Arqueologia no Planalto Central

O que é arqueologia?

Arqueologia é entendida como a ciência que estuda a cultura por meio dos seus vestígios materiais. Seu foco principal é o conhecimento da pré-história e dos povos da antiguidade. No Brasil, a arqueologia tem como principal enfoque o estudo dos testemunhos da cultura paleoameríndia, ou seja, dos povos pré-históricos aqui estabelecidos antes da chegada dos portugueses. Outros ramos da Arqueologia têm se desenvolvido e se destacado, como a Arqueologia Histórica (que estuda os vestígios da ocupação humana no Brasil desde o início da colonização pelos europeus) e a Arqueologia Subaquática (que tem como objeto de análise os naufrágios e vestígios humanos submersos).

O Brasil é um país de dimensões continentais e possui grande diversidade de ocorrências arqueológicas, como os sítios tipo sambaquis, as inscrições rupestres, os cemitérios indígenas e tantos outros testemunhos da ocupação humana no território. Os trabalhos no campo da Arqueologia são como a montagem de um grande quebra-cabeça, onde cada peça se encaixa para que possamos saber mais sobre os povos que aqui habitavam há milhares de anos e produz conhecimento que deve ser guardado e repassado para as gerações futuras.

O que é um sítio arqueológico?

O sítio arqueológico pode ser classificado como sambaqui (formações de pequena elevação formadas por restos de alimentos de origem animal, esqueletos humanos, artefatos de pedra, conchas e cerâmica, vestígios de fogueira e outras evidências primitivas), estearia (jazidas de qualquer natureza que representam testemunhos da cultura dos povos primitivos brasileiros), mound (monumentos em forma de colinas, que serviam de túmulos, templos e locais para moradia), e hipogeu (ambientes subterrâneos, às vezes com pequenas galerias, nas quais eram sepultados os mortos).

Em áreas urbanas, o sítio arqueológico histórico é um espaço geográfico delimitado pela presença de vestígios materiais oriundo do processo de ocupação do território pós-contato, tais como:

 

• Estruturas, ruínas e edificações construídas com o objetivo de defesa ou ocupação (buracos, baterias militares, fortalezas e fortins);
• vestígios das infraestruturas (vias, ruas, caminhos, calçadas, ruelas, praças, sistemas de esgotamento de águas e esgotos, galerias, poços, aquedutos, fundações remanescentes das mais diversas edificações, dentre outras que fizeram parte do processo de ocupação iniciados nos núcleos urbanos e em outros lugares);
• lugares e locais onde possam ser identificadas remanescentes de batalhas históricas e quaisquer outras dimensões que envolvam combates; Antigos cemitérios, quintais, jardins, pátios e heras;
• estruturas remanescentes de antigas fazendas, quilombos, senzalas e engenhos de cana e farinha;
• estruturas remanescentes de processos industriais e manufatureiros; e
• vestígios, estruturas e outros bens materiais que possam contribuir na compreensão da memória nacional pós-contato.

O que é patrimônio arqueológico?

O patrimônio arqueológico integra o patrimônio cultural material e engloba todos os vestígios da existência humana e todos os lugares onde há indícios de atividades humanas, não importando quais sejam elas, estruturais e vestígios abandonados, de todo tipo, na superfície, no subsolo ou sob as águas, assim como o material a eles associados (Carta de Laussane). O Patrimônio Arqueológico possui uma base de dados finita e não comporta restauração, sua capacidade de suporte de alterações é muitíssima limitada.

 

Esse patrimônio caracteriza-se como o conjunto de locais onde habitaram as populações pré-históricas, e toda e qualquer evidência das atividades culturais desses grupos e inclusive seus restos biológicos. É formado não só por bens matérias (artefatos de pedra, osso, cerâmica, restos de habitação, vestígios de sepultamentos funerários), mas também e principalmente pelas informações deles dedutíveis a partir, por exemplo, da sua própria disposição locacional, das formas adotadas para ocupação do espaço e dos contextos ecológicos selecionados para tal. O Patrimônio Arqueológico (histórico) compreende os sítios arqueológicos históricos definidos durante o Congresso Internacional de Sítios Urbanos – 2002, realizado pelo Iphan, em Brasília.

Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central

O parque Três Meninas, localizado em Samambaia, região administrativa próxima a Brasília, passou a sediar o Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central no dia 09 de setembro de 2014. O lançamento fez parte de um conjunto de ações desenvolvidas pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN-DF), com o apoio do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), entidade responsável pelos parques do Distrito Federal. Destacam-se a exposição “O IPHAN e o Patrimônio Arqueológico do Planalto Central”, realizada pelo IPHAN-DF, com o apoio do Departamento de Articulação e Fomento (DAF) e colaboração do IPHAN-Goiás e a exposição “Patrimônio Arqueológico no Planalto Central: Eco-História do Cerrado” sob a curadoria da Dra Rosângela Corrêa da Faculdade de Educação da UnB com apoio do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) – vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPE) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).

Infelizmente o Museu teve suas portas fechadas no Parque Três Meninas, mas tornou-se itinerante dentro do Distrito Federal através de uma exposição que neste momento as pessoas poderão visitá-la on line:

Entre no Museu no link abaixo:

Museu Arqueológico e Histórico do Planalto Central

Curadoria: Dra Rosângela Azevedo Corrêa

                  Faculdade de Educação – Universidade de Brasília

Patrimônio Arqueológico – Distrito Federal

Ainda pouco conhecido do grande público, o patrimônio arqueológico do Distrito Federal (DF) tem sido objeto de ações de difusão desenvolvidas pela Superintendência do Iphan no DF, como exposições e publicações, e contemplado por programas e Educação Patrimonial realizados no âmbito de projetos de arqueologia preventiva com vistas ao licenciamento ambiental. Esse patrimônio corresponde a sítios e materiais culturais preexistentes à construção de Brasília. É um testemunho documental da presença de grupos humanos na região desde o período pré-histórico até épocas mais recentes, e oferece informações sobre a ocupação humana na região há, pelo menos, 10 mil anos.

Os sítios arqueológicos mais antigos, registrados no DF, são atribuídos a grupos caçadores-coletores que deixaram, como principal vestígio, instrumentos de pedra lascada e os resíduos produzidos pela sua fabricação. Foram encontrados em áreas que oferecem fontes de matérias-primas para a produção de instrumentos lascados, como arenito silicificado e quartzo, registradas na forma de veios ou, principalmente, de matacões ou afloramentos rochosos que apresentam marcas de retiradas. E, ainda, os próprios resíduos de lascamento e, eventualmente, algum instrumento pronto, como lascas, raspadores e pontas de projétil. Como exemplos, citam-se os sítios Taguatinga-11 e Taguatinga-15 (Parque Três Meninas, em Samambaia) e o sítio Ville de Montagne (na bacia do Córrego São Bartolomeu (região do Jardim Botânico). 

Sítios cadastrados – No Distrito Federal, foram cadastrados, pelo Iphan, 26 sítios arqueológicos: os sítios líticos, como os pesquisados no rio Taguatinga ou Melchior, no Parque Três Meninas e no Altiplano Leste, localizados na Bacia do Rio São Bartolomeu; o sítios cerâmicos, registrados na Granja do Ipê e no ribeirão Ponte Alta; e os sítios classificados como colonial que estão exemplificados no Parque Nacional de Brasília, na região da Serra da Contagem e em outras fazendas anteriores à construção de Brasília.

Na região do Planalto Central – da qual fazem parte o Estado de Goiás e o Distrito Federal – ocorrem vários tipos de sítios arqueológicos: 

Sítios líticos – Sítios pré-históricos são os mais antigos e datam de até 11 mil anos, marcados pelos sinais de sua ocupação por pequenos grupos de caçadores-coletores, principalmente instrumentos de pedra lascada e resíduos de sua fabricação, e podem apresentar, entre outros vestígios, fogueiras e restos de alimentos que se conservaram.   

Sítios cerâmicos – Os sítios pré-históricos ou pré-coloniais cerâmicos do Planalto central geralmente apresentam restos materiais de grupos que praticavam algum tipo de agricultura, e cujos vestígios mais abundantes são fragmentos ou mesmo vasilhas inteiras feitas de argila queimada, usadas no preparo e armazenamento de alimentos ou, ainda, como urnas funerárias para sepultamento dos mortos.

Sítios-cemitério – Locais que foram usados especialmente para sepultamento em urnas cerâmicas ou depositados no solo, onde podem ser encontrados, além de restos mortais, objetos e oferendas, entre outros elementos de acompanhamento funerário.     

Sítios de arte rupestre – Encontrados em grutas ou abrigos sob rochas, matacões, lajedos e paredões de pedra em cuja superfície rochosa foram deixadas pinturas e gravuras que informam sobre vários aspectos da vida dos seus produtores.       

Sítios do período colonial – Relacionam-se à colonização europeia, consolidada na região a partir do século XVIII, e seus vestígios são, principalmente, restos de edificações e de outras obras, além de materiais de louça, vidro e metal de origem europeia, que eram usados de forma concomitante à cerâmica e a outros materiais de produção local.   

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/576/

Publicações:

DIAGNÓSTICO DO PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO E CULTURAL

 

  • Sítio Arqueológico do Bisnau Pontifícia Universidade Católica de Goiás
  • Centro Cultural Jesco Puttkamer Universidade Estadual de Goiás – Núcleo de Arqueologia (NARQ)
Publicações:
  • Ver, ser vista e deixar de ser vista: Aspectos das re-lações dialéticas entre as pinturas rupestres de Caiapônia, Goiás
    • “Este artigo tem o objetivo de apresentar os resultados da reto-mada dos estudos das pinturas rupestres na região arqueológica de Caiapônia, localizada na região sudoeste do Estado de Goiás,município de Palestina de Goiás.”
    • PDF

Museu da Lapinha – Centro Arqueológico de Lagoa Santa – MG

O Museu da Lapinha localizado na entrada da à Gruta da Lapinha em Lagoa Santa, Minas Gerais, foi fundado em 1972 por Mihály Bányai a partir dos artefatos coletados, adquiridos e estudado por ele na região.

Atualmente, o Museu possui cerca de 8.000 peças, formando um acervo composto por ossadas humanas, artefatos cerâmicos e líticos, fósseis, minerais e animais taxidermizados.

Uma das coleções mais significativas é a de Antropologia Física, com destaque para quatro ossadas humanas coletada na Lapa do Acácio em 1987 pelo fundador do Museu e o conjunto de esqueletais coletados pelo amador Hélio Diniz nos anos 70.

A coleção de machados lunares compreende uma das coleções mais completas dessa tipologia de artefato lítico na região.

Caracteriza-se como um modelo de Gabinete de Curiosidades, indispensável à compreensão dessa tipologia de organização científica no início do séc. XX no Brasil.

  • Centro Arqueológico de Lagoa Santa – MG

    Gruta da Lapinha, Acesso pelo km 44 da MG-010, direção Serra do Cipó Lagoa Santa, MG

    Horários de Funcionamento:

    Terça a Sexta: 9:30h às 16h Sábado, Domingo e Feriados: 9:30h até 17h

    Contato: (31)3681 1363 – (31)9158 7211

    museudalapinha@gmail.com

    http://lacicor.eba.ufmg.br/museuarqueologico

Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG

O Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (MHNJB/UFMG) está instalado em uma área com aproximadamente 600.000 m², possui vegetação diversificada e típica da Mata Atlântica, que reúne, além das nativas, espécies exóticas.

O Museu dispõe de um acervo formado por aproximadamente 265.664 itens entre peças e espécimes científicos preservados e vivos (coleção científica de plantas e reserva vegetal) e contextualizados nas áreas da Arqueologia, Paleontologia, Geologia, Botânica, Zoologia, Cartografia Histórica, Etnografia, Arte Popular e Documentação Bibliográfica e Arquivística.

Integrando as áreas citadas também podem ser mencionados livros e periódicos, nacionais e estrangeiros, que se encontram na biblioteca do MHNJB/UFMG, assim como um expressivo conjunto de fotos e de documentos do museu, incluindo aqueles relativos ao Presépio do Pipiripau. Parte desse acervo encontra-se exposto e pode ser visitado.

O museu dispõe ainda de um auditório, de um viveiro de mudas, uma lagoa, um anfiteatro ecológico e um jardim sensorial.

  • Arqueologia Pré-histórica
    “Dos acervos da Arqueologia, o pré-histórico, formado por milhares de peças, destaca-se pelos restos líticos e esqueletais, como aqueles que integram a Coleção Harold Walter. Mas a maior parte dessas peças ou vestígios foi encontrada em sítios arqueológicos, como nos da província arqueológica de Lagoa Santa, MG, incluindo vestígios daquele sítio onde foi descoberto o crânio mais antigo das Américas, conhecido como “Luzia” e que se encontra depositado em uma outra instituição.”

  • Primeiros Passos na Conservação de Bens Arqueológicos

    Atividade lúdico-interativa cujo objetivo principal é instruir os participantes, por meio da Educação Patrimonial, sobre a importância da conservação de bens arqueológicos. Dentro deste contexto, são apresentados aos participantes conceitos básicos de Arqueologia, Patrimônio Cultural e informações relativas à atuação do profissional da ciência da Conservação e Restauração. Ao final da atividade, o participante terá maior esclarecimento acerca do exercício do seu papel de cidadão junto ao Patrimônio Cultural e da necessidade do saber científico para o aprimoramento da preservação dos bens arqueológicos para usufruto das gerações futuras.

Site: https://www.ufmg.br/mhnjb/museu/

O Núcleo Tocantinense de Arqueologia – NUTA

O Núcleo de Arqueologia coordena, desenvolve, orienta e executam estudos e pesquisas na área específica de Arqueologia, na área de Patrimônio Histórico Cultural e Natural e na área de Paleontologia, tendo como apoio técnico/científico as áreas de Antropologia, História, Educação, as ciências do Meio Ambiente (Geografia e Biologia) entre outras áreas afins.

Exerce parceria com o Instituto de Arqueologia Brasileira – IAB – Rio de Janeiro – RJ, por meio de um convênio firmado para o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão.

O NUTA atua no Estado do Tocantins, na região norte de Goiás e na região sul do Maranhão em Projetos e Programas de Prospecção, Monitoramento e Salvamento Arqueológico e no Levantamento e Registro do Patrimônio Histórico e Cultural.

Desde 1999 o NUTA reputa como da maior importância, pelo que representa para o cenário cultural do estado e região, contribui significativamente com a consolidação de estudos e pesquisas, colocando o Tocantins no cenário arqueológico nacional. Síntese dos objetivos das ações da Educação Patrimonial do NUT.

Site: https://www.unitins.br/nuta/historia.aspx

Publicações:
  • Do megalitismo às gravuras rupestres: contribuições para a arqueologia da Região do Jalapão, Tocantins, Brasil
    “O Jalapão é uma região tocantinense ainda praticamente desconhecida para a arqueologia brasileira.  Se em um primeiro momento parece um ambiente quase desértico, na verdade é farto em água e apresenta grande diversidade biológica, constituindo-se verdadeiro celeiro para as populações indígenas pretéritas.”
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  • Variabilidade tecnológica nos sítios líticos da região do Lajeado, médio rio Tocantins
    Tese de doutorado na Pós-Graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2005.
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Centro de Pesquisa em Arqueologia e História Timbira (CPAH)

Na Universidade Estadual do Maranhão (Uema), no campus de Imperatriz, funciona o Centro de Pesquisa em Arqueologia e História Timbira (CPAH). O local é um campo de estudo multidisciplinar que dialoga com áreas afins das áreas de Ciências Humanas e Sociais de estudos arqueológicos realizados na região Sul do Maranhão. Além de ser um espaço totalmente equipado para receber estudantes, pesquisadores e a comunidade, o centro é a primeira instituição de guarda de acervo arqueológico no Sul do Maranhão, colaborando para a preservação desse material, considerando que outras duas instituições se encontram em São Luís. O Laboratório de Arqueologia do Centro é pioneiro em pesquisas de culturas das populações ancestrais que ocuparam a Amazônia Oriental e um espaço museal para salvaguardar acervo arqueológico coletado na região.

O Centro surgiu a partir do Núcleo de Estudos Africanos e Indígenas (NEAI), que se consolidou como órgão de pesquisa dentro da universidade, participando e promovendo encontros, seminários e fóruns culturais em defesa do patrimônio, material e imaterial, com ações que envolvem a sociedade civil, de forma dinâmica e participativa.

Povos Timbira
Timbira é uma denominação clássica usada para designar os povos que dominaram a imensa área dos cerrados do interior do Maranhão. Segundo o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), em 2010 restavam cerca de oito mil remanescentes que habitavam uma área bem menor, entre os estados do Maranhão e Tocantins. No início do século XIX, os Krahô e os Apinajé foram obrigados a atravessar o rio Tocantins, acossados por pecuaristas. Segundo Curt Nimuendajú, são física, linguística e culturalmente caracterizados como da família Jê e agrupam os povos Apanyekrá, Apinayé, Canela, Gavião Parkatejê, Krahô, Krinkatí e Gavião Pykopjê.

O Inventário da Arte Rupestre feito em Mato Grosso do Sul coordenado pelo antropólogo Rodrigo Luiz Simas de Aguiar reúne informações inéditas sobre 80 sítios arqueológicos do Estado; a intenção é não só assegurar a preservação do patrimônio arqueológico sul-mato-grossense como, também, envolver a população nesse processo de conservação da história.

Pelas características dos achados arqueológicos, a ocupação da região se deu basicamente por povos caçadores, coletores ou pescadores e, posteriormente, por grupos de etnias indígenas que se dedicavam à horticultura e eram, também, exímios ceramistas. Foram pessoas que habitaram a região há pelo menos 10 mil anos, até a chegada dos colonizadores europeus, quando o contato extinguiu diversos grupos e práticas culturais. As figuras rupestres encontradas em Mato Grosso do Sul retratam, por meio de simbologias, os ritos, crenças e a vida cotidiana desses povos. Os sítios rupestres do Mato Grosso do Sul são de suma importância para contar a história de ocupação do território. Uma parte desses sítios estão em locais muito visitados ou muito afastados das comunidades e, por isso, as pinturas e gravuras sofreram vandalismo ou mesmo destruição por agentes naturais, como o desplacamento da rocha.

Arqueologia do Templo dos Pilares, Alcinópolis, MS – Brasil

Vídeo produzido pelo Laboratório de Arqueologia da UFGD, que apresenta uma síntese dos resultados da escavação arqueológica empreendida no sítio Templo dos Pilares, em Alcinópolis, estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. O início da ocupação humana no abrigo foi datada em 10.735 anos. Seriam povos caçadores e coletores que ocuparam o espaço até 8 mil anos, autores das punturas rupestres. Após um hiato de 5 mil anos, chegam à região povos ceramistas, numa ocupação que recua 3 mil anos antes do presente, sendo estes os autores das gravuras rupestres.

A Constituição inclui como patrimônio cultural brasileiro as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver, as criações científicas, artísticas e tecnológicas, as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinado as às manifestações artístico-culturais e os (..) sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico, garantindo o pleno exercício dos direitos culturais e responsabilizando o Estado pelo apoio, proteção, valorização e difusão das manifestações culturais indígenas, afro-brasileiras e de outros grupos do processo civilizatório nacional.

O que é afinal educação patrimonial?

Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados, o trabalho de Educação Patrimonial busca levar as crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de criação cultural.

O conhecimento crítico e a apropriação consciente pelas comunidades do seu patrimônio são fatores indispensáveis no processo de preservação sustentável desses bens, assim como no fortalecimento dos sentimentos de identidade e cidadania.

A Educação Patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sócio-cultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao reforço da auto-estima dos indivíduos e comunidades e à valorização da cultura brasileira, compreendida como múltipla e plural.

O diálogo permanente que está implícito neste processo educacional estimula e facilita a comunicação e a interação entre as comunidades e os agentes responsáveis pela preservação e estudo dos bens culturais, possibilitando a troca de conhecimentos e a formação de parcerias para a proteção e valorização desses bens.

A metodologia específica da Educação Patrimonial pode ser aplicada a qualquer evidência material ou manifestação da cultura, seja um objeto ou conjunto de bens, um monumento ou um sítio histórico ou arqueológico, uma paisagem natural, um parque ou uma área de proteção ambiental, um centro histórico urbano ou uma comunidade da área rural, uma manifestação popular de caráter folclórico ou ritual, um processo de produção industrial ou artesanal, tecnologias e saberes populares, e qualquer outra expressão resultante da relação entre indivíduos e seu meio ambiente.”

Fonte: Guia Básico de Educação Patrimonial/ Maria de Lourdes Parreiras Horta, Evelina Grumberg, Adriane Queiroz Monteiro – Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Museu Imperial, 1999.

As cavernas são precipuamente espaços geográficos inseridos no meio ambiente natural, que se destacam também por conterem atributos ecológicos e por serem portadores de valor de referência cultural para a sociedade brasileira.

Os sítios espeleológicos são um bom exemplo da interdisciplinariedade e da diversidade de valores e interesses presentes em um mesmo espaço geográfico. Desde 1961 as cavernas são espaços protegidos nos termos do art. 2, b, da Lei n.º 3.924/61, que enumera, como patrimônio arqueológico, as cavernas, lapas, grutas e abrigos sobre rocha onde são encontrados vestígios de natureza arqueológica. Esses espaços espeleológicos podem abrigar também bens paleontológicos (e nesse caso é aplicável também a norma que cuida dessa matéria).  Enfim, mesmo as cavernas de baixa e média relevância podem oferecer aos arqueólogos e paleontólogos elementos informativos de grande importância para a compreensão da trajetória dos seres vivos sobre a terra.

  • Parque Estadual Terra Ronca

    Formadas ao longo de milhões de anos, as grutas do Parque Estadual de Terra Ronca formam um dos maiores complexos espeleológicos do Brasil. Localizado entre os municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, o parque fica na Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra Geral de Goiás, com extensão de aproximadamente 57 mil hectares.

    O Parque conta com mais de 200 cavernas catalogadas entre elas “11 são molhadas”, ou seja, passa um rio por dentro, segundo informações de um guia local. O Acesso às cavernas são variados onde encontramos desde locais de fácil acesso e travessia como outros de médio, difícil e muito difícil acesso.

  • Chapada dos Guimarães

    Na região da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, segundo o espeleólogo (profissional que estuda as cavernas) José Guilherme Aires Lima, chefe do Centro Nacional de Estudos, Proteção e Manejo de Cavernas do Ibama/MT, a grande maioria dos sítios arqueológicos não se beneficiam do Parque Nacional porque estão fora de seu território. “Na época da demarcação, já havia conhecimento da existência dos sítios, mas eles foram excluídos”.

    O espeleólogo afirma que, apesar dos sítios serem de difícil acesso, a falta de fiscalização incentiva a visitação dos turistas. Um dos mais conhecidos é a Lapa do Frei Canuto, um sítio de cerimonial que foi depredado com pixações.

    Outro sítio que está fora do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães é a caverna Kamukuaká, às margens do rio Batuvi. Este é um sítio arqueológico vivo, que conta com os relatos dos descendentes indígenas para a interpretação dos materiais encontrados. Os índios Waurás estão confinados no Parque e, desde o ano passado, reivindicam o reconhecimento da área da caverna para o tombamento. Mas agora, segundo José Guilherme Lima, o sítio está sendo ameaçado pela autorização de cerca de 20 mil hectares de desmatamento para o plantio de algodão no entorno.

    Fonte: http://www.oei.es/divulgacioncientifica/reportajes_121.htm

O projeto RedeArq – Encontro de Museus de Arqueologia é um evento científico que propõe ampliar o diálogo e reflexão sobre a gestão, a pesquisa e a difusão do patrimônio arqueológico nas instituições museológicas. O projeto foi contemplado no Edital Proeventos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Projeto Proeventos 3 – FAPESC 1375/2016). A programação de conferência, mesas-redondas e apresentações pretende reunir representantes de museus de diversas cidades e regiões para a formação de rede de museus de arqueologia. O RedeArq é um projeto da pesquisadora Roberta Meyer Miranda da Veiga, com apoio e participação da equipe técnica do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ). O evento também integra programação de eventos científicos que a instituição quer desenvolver em 2017, ano que o MASJ completa 45 anos. O RedeArq tem anuência e apoio do MASJ e da Fundação Cultural de Joinville. A Associação de Amigos do Museu de Sambaqui, a AMAASJ também está apoiando a organização do projeto.

A história do museu de arqueologia de Joinville, que se inicia em 1969 (Lei Municipal 1042) está relacionada ao desenvolvimento do campo da arqueologia no Brasil e este evento científico propõe novas reflexões e articulações. Especialmente sobre as vivências na gestão dos museus e suas interações com suas comunidades, seus pesquisadores, seus públicos presenciais e virtuais e os reflexos destas ações na formação cultural da sociedade sobre as relações entre o presente e o passado. Atualmente, há mais de 100 museus de arqueologia no Brasil, sendo 18 na Região Sul, além de instituições de guarda de acervo arqueológico. O projeto RedeArq convida os técnicos, pesquisadores, gestores, estudantes e interessados a compartilhar a programação e participar desta rede.