Geranoaetus melanoleucus (Vieillot, 1819)

Nome(s) popular(es)

Águia Serrana, Águia Chilena, Águia Moura, Gavião Pé de Serra (Nordeste).

História Natural

A Águia Serrana é uma águia imponente e robusta. Relativamente incomum, é típica de regiões abertas e montanhosas, habitando os campos e savanas em áreas de altitude, relevos acidentados e proximidades de morros. Está associada a esses ambientes pois faz seus ninhos em paredões rochosos, onde seus filhotes ficam mais seguros de predadores. No Cerrado pode ser vista em campos limpos, campos sujos, cerrados típicos, cerrados rupestres e veredas. Costuma planar bastante, próxima de paredões e por sobre as áreas abertas. Também pode ser vista sobrevoando áreas urbanas, ou pousada em pedras, cercas, postes na beira de estradas, até mesmo no chão. Caçadora forte e generalista, se alimenta de pequenos mamíferos, outras aves, cobras e lagartos. Pode predar o Quero Quero, a Avoante, e até animais de porte um pouco maior, como o Tapiti. Sobrevoa os campos e vegetações abertas a aproximadamente 50 m do solo enquanto vasculha a área em busca de presas potenciais, mergulhando numa investida veloz ao avistar uma. Pode se alimentar de carniça eventualmente, e se adaptou bem a consumir presas introduzidas, como o Pombo Doméstico e o Coelho Europeu, ajudando a controlar as populações desses animais. Faz seus ninhos volumosos com galhos secos em escarpas rochosas, pondo de 1 a 3 ovos, e costumam utilizar o mesmo ninho por muitos anos. A fêmea se responsabiliza pela incubação e cuidado dos filhotes, enquanto o macho traz alimento. Quando está reproduzindo fica bastante territorialista, defendendo a área do ninho contra outros gaviões, e até pessoas, com agressividade.

Descrição

Mede entre 62 e 68 cm de comprimento. Sua coloração é cinza escuro nas costas, acima das asas, e da cabeça e garganta ao peito, onde o cinza é mais negro e forma um colar bem característico, contrastante com a barriga e demais partes ventrais brancas. Suas asas são largas e compridas, com região interna branca e penas de voos cinza escuro. Sua cauda é cinza escuro e relativamente curta, se ressaltando pouco do contorno das asas quando vista em voo. O menor comprimento e o padrão da coloração da cauda, assim como a maior extensão do colar cinza no peito, ajudam a diferenciá-la do Gavião de Rabo Branco.

Distribuição

Ocorre na América do Sul, com a distribuição se estendendo pela Cordilheira dos Andes, da Venezuela ao sul da Argentina, e incluindo a Bolívia, o Paraguai, o Brasil e o Uruguai. No Brasil está presente em todas as regiões exceto no Norte.

Conservação

Pouco preocupante: não é considerada ameaçada (ICMBio e IUCN), e suas populações parecem estar estáveis (IUCN). É provável que sua preferência por locais elevados e de difícil acesso, somada a sua adaptação a presas introduzidas, venham contribuindo na manutenção de suas populações.

Referências

BirdLife International. 2016. Geranoaetus melanoleucus. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T22695845A93530287. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22695845A93530287.en. Downloaded on 28 June 2020.

 

Brower, R. M. and R. L. Thorson (2020). Black-chested Buzzard-Eagle (Geranoaetus melanoleucus), version 1.0. In Birds of the World (T. S. Schulenberg, Editor). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA. https://doi.org/10.2173/bow.bcbeag1.01

 

García, J., Suárez, E., & Zapata-Ríos, G. (2016). An assessment of the populations of Sylvilagus brasiliensis andinus in Páramos with different vegetation structures in the northeastern Andes of Ecuador. Neotropical Biodiversity, 2(1), 72-80.

 

Gwynne, J. A., Ridgely, R. S., Argel, M., & Tudor, G. (2010). Guia Aves do Brasil: Pantanal e Cerrado. São Paulo: Horizonte.

 

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio. 4162 p.

 

Jimenez, J. E., & Jaksic, F. M. (1989). Behavioral Ecology of Grey Eagle-Buzzards, Geranoaetus melanoleucus, in Central Chile. The Condor, 91(4), 913-921.

 

Jiménez, J. E., & Jaksic, F. M. (1990). Historia natural del águila Geranoaetus melanoleucus: una revisión. El Hornero, 13(02), 097-110.

 

Menq, W. (2018). Águia-serrana (Geranoaetus melanoleucus). Aves de Rapina Brasil. Recuperado em 28 de junho, 2020, de http://www.avesderapinabrasil.com/buteo_melanoleucus.htm

 

Salvador-Jr, L. F., Salim, L., Pinheiro, M., & Granzinolli, M. (2013). Observations of a nest of the Black-chested Buzzard-eagle Buteo melanoleucus (Accipitridae) in a large urban center in southeast Brazil. Revista Brasileira de Ornitologia-Brazilian Journal of Ornithology, 16(33), 6.

 

Sick, H. (1997). Ornitologıa brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

 

Silva, J. M. C. da (1995). Birds of the cerrado region, South America. Steenstrupia, 21(1), 69-92.

 

Trejo, A., Kun, M., & Seijas, S. (2006). Dieta del Águila Mora (Geranoaetus melanoleucus) en una transecta oeste-este en el ecotono norpatagónico. El hornero, 21(1), 31-36.

 

Tubelis, D. P. (2009). Veredas and their use by birds in the Cerrado, South America: a review. Biota Neotropica, 9(3), 363-374.


Wikiaves. (2018). Águia-serrana. Recuperado em 28 de junho, 2020, de https://www.wikiaves.com.br/wiki/aguia-serrana

);