O que é agrobiodiversidade?

Juliana Santilli (2010)

O conceito de agrobiodiversidade reflete as dinâmicas e complexas relações entre as sociedades humanas, as plantas cultivadas e os ambientes em que convivem, repercutindo sobre as políticas de conservação dos ecossistemas cultivados, de promoção da segurança alimentar e nutricional das populações humanas, de inclusão social e de desenvolvimento local sustentável.

A biodiversidade ou diversidade biológica – a diversidade de formas de vida – encobre três níveis de variabilidade: a diversidade de espécies, a diversidade genética (a variabilidade dentro do conjunto de indivíduos da mesma espécie) e a diversidade ecológica, que se refere aos diferentes ecossistemas e paisagens. Isso ocorre também em relação à agrobiodiversidade, que inclui a diversidade de espécies (por exemplo, espécies diferentes de plantas cultivadas, como o milho, o arroz, a abóbora, o tomate etc.), a diversidade genética (por exemplo, variedades diferentes de milho, feijão etc.) e a diversidade de ecosssistemas agrícolas ou cultivados (por exemplo, os sistemas agrícolas tradicionais de queima e pousio, também chamados de coivara ou itinerantes, os sistemas agroflorestais, os cultivos em terraços e em terrenos inundados etc.). Os agroecossistemas são áreas de paisagem natural transformadas pelo homem com o fim de produzir alimento, fibras e outras matérias-primas. Uma das características dos agroecossistemas é a predominância de espécies de interesse humano e uma organização espacial que estrutura e facilita o trabalho de produção, segundo Kátia Marzall.

A agrobiodiversidade, ou diversidade agrícola, constitui uma parte importante da biodiversidade e engloba todos os elementos que interagem na produção agrícola: os espaços cultivados ou utilizados para criação de animais domésticos, as espécies direta ou indiretamente manejadas, como as cultivadas e seus parentes silvestres, as ervas daninhas, os parasitas, as pestes, os polinizadores, os predadores, os simbiontes3  (organismos que fazem parte de uma simbiose, ou seja, que vivem com outros) etc., e a diversidade genética a eles associada (também chamada de diversidade intraespecífica, ou seja, dentro de uma mesma espécie). A diversidade de espécies é chamada de diversidade interespecífica.

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Agroecologia é uma disciplina científica que usa a teoria ecológica para avaliar e gerir os sistemas agrícolas para que eles sejam produtivos, sustentáveis e que otimizem o uso dos recursos locais, cultivando a fertilidade do solo de maneira biológica e a regulação natural de pragas, através da promoção da biodiversidade, enquanto minimizam os impactos ambientais e socioeconômicos negativos das tecnologias modernas.

Ela se caracteriza também como um movimento sociopolítico e socioambiental, de empoderamento do agricultor familiar em busca de sua identidade e de raízes culturais e principalmente de sua autonomia, poder de decisão e participação ativa no processo produtivo, além das suas preocupações ambientais.

A agroecologia é, portanto, uma ciência integradora, que agrega conhecimentos de outras ciências, além de agregar também saberes populares e tradicionais, sempre visando uma agricultura ambientalmente sustentável, economicamente eficiente e socialmente justa.

As técnicas de agricultura orgânica, agrofloresta e permacultura podem em vários aspectos ser associadas e usadas na abordagem agroecológica.

O agroextrativismo ocorre quando atividades como a agricultura, cultivo de árvores frutíferas, pesca etc., combinam-se com atividades extrativistas gerando o que se chama de conjunto de sistemas complexos de produção agroextrativista.
O agroextrativismo é a união de práticas agrícola sustentáveis, de baixo impacto e alto valor social, com a extração de produtos nativos. o agroextrativismo não é só a extração, mas sim a organização do processo de produção, utilizando as plantas nativas do cerrado e cultivando plantas adaptadas à essa região como é o caso do replantio do coquinho azedo, a valorização do baru e o manejo do bacuri. Surgida como complemento ao extrativismo, essa atividade tem enorme potencial socioeconômico, cultural e ambiental para o bioma Cerrado, já que alia geração de renda à restauração de áreas degradadas e desmatadas. Mas ainda é pouco reconhecida e enfrenta preconceito por parte da sociedade.
O Cerrado se caracteriza por uma alta diversidade biológica, de modo que são muitas as espécies passíveis de aproveitamento. O extrativismo no Cerrado é uma atividade que se realiza sempre de forma associada à agricultura familiar. Essa é uma das suas principais especificidades, a de se caracterizar antes como agroextrativismo, e não apenas como extrativismo, ou seja, com foco exclusivo na coleta de produtos florestais não madeireiros.
As políticas mais importantes para isto são as de apoio (sobretudo assistência técnica, crédito para investimento, beneficiamento e comercialização), a pesquisa de tecnologias de produção e industrialização, ampliação da infraestrutura e organização dos produtores. O baixo investimento em ciência e tecnologia, a inexistência de dados quantitativos e a falta de capacitação adequada dos agentes envolvidos dificulta a expansão do agroextrativismo, então, precisamos de ampliar a participação de agroextrativistas para que possam sair da invisibilidade e mantê-los nas comunidades no campo com investimentos em tecnologias simples e de baixo custo.
Algumas iniciativas governamentais positivas em prol do Cerrado resultaram na comercialização de 385 itens nativos desse bioma, com consequente geração de renda e empregos para as comunidades locais. São elas: a Política de Garantia de Preço Mínimo para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio), Programa de Aquisição de Alimento (PAA); Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – PNAPO.

Publicações:

  • Rodrigo Meiners Mandujano

    Para conhecer mais sobre este tema, leia a Revista Sustentabilidade em Debate do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília v. 5, n. 3 (2014):

    PDF
  • Associações de agroextrativistas no Cerrado

    Coordenador da Comunidade Vanderlei Pereira de Castro, telefone +55 (64)3689 1165 agrotec@persogo.com.br

O QUE É A AGRICULTURA BIODINÂMICA

Bernardo Thomas Sixel
(Original de 2003; última revisão de V.W.Setzer em 13/3/10)

Rudolf Steiner (1861-1925), fundador da Antroposofia, colocou, durante o Congresso de Pentecostes, em 1924, a pedra fundamentalespiritual do Movimento Biodinâmico, em forma de um ciclo de 8 palestras para agricultores (*). Esse congresso teve lugar no castelo Koberwitz perto de Wroclaw/Breslau, que hoje abriga a prefeitura de Kobierzyce, Polônia.

O impulso da Agricultura Biodinâmica, sendo uno com a Antroposofia, tem como conseqüência natural da renovação do manejo agrícola, o sanar do meio ambiente e a produção de alimentos realmente condignos ao ser humano.

Esse impulso quer devolver à agricultura sua força original criadora e fomentadora cultural e social, força que ela perdeu no caminho da industrialização direcionada à monocultura e da criação em massa de animais fora do seu ambiente natural.

A Agricultura Biodinâmica quer ajudar aqueles que lidam no campo a vencer a unilateralidade materialista na concepção da natureza, para que eles possam, cada um por si mesmo, achar uma relação espiritual/ética com o solo, com as plantas e os animais e com os coirmãos humanos.

A Biodinâmica quer lembrar todos os seres humanos que “A agricultura é o fundamento de toda cultura, ela tem algo a ver com todos”.

O ponto central da Agricultura Biodinâmica é o ser humano que conclui a criação a partir de suas intenções espirituais baseadas numa verdadeira cognição da natureza. Ele quer transformar sua fazenda ou sítio em um organismo em si, concluso e maximamente diversificado; um organismo do qual a partir de si mesmo for capaz de produzir uma renovação. O sítio natural deve ser elevado a uma espécie de individualidade agrícola”

O fundamento para tal é a integração de todos os elementos ambientais agrícolas, tais como culturas do campo e da horta, pastos, fruticulturas e outras culturas permanentes, florestas, sebes e capões arbustivos, mananciais hídricas e várzeas etc.. Caso o organismo agrícola ordene-se em torno desses elementos, nasce uma fertilidade permanente e atinge-se a saúde do solo, das plantas, dos animais e dos seres humanos.

A partida e a continuidade desse desenvolvimento ascendente da totalidade do organismo/empresa é assegurado pelo manejo biodinâmico dos tratos culturais agrícolas e do uso de preparados apresentados pela primeira vez por Rudolf Steiner durante o Congresso de Pentecostes. Trata-se de preparados que incrementam e dinamizam a capacidade intrínseca da planta a ser produtora de nutrientes, seja por mobilização química, transmutação ou transubstanciação do mineral morto ou por harmonização e adequação na reciclagem das sobras da biomassa produzida. Esses preparados apóiam a planta a ser transmissor, receptor e acumulador do intercâmbio da Terra com o Cosmo.

Adubar na biodinâmica significa, portanto, aviventar ou vivificar o solo e não simplesmente fornecer nutrientes para as plantas. A grande preocupação que devemos ter é o que fazer para que isso aconteça. Nesse caso é possível abster-se de muito do que hoje em dia parece ser imprescindível. Na Agricultura Biodinâmica não se usam adubos nitrogenados minerais, pesticidas sintéticos, herbicidas, hormônios de crescimento, etc. A concepção do melhoramento biodinâmico dos cultivares ou das raças está em irrestrita oposição à tecnologia transgênica. A ração para os animais é produzida no próprio sítio ou fazenda e a quantidade dos animais mantidos está em relação com a capacidade natural da área ocupada.

O agricultor biodinâmico está empenhado em fazer somente aquilo pelo qual ele mesmo pode responsabilizar-se, a saber, o que serve ao desenvolvimento duradouro da “individualidade agrícola”. Isso inclui o cultivo e a seleção das suas próprias sementes, como também a adaptação e a seleção própria de raças de animais. Além disso, significa uma orientação renovada na pesquisa, consultoria e formação profissional.

O agricultor biodinâmico aprende, dentro do processo de trabalho, a ser ele mesmo um pesquisador, aprende a participar e transmitir sua experiência a outros e a estabelecer dentro do seu estabelecimento um local de formação profissionalizante para gerações vindouras.

Uma renovação desta natureza desperta o interesse das pessoas que vivem nas cidades. Elas ligam-se com esta ou aquela fazenda ou sítio, apoiam e ajudam como podem, tornando-se fieis fregueses. Elas colaboram na formação de mercados regionais tornando-se associados solidários mútuos. Há iniciativas novas de importância fundamental em toda parte para que a agricultura possa enfrentar com sua autonomia regional a globalização do mercado mundial. Agricultura não é somente profissão para ganhar dinheiro, mas é principalmente encargo de vida, é vocação.

Em mais de 50 países a Agricultura Biodinâmica é praticada ao serviço do cultivo do meio ambiente e alimentação saudável do ser humano. No mundo inteiro os produtos biodinâmicos são uniformemente comercializados sob a marca DEMÉTER. A marca DEMÉTER garante uma cultura agrícola baseada em medidas novas nos campos culturais/espirituais, políticos/legais, econômicos e ecológicos.

Para o desenvolvimento da agricultura e da cultura em geral no Brasil será de maior significação, achar personalidades suficientes que tenham a coragem e a força de iniciativa de se colocar ao serviço dessa renovação da agricultura.

(*) Steiner, R. Fundamentos da Agricultura Biodinâmica. 8 palestras dadas en Korberwitz, 7-16/6/1924, GA (Gesamtausgabe, catálogo geral) 327. Trad. Gerard Bannwart. São Paulo: Editora Antroposófica, 1993.

Como surgiu a Agricultura Biodinâmica no Brasil

Quando me pediram que contasse sobre o início da estância Demétria, percebi que essa história, para mim, começou não há trinta anos, mas muitos anos antes, num terraço com vista para o Rio Reno, de onde se avistava, na outra margem do grande rio, a Suíça. Nesses dias, eu, ainda menino, observava minha mãe mexendo na pequena banheira do meu irmãozinho. Ao perguntar, ela me explicou que aquilo era um preparado para nossa horta.

Estávamos em 1936, doze anos após o Curso Agrícola de Rudolf Steiner. Três anos mais tarde, com a necessidade urgente de sair da Alemanha, este trabalho biodinâmico se perdeu. Hoje, aquela horta deu lugar a uma casa; olhando para o outro lado do rio Reno, deparamo-nos atualmente com uma nuvem enorme de vapor saindo de uma usina nuclear, a menos de 5 km de onde um dia moramos.

Antes ainda do ano de 1960, eu visitava freqüentemente a chácara de Max Ruegger num então subúrbio de São Paulo, naquela que provavelmente foi a primeira experiência em Biodinâmica no Brasil. Um dia ele sofreu um grave acidente e foi forçado a vender a terra. Quando passei a próxima vez lá, havia uma fábrica da Telefunken no lugar das plantações, que, assim, foram perdidas.

Em 1973, o meu irmão Joaquim contou-me da volta do jovem Marco Bertalot da Europa, e que eles estavam procurando uma chácara para fazer uma horta biodinâmica.

Naquela época, estávamos planejando transferir a Giroflex para o interior e a região pesquisada para esta finalidade era Botucatu.1

Surgiu então a ideia: por que não comprar uma fazenda próxima à futura fábrica para estimular uma colaboração mútua com a agricultura? Pedimos ao Marco que procurasse uma terra para este experimento.

Não me lembro quantas propriedades visitamos antes da fazenda “Tranca de Ferro”… O Marco mostrou-nos esta propriedade, da qual logo gostamos, comendo saborosas jabuticabas e ouvindo sobre a qualidade da terra; chegamos à conclusão de que deveríamos comprar esta fazenda, que o Marco depois batizou de “Estância Demétria”.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGRICULTURA BIODINÂMICA

Nenhuma organização pode ser maior do que o horizonte espiritual das pessoas que, em conjunto, levam-na adiante. Rudolf Mann

Nascemos em 1982 com o nome de Centro Demeter, a partir do 1º Encontro sobre Agricultura Biodinâmica no Brasil em 10/06/82, e em 1984 o nome foi modificado para Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (IBD) já em Botucatu, quando um grupo de antropósofos, em busca de seus objetivos de aplicar na prática os ensinamentos da Antroposofia no Brasil, resolveu enfrentar o desafio de adaptar a Agricultura Biodinâmica para condições tropicais, através de pesquisa, cursos e publicações. Nesta época, juridicamente, fazíamos parte da Associação Beneficiente Tobias.

A atividade de certificação orgânica e biodinâmica (selo Demeter) é iniciada em 1991, e teve um crescimento tão grande que passou a canalizar todas nossas energias, em detrimento das outras áreas de atuação tão importantes para a organização.

Em 1995 criamos a Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica, e nos independemos da Associação Tobias, com a missão de fomentar a Agricultura Biodinâmica no Brasil.

Em 1996 a Associação recebeu o premio SARD de destaque como instituição de fomento de agricultura orgânica na Conferência Internacional da IFOAM (Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica).

Em 1999, num ato de coragem, pois a certificação era a atividade que mais gerava renda para a organização, resolvemos fundar uma outra instituição para cuidar exclusivamente da certificação. Nasce a Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD) e renasce a Associação Biodinâmica. Abandonamos a certificação e passamos a fortalecer a atividade de consultoria e assistência técnica em agricultura biodinâmica.

Em 2000 resolvemos priorizar a consultoria junto a grupos de pequenos agricultores por acreditarmos que junto a este público nossa missão realmente se cumpriria, e pela importância do trabalho social que poderíamos realizar. Fomos então à procura de parceiros para financiar a atividade.

Em 2003, preocupados com o escoamento dos produtos agrícolas gerados pelos produtores familiares criamos na Associação o grupo de comercialização de produtos biodinâmicos, com a função de estudar e traçar estratégias de comercialização. Através do trabalho deste grupo, no final de 2005 inauguramos nosso primeiro ponto de venda, a feirinha de Santo Amaro, onde os agricultores familiares da região de Maria da Fé, Gonçalves e Sapucaí Mirim em Minas Gerais e Botucatu, em São Paulo, vendem seus produtos diretamente aos consumidores.

Em 2006 a Associação Biodinâmica ficou entre os finalistas do Prêmio Empreendedor Social da Fundação Ashoka/Mackinsey com o projeto de uma Rede de escoamento de produtos biodinâmicos na cidade de São Paulo.

Em 2005 realizamos um workshop de três dias, onde nossa missão, visão e valores foram reavaliados:

Missão

“Gerar, desenvolver e fomentar a Agricultura Biodinâmica”

Visão

A Associação espera ser reconhecida, no presente e no futuro, pela sociedade e principalmente pelos envolvidos, como “Um organismo profissional e coeso na diversidade, que irradia respeito no fomento de uma Agricultura Biodinâmica viável para o desenvolvimento humano”

Com esta visão, a Associação Biodinâmica está publicamente se comprometendo a ser profissional no que faz, caminho que deve ser trilhado por uma equipe coesa e integrada, estimulada pela convivência respeitosa com a diversidade, tanto interna como externa, a fim de fomentar um modo de fazer agricultura biodinâmica sem ferir seus princípios, mas que seja social, econômica e ecologicamente viável, através da qual espera-se favorecer ao desenvolvimento integral do ser humano no planeta.

O que motiva todos que trabalham na Associação, da Diretoria aos funcionários, é a crença e convicção de que o modelo agrícola biodinâmico trabalha o cultivo da terra e a produção de alimentos respeitando todos os fluxos da natureza, e que este trabalho pode transformar a vida de muitos agricultores, principalmente os que não tem acesso tecnologias do modelo convencional. O que nos move a continuar é a satisfação e o resgate da auto-estima dos agricultores esquecidos nos rincões do país.

Site: http://biodinamica.org.br/abd/apresentacao

Uma experiência de agricultura biodinâmica no Cerrado

Queremos contar a vocês um pouco da história do Sítio Bahia e da Bioloja. O Sítio Bahia recebeu este nome de seu antigo dono, um pastor da Alemanha que trabalhou por vários anos no interior da Bahia, numa comunidade carente (o alemão mais baiano que eu conheci!). Sua intenção era morar aqui quando se aposentasse, mas acabou voltando à Alemanha com sua família.

A Associação Cambará, atual proprietária, foi formada com a finalidade de colocar a terra à disposição da Agricultura Biodinâmica e da educação no campo, que eram os ideais das duas famílias que assumiram o trabalho no sítio, no ano de 1986.

A busca e o desenvolvimento da Agricultura Biodinâmica foi o caminho percorrido, durante mais de vinte anos, por nossa família.

As novas vivências rurais nos proporcionaram grandes desafios, uma vez que fomos criados em cidades grandes, como Hamburgo na Alemanha e Porto Alegre no Rio Grande do Sul.

Mesmo não sendo agricultores, criar e percorrer o caminho de uma agricultura sustentável, adequada às condições naturais do local (solo, clima, água – o sítio é divisor de águas da bacia do Rio Pardo e da bacia do Rio Capivari) era de extrema necessidade.

Várias iniciativas econômicas têm se desenvolvido no Brasil e, somada a especulação e expansão do mercado imobiliário, começaram a ser construídas residências e condomínios que subtraíram muitos hectares de agricultura biodinâmica. Uma dessas áreas agricultáveis foi colocada à venda, bem como uma padaria e uma loja de produtos orgânicos, no Sítio Bahia. Trata-se de uma área de dois hectares situado no bairro Demétria em Botucatu.

Diante desse cenário, a Aliança Terra & Vida surgiu com uma iniciativa em prol do meio ambiente e do ecossistema, preservando o direito do solo concluir seu ciclo de vida, ser neutralizado, permanecer voltado para o cultivo e com fins comunitários.

A aquisição de gleba de terra de aproximadamente dois hectares no sítio Bahia, Bairro Demétria em Botucatu tem o intuito de garantir e propiciar a continuidade da existência da BioLoja da Demétria, uma empresa de produção, beneficiamento e comercialização de alimentos biodinâmicos. Concomitantemente essa aquisição é o marco inicial das ações da Aliança Terra&Vida com instituições parceiras no Brasil.

A obtenção da área do Sítio Bahia pela organização tem o objetivo de impedir a construção de um condomínio e preservar o solo para o cultivo biodinâmico – que transforma a terra em organismo gerador de vida. A Aliança Terra & Vida é uma instituição pública, sem fins lucrativos e se organiza periodicamente em projetos que visam a legitimidade de terras agriculturáveis que preza pelo manejo agrícola próspero e sustentável.

Site: http://biolojadademetria.com.br/alianca-terra-vida/

As sementes crioulas, segundo a legislação brasileira também é chamada de sementes de variedade local ou tradicional, são aquelas conservadas e manejadas por agricultores familiares, quilombolas, indígenas e outros povos tradicionais e que, ao longo de milênios, vêm sendo permanentemente adaptadas às formas de manejo dessas populações e aos seus locais de cultivo.

Uma característica fundamental dessas sementes é sua grande diversidade genética. O manejo de diversas variedades para cada espécie cultivada (além do plantio consorciado de várias espécies) constitui uma importante estratégia para segurança alimentar de agricultores familiares. A diversidade intraespecífica, nesse caso, constitui um fator promotor de resiliência aos sistemas produtivos, conferindo maior resistência aos ataques de pragas e doenças, bem como às próprias variações do clima.

 Outro dado relevante a ser destacado é o conhecimento associado aos recursos genéticos locais que guardam as famílias agricultoras. Ressalte-se, nesse contexto, o papel dos chamados guardiões de sementes, ou guardiões da biodiversidade: agricultores que manejam e conservam um grande número de espécies e variedades cultivadas e que sobre elas detêm vasto conhecimento. Estes Guardiões promovem um enfrentamento o modelo de agricultura pautada no agronegócio e no monocultivo.


A Rede de Sementes do Cerrado

A Rede de Sementes do Cerrado é uma associação sem fins lucrativos cuja missão é a defesa, a preservação, a conservação, o manejo, a recuperação, a promoção de estudos e pesquisas, e a divulgação de informações técnicas e científicas relativas ao meio-ambiente do Cerrado, especialmente no Brasil Central. Como projeto do FNMA para formação de redes de sementes florestais, surgiu em 2001, com o propósito de fomentar a cadeia de produção de sementes no bioma Cerrado. Criada juridicamente em 2004, em 2005 obteve o título de OSCIP (Organização Social da Sociedade Civil de Interesse Público) federal e vem procurando cumprir sua missão da forma explicitada em seu Estatuto Social e Regimento Interno.

As ações da REDE: A Rede de Sementes do Cerrado, atua na articulação política e técnica para a regulamentação da atividade de coleta de sementes, o fomento do comércio, a melhoria da qualidade das sementes e mudas de espécies nativas do Cerrado. Organizou e participou de encontros entre as Redes de Sementes dos diferentes biomas brasileiros, o último deles em novembro de 2015, visando a articulação de políticas públicas no setor de sementes florestais. Também participa de fóruns de discussão como o Comitê de Bacia Hidrográfica do Paranoá, Conselho de Recursos Hídricos-DF, Conselho Consultivo da ARIE Granja do Ipê e Aliança Cerrado/DF.

Com mais de 12 anos de existência legal, a Rede de Sementes do Cerrado executou a contento vários projetos, resultando em registros georreferenciados de 117 Áreas de Coleta de Sementes (ACS) e 6935 Árvores Matrizes de 338 espécies nativas do Cerrado, construção de viveiros, casa de sementes em áreas de entidades parceiras e  capacitação de mais de 1000 pessoas para o exercício das atividades do setor de produção de sementes e mudas nativas através de cursos. Também atua como Editora especializada em Cerrado, tendo publicado 10 livros e diversos livretos e cartilhas como material didático para cursos e oficinas.

Associados: Qualquer pessoa, instituição, associação ou empresa interessada em nossa missão, poderá associar-se à Rede de Sementes do Cerrado, que tem 4 categorias de associados. Para mais informações, leia o Estatuto da Rede de Sementes do Cerrado.

I – ASSOCIADOS FUNDADORES: são aquelas pessoas físicas qualificadas como tal na data do ato de criação da RSC;

II – ASSOCIADOS EFETIVOS: são aquelas pessoas físicas que mantêm sua associação com a RSC por no mínimo 02 anos consecutivos, na qualidade de associado colaborador;

III – ASSOCIADOS COLABORADORES: são aquelas pessoas físicas que já pagaram pelo menos a contribuição do ano corrente, mas ainda não completaram as exigências para se tornar associado efetivo;

IV – ASSOCIADOS INSTITUCIONAIS: são as instituições de ensino, pesquisa e extensão ou associações em geral, incluindo Cooperativas e Organizações Não Governamentais, inclusive estrangeiras, e outras pessoas jurídicas de direito público e privado, cadastradas em formulário próprio, aceitas pela Diretoria e quites com a anuidade específica definida em Assembleia Geral.

Rede de Sementes do Cerrado, através do projeto “Mercado de sementes e restauração: provendo serviços ambientais e biodiversidade”, coloca à venda 71 espécies de plantas nativas do Cerrado para restauração ecológica. Além de 42 espécies de árvores, a lista conta com 15 herbáceas e 14 arbustivas. Acesse a página da Rede de Sementes do Cerrado para mais informações.

LOCALIZAÇÃO

CLN 211 – Bloco A – Sala 221
Asa Norte – Brasília – Distrito Federal

  Atendemos das 8:30 as 14:30

Telefones: 

(61) 3256 1938
(WhatsApp) – (61) 98103 9038

contato@rsc.org.br

Site: http://www.rsc.org.br


Publicações:

  • Cartilha linda que fala sobre o cerrado e o ciclo das sementes.
    PDF

Central do Cerrado

A Central do Cerrado é uma central de cooperativas sem fins lucrativos estabelecida por 35 organizações comunitárias de sete estados brasileiros (MA, TO, PA, MG, MS, MT e GO) que desenvolvem atividades produtivas a partir do uso sustentável da biodiversidade do Cerrado.

Funciona como uma ponte entre produtores comunitários e consumidores, oferecendo produtos de qualidade como: pequi, baru, farinha de jatobá, farinha de babaçu, buriti, mel, polpas de frutas, artesanatos, dentre outros, que são coletados e processados por agricultores familiares e comunidades tradicionais no Cerrado.

A Central do Cerrado fornece produtos para restaurantes, empórios e pequenos mercados, oferece coquetéis e lanches para eventos, atende encomenda individuais, cestas personalizadas e para grupos organizados de consumo.

Além de promover a divulgação e inserção dos produtos comunitários de uso sustentável do Cerrado nos mercados locais, regionais e internacionais a Central do Cerrado serve também como centro de disseminação de informações, intercâmbio e apoio técnico para as comunidades na melhoria dos seus processos produtivos, organizacionais e de gestão.

A Central do Cerrado opera dentro dos princípios e conceitos do Comércio Justo e Solidário, tendo como objetivo promover a inclusão social através do fortalecimento das iniciativas produtivas comunitárias que conciliam conservação do Cerrado com geração de renda e protagonismo social.

A Central do Cerrado recebe apoio do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) através do Projeto Florelos (Comissão Européia); do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (GEF/PNUD/ISPN); da Fundação Banco do Brasil ; e da Fundação Luterana de Diaconia.

Site: www.centraldocerrado.org.br

E-mail: centraldocerrado@centraldocerrado.org.br

Telefone: (61) 3327 8489


Cooperativa Sertão Veredas LTDA

Cooperativa criada com o intuito de organizar a produção agroextrativista sustentável de produtos do Cerrado, a fim de que os cooperados gerem renda e haja maior valorização do Cerrado.

E-mail: coopsertaoveredas@hotmail.com
Telefone: (38) 3634 1462
Site: cerratinga.org.br/cooperativa-sertao-veredas-minas-gerais


Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Pandeiros – COOPAE

Cooperativa que reúne cerca de 20 mil famílias que extraem produtos do Cerrado, valorizando sua biodiversidade e estimulando o desenvolvimento rural sustentável a partir da geração de renda para as comunidades locais.

E-mail: projetopandeiros@gmail.com
Telefone: (38) 3621-5924


Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativistas do Vale do Peruaçu – Cooperuaçu

A Cooperaçu tem como objetivo trabalhar a agroindustrialização de produtos agroextrativistas e produtos da agricultura familiar. Compõem o quadro de cooperados indígenas Xakriabá, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais da região.

Email: cooperuacu@gmail.com

Telefone: (38) 9 9748-6151

Redes Sociais: facebook.com/cooperuacu

Site: http://tacaindofulo.wixsite.com/serradocipo/sobre


Agrotec – Centro de Tecnologia Agroecologia de Pequenos Agricultores (GO)

Produtos: Plantas medicinais desidratadas, chás, óleo essenciais, óleo vegetal, carnes silvestres (capivara, cateto, queixada e tartarugas da Amazônia), frutas desidratadas e cristalizadas (caju do campo, mama-cadela), farinhas de pequi e jatobá, amêndoa de baru tostadas e barras de cereais de baru.
Contato: Paulo Bezerra
Endereço: Antiga Estrada para Arenópolis, KM 3 Zona Rural
CEP: 76260-000
Cidade: Diorama/GO
Telefone: (64) 3689 1165 – (64) 9655 4839 – (62) 9683 7062
E-mail: agrotec@persogo.com.br


Cenesc – Centro de estudos e exploração sustentável do Cerrado (GO)

Produto: Castanha de baru torrada
Contato: Cirley Motta
Endereço: Cx. Postal 12
Cidade: Pirenópolis/GO
Telefone: (62) 3331.1425 – (61) 3327.8085
E-mail: cirleymotta@yahoo.com.br
Nº de Famílias: 48


Assentamento Colônia I (GO)

Produtos: Hortaliças orgânicas, geléias, doces, biscoitos e artesanato
Contato: João Batista
Endereço: Assentamento Colônia I
Cidade: Padre Bernardo/GO
Telefone: (61) 9904.3559 – (61) 3327.8085
E-mail: gtra@unb.br
Nº de Famílias: 24


Promessa de Futuro (GO)

Produtos: Geléias, picles, castanha de baru, chutney, feijão azuki, hibisco desidratado (chá)
Contato: Elias ou Erica Danielle
Endereço: Comunidade do Caxambu – Zona rural.
Cidade: Pirenópolis/GO
Telefone: (62) 9253.6069 – (62) 9107.1000 – (61) 3327.8085
E-mail: promessadefuturo@hotmail.com


Empório do Cerrado (GO)

Produtos: Castanha de baru e derivados e outros produtos do Cerrado
Contato: Orélio Araújo da Silva
Endereço: BR 153 – KM 04 – Casa 05 – Chácara Retiro
CEP: 74775-027
Cidade: Goiânia/GO
Telefone: (62) 3202.7515
E-mail: rede@emporiodocerrado.org.br
Nº de Famílias: 1.280


Cooperaçafrão (GO)

Produtos: Açafrão indiano artesanal
Contato: Wanderley Cardoso de Araújo
Endereço: Praça Maurício de Moura , nº 773
CEP: 76.490-000
Cidade: Mara Rosa/GO
Telefone: (62) 3366.2045 – (62) 8138.5371
E-mail: cooperacafrao@g8net.com.br
Nº de Famílias: 26


Associação dos Produtores de pimenta de Abadiânia (GO)

Produtos: Artesanatos, geléias, conservas e molhos a base de pimentas
Contato: João Malheiros
Endereço: Av. Brasília, s/nº – Centro.
Cidade: Abadiânia/GO
Telefone: (61) 9214.2038
E-mail: malheiros@gmail.com
Nº de Famílias: 50


Associação dos produtores de beneficiamento de frutas do Cerrado de Damianópolis Benfruc (GO)

Produtos: Frutas nativas (jatobá, cagaita e pequi), farinha de jatobá e polpa de pequi
Contato: Giovanda de Souza Brandão.
Endereço: Av. Júlio Moreira de Moura, 126, Setor Olímpia
CEP: 73980-000
Cidade: Damianópolis/GO
Telefone: (62) 3445.1171
E-mail: benfruc@yahoo.com.br
Nº de Famílias: 90

Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas

O Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas é uma organização de agricultores e agricultoras familiares do Norte de Minas Gerais. Sua composição é feita, em grande maioria, por representantes de povos e comunidades tradicionais (geraizeiros/as, catingueiros/as, quilombolas, indígenas, veredeiros/as e vazanteiros/as).

O CAA desenvolve ações em torno da sustentabilidade, da agroecologia e dos direitos dos povos e comunidades tradicionais, tendo como foco a valorização da (agro)biodiversidade e a convivência com os ecossistemas regionais, discutindo novos conceitos, apresentando soluções, desenvolvendo estratégias de ações colaborativas, no intuito de promover o crescimento e o fortalecimento dessas comunidades e de suas agriculturas.

Desde 1985, a organização contribui com o fortalecimento das redes sócio-técnicas, onde camponeses/as, técnicos/as e organizações parceiras locais articulam esforços na busca por soluções efetivas para os principais problemas e desafios vivenciados por estes povos e comunidades.

Site: https://www.caa.org.br/


NACEM – Núcleo de Agroecologia do Cerrado Mineiro

O NACEM – Núcleo de Agroecologia do Cerrado Mineiro foi criado oficialmente em 2015. O PENSAR agroecológico era uma vontade de pesquisadores da UFU- Campus Monte Carmelo. Trabalhando em diversar práticas agroecológicas e motivados pela técnica de empreender esse saber entre estudantes e produtores rurais, fomos crescendo. Fomos ENCANTANDO e sendo ENCANTADOS com as possibilidades de cultivar o novo….ou velho pensar agroecológico. Com GRATIDÃO estamos vivenciando muitas experiencias e porque não resgatar essa s práticas? Desejamos agradecer a cada dia que agroecologia está em nossas vidas….. afinal Galera Bora? Bora fazer agroecologia? O NACEM começou como um projeto para criação de um núcleo participativo de fomento ao desenvolvimento de sistemas de produção agroecológicos e sustentáveis apropriadas à agricultura familiar no Campus de Monte Carmelo da Universidade Federal de Uberlândia. Nosas META é a experimentação, validação e disponibilização participativa de tecnologias apropriadas à agricultura familiar do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

Site: http://nacemufu.blogspot.com/

E.mail: nacem.ufu@gmail.com


O Grupo de Intercâmbio em Agroecologia – Gias

Criado em 1999, o Grupo de Intercâmbio em Agroecologia – Gias é o fruto de uma ação conjunta de organizações e movimentos sociais, cujo objetivo é alertar a sociedade mato-grossense sobre os impactos do modelo de desenvolvimento imposto pelo agronegócio, causador de grande destruição ambiental e social. Nesse sentido, o Gias quer demostrar que outro sistema social, ambiental e economicamente justo é possível: a agroecologia. Nessa ótica, a agroecologia garante a segurança e soberania alimentar, protege o meio-ambiente, promove populações e povos tradicionais, empodera mulheres, jovens e a agricultura familiar, e valoriza o intercâmbio de conhecimentos tanto recentes quanto ancestrais.

Site: www.gias.org.br

Telefone: (65) 32234615

E-mail: fasecac@terra.com.br

Florestas de Comida no Cerrado

O projeto Florestas de Comida no Cerrado busca, por meio de um conjunto de atividades articuladas, reconhecer o protagonismo da mulher na dinâmica rural estimulando o seu reconhecimento como atores políticos na construção da concepção agroecológica e protetoras da biodiversidade, por meio da disseminação do sistema MAES. Assim, espera-se o envolvimento das famílias agricultoras, através da revalorização das atribuições produtivas e reprodutivas de homens e mulheres, promovendo o fortalecimento do capital social e ambiental local, desencadeando o desenvolvimento rural sustentável do Cerrado. Neste sentido, o projeto irá trabalhar a disseminação da metodologia MAES para incentivar a prática agroflorestal como modelo de produção; oferecer às famílias de agricultores e agricultoras de assentamentos/comunidades rurais condições para iniciar a produção de alimentos em sistemas agroecológicos e promover cursos e oficinas em Agroecologia (Sistemas Agroflorestais Sucessionais) e acesso ao mercado para as famílias rurais da região, priorizando a prática nos métodos e tecnologias sociais e a troca de experiências entre agricultores/as familiares.

Instituição: Cooperativa Agropecuária dos Produtores Familiares de Niquelândia –  Cooperagrofamiliar

Responsáveis: Cirino Vicente Ferreira e Luiz Cláudio Santos
E-mail: cooperagro@hotmail.com, agroflorestamaes@gmail.com
Telefone: +55 (62) 3354-4265

Corredor prioritário: Veadeiros – Pouso Alto – Kalungas