Fitoterapia do Cerrado

Cerca de 75% dos remédios encontrados nas prateleiras das farmácias vêm da natureza. O Cerrado é um celeiro de produtos naturais para a fitoterapia – o uso terapêutico de plantas. Neste tópico queremos divulgar os conhecimentos científicos e populares sobre as plantas do Cerrado como um caminho para sua conservação.

Várias universidades brasileiras vêm confirmando o poder medicinal das ervas do cerrado, entre elas, a Universidade de Brasília; o professor Cesar Koppe, do Instituto de Biologia que patentou o uso do pequi como medicamento, comprovou que o pequi é rico em antioxidantes, como carotenoides, vitamina C e compostos fenólicos (flavonoides e taninos) reduz os radicais livres e as taxas de colesterol. A pesquisas mostraram que o pequi tem propriedades anti-inflamatória e é especialmente funcional para pacientes de lupus e diabetes, além de ajudar no combate à pressão alta e ser indicado para atletas. O produto em cápsulas foi registrado na Agência de Vigilância Sanitária como nutracêutico, ou seja, uma substância de origem natural que melhora as funções orgânicas, como a renal e a cardíaca. O suplemento não tem nenhum tipo de contra-indicação (exceto se você for alérgico à fruta). Ações deste tipo podem colaborar para conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar o cerrado.

O óleo da polpa do pequi tem propriedades medicinais, sendo utilizado contra bronquites, gripes e resfriados e no controle de tumores. É comum o óleo ser misturado ao mel de abelha ou à banha de capivara, em partes iguais e a mistura resultante ser usada como expectorante. O chá das folhas é tido como regulador do fluxo menstrual, o extrato etanólico das folhas apresenta atividade antitumoral, contendo o ácido oleanólico, friedelina e friedelan-3-ol, além de -sitosterol, estigmasterol e ácido elágico.

O cerrado é uma grande farmácia que podemos desfrutar para termos saúde e bem-estar.

Estima-se que existam aproximadamente 250 mil espécies de plantas no mundo e que apenas 10% destas tenham sido avaliadas por algum método científico. No caso do Brasil, detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta e rico na tradição do uso de plantas, faz com que a sua flora seja uma das mais abundantes fontes de novos produtos farmacêuticos, cosméticos e nutracêuticos.
O uso tradicional de dezenas de plantas nativas como a embaiba (Cecropia pachystachia, Família Cecropiaceae) e copaíba (Copaifera spp., Leguminosae) foram copiados dos índios, ainda na época do descobrimento do Brasil. Registros históricos mostram que dezenas de plantas medicinais já foram usadas no passado, muitas delas desconhecidas hoje. sado, muitas delas desconhecidas hoje. Essa é uma das graves consequências dos sucessivos desmatamentos da vegetação nativa do Brasil, que acabou levando o país a uma intensa erosão genética e cultural. Atualmente, além de muitas espécies estarem em perigo de extinção, raras são as pessoas que de fato conhecem as plantas medicinais nativas e sabem aproveitar seus benefícios medicinais. Para piorar a situação, essas pessoas são geralmente muito idosas, e o conhecimento não vem sendo repassado para novas gerações. É preciso, portanto, muitos esforços para se manter vivo o conhecimento sobre as plantas brasileiras, por meio da sua conservação, da valorização do conhecimento tradicional e dos estudos científicos.
Fonte: http://www.ceplamt.org.br/wp-content/uploads/2014/02/pag_1_pag_18-1.pdf

João Vicente

Lucely Pio

 

A Pacari nasceu em 1999, dentro do campo de articulação da Rede Cerrado e da Rede de Plantas Medicinais da América do Sul. Inicialmente foram realizados diagnósticos participativos junto a diversos grupos organizados, utilizando a metodologia da “árvore do trabalho”, que proporcionou a identificação das potencialidades e dificuldades de cada grupo, e a realização de um planejamento coletivo para um trabalho articulado. Hoje, a sua atuação abrange aproximadamente 50 organizações de 10 regiões dos estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Maranhão.
As atividades da Pacari são de pesquisa popular, assessoria, intercâmbio, capacitação, produção e registro de conhecimentos, publicação, realização de encontros e participação em espaços de formulação de políticas públicas.
No contexto político, a Articulação Pacari é membro do Comitê Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais. Estas participações objetivam o reconhecimento e regulamentação da prática da medicina popular; a conservação do bioma Cerrado através de seu uso sustentável; e a conquista dos direitos coletivos das comunidades locais sobre seus conhecimentos tradicionais.
As ações da Pacari têm ainda o objetivo de contribuir para a implementação do Protocolo de Nagoya e dos artigos 8j e 10c da Convenção da Diversidade Biológica – CDB, principalmente quanto à manutenção das práticas costumeiras das comunidades locais de preparação de remédios caseiros a partir de recursos naturais; e para a implementação da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial – PCI, buscando o reconhecimento do “Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado” como Bem Cultural Imaterial do Brasil.
A Articulação Pacari também promove a geração de trabalho e renda junto às comunidades locais através do uso sustentável do Cerrado, desenvolvendo as cadeias produtivas dos óleos de macaúba, pequi e gueroba.
Fonte: http://www.pacari.org.br

  • Fitoterapia do Cerrado

Tulio Americano

Contrariando a facilidade, o consumismo, a lógica cega e a descrença no sutil, Túlio Americano convida-nos a uma leitura espetacular sobre a relação dos seres dentro de um universo energético e pulsante: uma releitura da fitoterapia tradicional permeada pela física quântica, dentro de uma visão holística e muito amorosa.

Iniciando o livro com uma abordagem xamânica bem estruturada, o autor apresenta a expressão do divino em nós, de uma forma poética. A incondicional reverência ante algo bem maior do que esta dimensão na qual estamos inseridos é a tradução de todo um conhecimento tradicional transmitido entre muitas gerações, mas aparentemente esquecido pela sociedade atual. Este livro, portanto, estabelece uma ponte conceitual entre a fitoterapia atual a fitoterapia xamânica, praticada por povos tradicionais, reunindo também alguns conceitos da homeopatia e da medicina tradicional chinesa.

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  • Compreendendo a farmacopeia e o uso tradicional de plantas no Cerrado : uma abordagem etnoecológica.

A etnobotânica, como parte da etnoecologia, busca compreender as inter-relações entre grupos humanos e o ambiente em que vivem, sob a perspectiva de utilização dos recursos vegetais. No entanto, a natureza humana não permite uma avaliação puramente biológica, sendo necessárias análises que considerem as peculiaridades culturais de cada grupo humano. Com pretensões de se encontrar e estabelecer teorias que possam elucidar padrões de comportamento humano em relação à utilização de recursos vegetais, pesquisadores em todo mundo tem se debruçado sobre questões ecológicas, aplicando-as em investigações com povos de diversas culturas e ambientes. A presente pesquisa foi realizada em uma comunidade rural no sudeste brasileiro, no bioma Cerrado, com o intuito de entender algumas questões relacionadas à seleção de plantas úteis pela comunidade: a aparência ecológica (aqui testada a partir da visão da comunidade acerca da disponibilidade do recurso) e a hipótese da diversificação de uso aplicada para espécies medicinais, sugerida por Albuquerque (2006) e testada pela primeira vez no cerrado.

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  • Plantas úteis de Minas Gerais e Goiás na obra dos naturalistas.

Maria das Graças Lins Brandão

Este livro é mais um produto desenvolvido pela equipe do Centro Especializado em Plantas Aromáticas, Medicinais e Tóxicas da Universidade Federal de Minas Gerais (CEPLAMT - UFMG). Nosso principal objetivo é recuperar e divulgar informações históricas e técnico-científicas sobre as plantas úteis nativas do Brasil, que contribuam para sua conservação e melhor aproveitamento. Outro objetivo do grupo é despertar nos jovens brasileiros o interesse pela ciência, especialmente nas disciplinas envolvidas com o tema.

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  • Popular knowledge on Cerrado plants as a subsidy to the Environmental Education proposal.

Trabalhos em Etnobotânica e Educação Ambiental têm em comum a interdisciplinaridade e podem ser complementares. Enquanto a Etnobotânica se preocupa, por exemplo, com a visão e o conhecimento sobre as plantas nativas do Cerrado, trabalhando com base na botânica e na antropologia, a Educação Ambiental se ocupa em disponibilizar os valores e os conhecimentos necessários para a sustentabilidade de uma população. A pesquisa teve como objetivo avaliar, por meio de algumas metodologias Etnobotânicas, o conhecimento das espécies vegetais nativas e seus usos na área urbana de Martinésia (Uberlândia - MG), e fomentar, através da Pesquisa-Intervenção, projetos futuros de Educação Ambiental (EA) em uma visão mais sócio-interacionista para a conservação do referido ambiente.

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  • Ofício das Raizeiras e Raizeiros do Cerrado.

https://www.youtube.com/watch?v=95lCSU-29RA