetura Vernacular Kalunga e Saberes Locais da Chapada dos Veadeiros

Somos o Grupo de Pesquisa e Extensão Periférico, registrado no CNPQ e temos atuado em diversos territórios do DF através do desenvolvimento de pesquisas sobre temas periféricos e marginalizados no âmbito do sistema acadêmico relacionados à produção do espaço no campo e na cidade (Reforma Urbana e Reforma Agrária), integrados no formato de “pesquisa-ação” por meio de metodologias ativas e mobilização social com uma visão “transdisciplinar” e “transescalar”, abrangendo movimentos populares, comunidades da periferia, entidades ambientalistas bem como comunidades camponesas e tradicionais. 

A proposta do projeto Arquitetura Vernacular Kalunga surge como um broto de pesquisas e projetos já em andamento na região de Cavalcante e do território Kalunga: o Corredor Cultural (2016-2018) e o Sentido Kalunga (2016-2018), ambos desenvolvidos em projetos finais de graduação no curso de Arquitetura e Urbanismo da UnB, além do Ciranda Viva, criado pelo jovem kalunga e bioconstrutor Carlos Pereira, e dos trabalhos e apoio do bioconstrutor Marllon Santos, outro mestre Kalunga da bioconstrução.

O projeto visa fortalecer a articulação da infraestrutura acadêmica e institucional com o intuito de facilitar a integração entre os conhecimentos locais da arquitetura vernacular e o currículo universitário da graduação e extensão em Arquitetura e Urbanismo da FAU-UnB.

 

CONCEITO DE EXTENSÃO

Pretende-se também articular uma rede das ações colaborativas existentes no território e produzir material teórico de apoio/consulta com base em pesquisas e projetos universitários correlatos, além de difundir o conhecimento técnico construtivo Kalunga e contribuir para a sua preservação, tanto na comunidade local, quanto no meio acadêmico e na produção arquitetônica/construção civil.

 

EQUIPE DO PROJETO ARQUITETURA VERNACULAR KALUNGA: DIFUSÃO E PRESERVAÇÃO DOS SABERES TRADICIONAIS


Coordenação geral: Profa. Liza Maria Souza de Andrade
Coordenação adjunta:  Profa Livia Cristina Barros da Silva Wiesinieski, Arquiteta Talita Xavier Maboni, Arquiteto Caio Monteiro Damasceno
Coordenação executiva: Mestrando Valmor Cerqueira Pazos
Pesquisadores Bolsistas: Gabriel Guillermo Barajas Martinez, Mileny Mendes dos Santos
Pesquisadoras Voluntárias: Laila Almeida, Angélica Azevedo, Luna Catrina
Colaboradores: Carlos Roberto Kalunga (Ciranda Viva Bioconstrução), Marlon Santos, Luiz Fellipe Machado da Silva (Pólen), Luana Figueiredo de Carvalho Oliveira (Grupo Etnicidades/UFBA).

Site: https://www.perifericounbkalunga.com/

 

Projeto da UnB estuda arquitetura Kalunga

O estudo foi feito na Chapada dos Veadeiros, num quilombo da Comunidade Kalunga – que utiliza palha, madeira e barro para fazer construções.

Reportagem da UnB TV:

https://www.youtube.com/watch?v=avyZBwntph0

 

Publicações:

BARRETO, Jônatas Nunes. Implantação de infra-estrutura habitacional em comunidades tradicionais: O caso da comunidade quilombola Kalunga. Orientador: Rafael Sanzio Araújo dos Anjos. 2006. 121 p. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de Brasília, Brasília, 2006. Disponível em: 

https://repositorio.unb.br/handle/10482/1548

Guia da arquitetura vernacular Kalunga: difusão e preservação dos saberes tradicionais

O Guia da Arquitetura Vernacular Kalunga visa integrar os conhecimentos locais de arquitetura vernacular Kalunga e os saberes técnicos da universidade. A união desses saberes pode articular uma rede de construtores locais e produzir material teórico com base nas pesquisas locais, para além de difundir e dar visibilidade ao conhecimento técnico construtivo Kalunga, contribuir para a sua preservação enquanto patrimônio reconhecido pelo Estado*, pela comunidade e pela produção arquitetônica e construção civil. Para isso o projeto integra a Ciranda Viva, criada pelo jovem kalunga e bioconstrutor Carlos Pereira, e os trabalhos do bioconstrutor Marlon Santos, outro mestre Kalunga da bioconstrução. Foi produzido pelo Grupo “Periférico: trabalhos emergentes” da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília que desenvolve seus trabalhos a partir da metodologia da pesquisa-ação, com criação de forte vínculo entre pesquisadores e atores, fortalecendo o relacionamento entre teoria e prática, e permitindo a geração de conhecimentos originais com um maior alcance sociopolítico. O Projeto de extensão Arquitetura Vernacular Kalunga: difusão e preservação dos saberes tradicionais é um dos projetos que compõem o Polo de Extensão Kalunga da UnB, que contou com o apoio da Associação Quilombo Kalunga e a Prefeitura de Cavalcante. 

Disponível em:

https://livros.unb.br/index.php/portal/catalog/book/507#:~:text=O%20Projeto%20de%20extens%C3%A3o%20Arquitetura,e%20a%20Prefeitura%20de%20Cavalcante.